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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em finos.

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em finos.

Os bolsos dos casacos de Inverno.

Ah, o Inverno... Aquela altura do ano em que ficamos todos mariquinhas e achamos logo que os membros nos vão cair só porque a temperatura desceu alguns graus e julgamos saber o que é viver no Alasca ou o raio que o parta...

 

Bom.

 

O Inverno também é, como todos sabem, a altura em que sacudimos o pó e chupamos a humidade dos casacos pesados e intimidatórios que temos no armário e ostentamo-los na rua como se de lindas mantas persas se tratassem.

E aquilo de que muita gente gosta em relação aos casacos de Inverno é de lhes ir ao bolso (esta é a única ocasião decente para se utilizar esta expressão) e sacar de lá muito dinheirame, pilhas de moedas e rolos de notas que ficaram lá esquecidos porque no fim da estação despimos todos os casacos à pressa para mergulhar de cabeça no modo Verão e ir aprovar o bikini.

 

Pois bem, a verdade é que, comigo, nada disso acontece.

Primeiro, todo e qualquer bikini me fica mal - e eu já experimentei vários estilos, acreditem.

Depois, é raro encontrar qualquer coisa que se pareça com dinheiro nos meus casacos de Inverno. A coisa mais valiosa que já lá encontrei foi uma barra de ouro, e toda a gente sabe que até o ouro vale cada vez menos hoje em dia.

 

gold.jpgPor isso eu aproveito para jogar Mikado.

 

Não me interpretem mal, eu encontro muita coisa nos bolsos dos meus casacos de Inverno... Só não encontro, vá, dinheiro.

Hoje, por exemplo, foi a primeira vez neste Inverno que experimentei um desses bichinhos que se podem vestir, um verdadeiro tanque anti-frio que me faz parecer um urso polar, sendo que urso já eu era antes. Mas, em vez de dinheiro, encontrei talões. Um de movimentos de conta - tanto dinheiro que eu tinha há um ano... - e outro de uma transferência qualquer que fiz para alguém, já não sei bem quem.

Não satisfeito, quis ir mais a fundo.

Encontrei dois invólucros de rebuçados - um de morango e outro de laranja, já agora - e, um pouco mais abaixo, um peru. Sim, um peru. O peru de Natal que desapareceu misteriosamente da nossa mesa de jantar na última consoada.

Não sei como tal foi acontecer, mas desconfio do meu tio Alberto. Ele é assim um pouco brincalhão e pode ter-me metido o peru no bolso enquanto eu ajudava a minha avó a... embebedar-se. Enfim, tradições familiares.

 

Decidi não mexer mais nos bolsos, pelo menos por enquanto. É que tem andado a desaparecer uns aviões e uns dinheiros públicos um pouco por todo o Mundo e não me apetece ter de enfrentar a descoberta de que pode estar tudo nos meus bolsos...

É que o meu tio Alberto é mesmo brincalhão!

 

how-clowns-work-orig.jpg Uma foto do meu tio Alberto.

Negócios Outono/Inverno

Tive um Verão muito produtivo, mas agora está na altura de mudar a minha estratégia e continuar a aproveitar-me das estações para obter rendimento.

 

Como sempre, tudo o que faço é para contribuir para o bem-estar geral e sempre com um grande espírito empreendedor. Por isso venho anunciar a minha nova linha de serviços Outono/Inverno.

A começar já hoje, podem encontrar-me a deambular pelas ruas da cidade para servir todas as vossas necessidades. Quer dizer, quase todas, porque isto dito assim parece que vou estar envolvido na prostituição, e eu não enveredo por esses caminhos. A menos que a oferta agrade e aí podia discutir-se essa possibilidade, mas é assunto para outra altura.

 

O que se vai mesmo passar é que eu vou estar a servir de pronto socorro para todas as vossas necessidades sazonais. Basta registarem-se na minha aplicação e requisitarem a minha presença sempre que algo vos aflija e eu aparecerei qual Super-homem; muito menos em forma, mas de certeza mais bem vestido.

 

Então em que consiste o reportório de serviços que vou prestar? Estou preparado para todas as condicionantes da época. Se saíram de casa e ignoraram aquele pensamento que tomava a voz da vossa mãe a dizer para levarem um agasalho porque ia fazer frio, apesar de na altura estar sol, eu apareço com um casaquinho para vos cobrir esse precioso corpinho. Casacos, fatos de água, mantas, cachecóis, luvas, gorros… Seja o que for que necessitem na altura para sobreviver nesta época.

Mas não é só! Os meus serviços são muito completos e vou andar pelas ruas sempre a zelar pelo vosso bem. Pacotes de lenços e medicamentos anti gripais vão ser por mim distribuídos como se vos estivesse a tentar vender droga. Claro que a minha zelação não é propriamente altruísta, é a troco de compensação financeira. Mas se me quiserem pagar em castanhas, também aceito.

 

E claro, o expoente máximo do meu negócio: o serviço de reparação de guarda-chuvas. Como se fosse um reboque que chamariam caso vos gripasse o motor do carro, eu vou tratar de arranjar os vossos guarda-chuvas no local. Um serviço que mais ninguém presta neste país, inovador e que só peca por tardio. Sempre que o vento vitimar o vosso guardião, sempre que as suas varas se partirem, sempre que se recusar a abrir ou que tenha algum buraco, eu apareço com o meu kit de reparação e resolvo o vosso problema. Varas extra, novas pegas, remendos, protecção anti vento, uma nova cobertura, tudo o que precisarem para melhorar ou reparar o vosso guarda-chuva e não terem problemas em chegar ao destino com a cabeça seca e um nível de conforto aceitável. Só não lhe chamem é de chapéu, porque senão eu vou ser obrigado a aparafusá-lo permanentemente na vossa cabeça; por aquilo que sei, é assim que se usam chapéus: na cabeça. Não presos num pau que seguram acima de vocês. Portanto, chapéu é na cabeça e se estiver preso num pau não é um chapéu. A menos que estejam numa situação de combate e pendurem o chapéu num pau para enganar o sniper adversário.

 

Já agora, numa promoção especial de lançamento os primeiros cem clientes recebem ainda uma vacina da gripe por conta da casa. Da vossa casa. Que isto do negócio não está muito favorável e eu preciso de um sítio para ficar…