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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em finos.

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em finos.

A literatura é muito isto.

Uma frase? Só isso?

Sim, uma frase. Para mim, a literatura começa a sê-lo a partir de uma frase.

Uma frase bem construída, que faça sentido quando lida e que transmita uma ideia, já é, para mim, literatura.

 

Uma única palavra é só estúpido. Não existe literatura na própria palavra "literatura", por exemplo. Pelo menos não quando essa palavra está sozinha.

Ah, e tem de estar acompanhada por outras palavras!

A seguinte frase, por exemplo, é só estúpida: "Literatura literatura, literatura, literatura literatura literatura literatura."

 

hamlet.jpg "... literatura."

 

Ora, para que é que interessa tudo isto?

Para nada. Para absolutamente nada. A literatura deve ser o que cada pessoa quiser que ela seja, e não aquilo que me apetece.

Só que desafiaram-me a escrever um texto que começasse com a frase "Uma frase? Só isso?", e, ou era isto, ou era uma conversa entre duas morsas numa aula de português.

 

Pensando bem, se calhar ainda escrevo essa história...

Estou teso

Usamos expressões que se encontram no nosso vernáculo ao que parece desde sempre, mas este não é o caso. Todas tiveram a sua origem nalgum ponto da história.

Na maior parte das vezes essas origens são difíceis de descortinar, com várias versões a circular e muitas de critério duvidoso. Ora, por força de um projecto que estou a liderar, dei com uma data de documentos históricos que até hoje se julgava terem sido perdidos na afamada grande depressão de 1889 – Não falo de uma depressão a nível económico, mas da grande depressão que assolou o historiador que estava na posse destes documentos e que o levou a destruir todo o seu trabalho numa grande fogueira por não ter herdeiros a quem o deixar.

 

Estes documentos contêm relatos pormenorizados da origem de certas expressões. Por ainda não estarem completamente restaurados, ainda não posso mostrá-los ou revelar todo o seu conteúdo, mas posso partilhar algumas curiosidades que já consegui descobrir através da sua análise.

 

Estar “teso”: Expressão utilizada por alguém para revelar e ilustrar a sua falta de dinheiro, ou a de outrem. Estar teso = Estar sem dinheiro.

 

Segundo o que pude averiguar através do meu estudo dos documentos, esta expressão remonta ao início do século XVIII. Mais interessante que a expressão, é mesmo as condições da sua origem; pequenos momentos na história que foram perdidos ou mesmo apagados de qualquer memória, para se esconder o desastre que foram.

Corria o ano de 1703 quando um grupo de mulheres iniciou um protesto. Protestavam pelo facto de não serem recompensadas pelos seus serviços domésticos. Enquanto os homens faziam o que lhes apetecia e recebiam o seu salário, elas estavam incumbidas de todas as tarefas domésticas e sem nenhuma recompensa. Além disso, alegavam que ainda tinham de satisfazer sexualmente os maridos, mesmo estando demasiado cansadas e sem vontade.

Aquando a discussão deste caso com uma comissão designada pelo Rei para a avaliar, houve uma das protestantes que exclamou: “Ao menos as putas são pagas quando as fodem!”. Gerou-se uma pequena confusão após este comentário e o líder da comissão avaliadora levou o caso ao Rei.

Aqui começou o problema que a história tratou de apagar. Enquanto aquele grupo de mulheres lutava pela atribuição de um subsídio, o avaliador apenas reportou ao Rei o comentário feito por uma das mulheres. Pensando que o problema era aquele, o facto de as prostitutas serem pagas e de das mulheres casadas ser esperado que o fizessem de graça, o Rei decretou que a partir daquele dia todas as mulheres teriam de ser pagas por qualquer acto sexual realizado, sob pena de morte caso o pagamento não se verificasse.

 

Esta medida causou grande alarido na população, mas as mulheres decidiram aproveitar-se desta estupidez para castigar os maridos.

Sem mais nenhuma opção, agora que nem o casamento os livrava de terem de gastar dinheiro para poder ter relações sexuais, os maridos foram pagando. Como consequência, passou a ver-se pelas ruas alguns homens que transportavam uma enorme erecção, bem visível. Os comentários foram aparecendo: “Olhem, o Manel ‘tá teso”, mais do que um reparo em relação ao seu protuberante membro, era um comentário de como o Manel estava sem dinheiro; tanto sem dinheiro que nem tinha o suficiente para poder fazer sexo com a mulher.

 

A lei não durou muito tempo, quatro dias depois estava a ser abolida por estupidez extrema, e todos os registos destruídos, mas a expressão “estou teso”, para descrever a falta de dinheiro, generalizou-se e sobreviveu até ao presente.

Sabedoria involuntária

Eu não consigo perceber o que escrevo. Era só isto.

Pronto, eu explico.

 

Quando escrevo à mão, a usar uma caneta e tudo, como os meninos crescidos, e depois leio o que escrevo, penso: "Sim, está tudo claro, vou conseguir ler isto para sempre. Ainda bem que escrevi isto antes de me esquecer."

Ora, o que acaba por acontecer cerca de cinco minutos depois, é que já não consigo descortinar nada do que acabei de escrever. Não consigo descodificar aquela mensagem que deixei a mim próprio, perdendo-se, assim, toda a utilidade de o ter escrito. 

Isto acontece-me, em média, todos os dias. E ainda não aprendi. Parece-me que nunca vou aprender. E faz sentido, nunca tive jeito para desenho, e, escrever, no fundo, é desenhar letras. Existem crianças que o primeiro desenho que fizeram na vida é mais coerente e perceptível que qualquer desenho que eu alguma vez farei; isto para dar o exemplo do quão mau sou nesta arte. 

 

Sim, às vezes, com muito esforço e concentração, acabo por fazer sentido dos gatafunhos que habitam o meu caderninho. Mas é mesmo só às vezes. Aliás, suspeito que quando morrer vou deixar um espólio riquíssimo em cadernos cheios de coisas que escrevi; o único problema será que ninguém vai ser capaz de ler nada. O que até pode resultar a meu favor, podem passar a ideia que eu era um escritor fantástico e com imenso a dizer e ser galardoado, postumamente, com prémios literários. Ninguém vai perceber nada do que está lá escrito, portanto não podem dizer que não presta.

 

Um pequeno exemplo: estava a tentar perceber o que tinha escrito num caderno, uma pequena frase. Aquilo que acabo por conseguir ler é: "Se deixarem uma mula fazer-vos um bico, vão sempre ter palitos." 

 

É profundo. Poético. É verdade. Talvez, não sei bem. O que sei é que não é isso que está lá escrito, mas é o que consigo ler. E vai ter de servir. 

 

A verdadeira sabedoria encontra-se onde menos se espera.

 

Há vida além do futebol.

Para que este blogue não se limite a incidir sobre o tema do futebol - até porque todos os outros estão a falar sobre isso e nós, por cá, gostamos de ser diferentes e anormais -, decidi falar-vos sobre física quântica.

 

Infelizmente, não percebo nada do assunto. E quando eu não percebo nada de algum assunto, não gosto de falar sobre ele.

Sou o oposto de um... português, vá.

 

1449728914683.jpg "Achamos escandaloso que a Dilma tenha ido de férias para o Panamá, ou lá o que é!"

 

Por isso, é isto.

Eu bem tentei, mas não deu.

Obrigado pela vossa atenção, na mesma.