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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em finos.

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em finos.

O vendedor de carros que era mau a matemática.

No outro dia - não interessa agora qual - chateei-me com um vendedor de carros. A minha Clotilde (sim, porque o meu carro sempre se identificou como fêmea, e vocês não têm nada com isso) foi-se abaixo de vez, após muitos anos de luta. Não de viagem, mesmo de luta, porque sempre que eu ia sair à noite e levava o carro, ela apanhava por tabela de dois bêbados que se encostavam a ela enquanto andavam à frouxa pancada.

Enfim, lá se foi a Clotilde e lá tive de ir eu a um stand comprar um automóvel novo. Chegado ao estaminé, o tipo faz-me uma verdadeira visita guiada por cada um dos animais de estimação metálicos. Como sou um rapaz que pensa sempre no futuro, e julgo que um dia vou ter a sorte de arranjar uma parceira e filhos que me aturem, como a Clotilde fazia, pedi-lhe para ver modelos de carros de cinco lugares.

E isso foi o que lhe pedi, mas a resposta dele foi levar-me a uma zona onde, dizia ele, havia todo o tipo de "carros de cinco portas". Ora, eu, que já vejo mal mas ainda não sou cego, rebati logo que aquilo eram carros de quatro portas, e não cinco, e que achava mal que ele estivesse ali a tentar vender-me uma porta a mais só para tentar angariar mais uns trocos. O indivíduo lá rebateu que aquilo eram cinco portas, sim, que o porta-bagagens era considerado uma porta, e tal... E eu disse-lhe: "Então entre lá no carro pelo porta-bagagens, que eu quero ver!". Ele bem que se meteu lá dentro e tentou passar por cima dos bancos, mas não conseguiu. Por isso, tirou as almofadas do banco de trás, expondo as pequenas estacas, e acabou por morrer empalado.

Eu, claro, acabei por não levar o carro, ainda por cima com manchas de sangue no banco de trás... Mas fiquei satisfeito, porque, a partir desse dia, nunca mais naquele stand se disse "cinco portas".

Que isto seja uma lição para todos.

Não há gente como a gente - O Terceiro

Depois de uma pausa forçada, estamos de volta. Melhores que nunca, discutindo realidades paralelas, novas teorias para a morte, modelos de negócio inovadores e acontecimentos marcantes envolvendo vizinhos. Pelo meio, ainda explicamos o congestionamento do universo. Como não querer ouvir?

 

 

O Terceiro

O acordar numa pele diferente, as vidas paralelas, os Ubers para a badalhoquice.

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Podcast criado e falado por Diogo Ourique e Vasco Barcelos.

Música de Myrica Faya.

 

O epíteto da liberdade.

Toda a gente fala nos saltos de avião como se fossem o exemplo mais acabado de liberdade que podemos experienciar, ou o expoente máximo da adrenalina.

 

Com pára-quedas, atenção.

 

Mas ninguém fala do pobre coitado do profissional que nos acompanha nos saltos, e que provavelmente faz aquilo várias vezes ao dia, mais de trezentas vezes por ano. Será que aquilo que um ser humano comum encara como a experiência mais libertadora do mundo é, para esse super-herói sem capa, o normal? Será que já virou rotina?

Poderá ser que o que faz essa pessoa sentir um formigueiro na barriga é sentar-se em casa a ver televisão no fim do dia? Fazer festas ao gato? Beber um bom copo de vinho e masturbar-se antes de adormecer?

Será isso, para essa tal pessoa, o epíteto da liberdade?

Não há gente como a gente - O Segundo

Com um pequeno atraso na divulgação devido a motivos, aqui fica o segundo episódio de Não Há Gente Como a Gente.

 

 

O Segundo

Interpretação de sonhos, malucos no hospício, cegos e cães-guia no ginásio e o duche dos deficientes.

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Podcast criado e falado por Diogo Ourique e Vasco Barcelos.

Música de Myrica Faya.

 

O retorno: Diogo Ourique e Vasco Barcelos - Não Há Gente Como a Gente.

Vamos por partes (mas se quiserem já saber o que interessa - temos um podcast, vão para o fim do post):

 

O retorno - chamem-nos zombies, fénix, ou, até, fénix zombies, mas estamos de volta. Podia dizer que tínhamos renascido das cinzas, ou que estávamos sedentos ou esfaimados de sangue e escrita, mas não. Na realidade, melhor e mais acertada analogia é um urso. Hibernámos. Bastante. Mesmo bastante. Acordámos, mas, como em qualquer boa hibernação, a preguiça ainda era muita, então continuámos aninhadinhos. A certa altura começou a tornar-se desconfortável, dores no corpo, já não tínhamos posição. Sendo assim, como tudo o que é bom tem de acabar (dizem-me, eu discordo, mas isto agora não interessa), estamos de volta. Com um bocadinho de fome, ainda ensonados, enferrujados, cabeludos, cheios de remelas e trapalhões. Lá está, nada de novo, somos uns ursos.

Portanto, vamos reinserir-nos neste mundo, mas com calma, que isto do sol incomoda os olhos. Principalmente a mim, que deixei uns três textos por acabar, mas será tudo resolvido.

Outro efeito desta hibernação é que temos muito a dizer. Imenso. Ou não. Isso nunca interessou, não seria agora que ia passar a contar.

 

Agora a novidade: a acompanhar este regresso vem um novo projecto. Decidimos criar um podcast e partilhar/mostrar a todos os graves problemas que temos. É de humor, claro. "Não há gente como a gente" é o nome e o primeiro episódio já está disponível. Podem ouvi-lo aqui, fazer download directamente, subscrever no iTunes ou na grande maioria das outras apps de podcasts. Também estamos no YouTube. Oiçam, comentem, subscrevam. Ou não, que eu não mando em ninguém, mas estejam à vontade e sintam-se encorajados para o fazerem.

 

 

O Primeiro

Apresentação, pica-paus, omeletes gigantes e ovo-lacto psicopatas.

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A minha experiência com um Danoninho.

Uma das minhas comidas-fetiche, em miúdo, era o Danoninho. Essa pequena espécie de iogurte um bocado amaricado era, para mim, uma utopia.

Isto porque, apesar de o ver todos os dias na televisão, em anúncios que estrelavam uma espécie de dinossauro muito estranho e crianças demasiado contentes em relação a um bocado de leite fermentado, raramente o consumia. É que os meus pais, pessoas espertas, preferiam comprar iogurtes decentes, mais grandotes, que realmente alimentassem uma pessoa. Principalmente uma mini-pessoa, ainda em crescimento. Se quem consumia Danoninho tinha "um bocadinho assim", eu tinha "um bocadão assado". E não falo da minha pila...

Além disso, o preço daquelas coisas é uma coisinha parva. Sei-o agora porque, aqui há dias, já adulto (mais ou menos, vá), comprei uma pequena caixinha daquelas coisas, para vingar os sonhos de criança que raramente cheguei a realizar. Pensei que o custo alto do produto podia ser fundamentado, que se calhar aquele era realmente o melhor conjunto de bactérias bolorentas que existe e que eu simplesmente já não me lembrava.

Fiz de tudo: comi directamente do frasquinho cor-de-rosa, meti em cereais, molhei produtos vários e até fiz gelados com aquilo, como mostravam na televisão nos meus tempos de maior impressionabilidade. Tudo para aproveitar o produto até ao último tostão que este custou.

Como tem acontecido bastantes vezes ao longo da vida, tive de dar novamente razão aos meus pais: há coisas que valem mais a pena comprar, como mordaças e chibatas.

 

Eles nunca me falaram nessas duas coisas em específico, mas eu percebi que era isso que eles queriam dizer.

A ver se isto ainda trabalha.

Cá está, mais um daqueles hiatos giros como só nós sabemos fazer... O que até dá muito jeito, porque, em termos de sustentabilidade de um blogue, é mesmo isto que se quer, não é? Meses e meses de pausa?

Pronto, não é, sejam do contra, então.

 

Olá, de novo.

E até já. (Prometemos).