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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em finos.

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em finos.

O epíteto da liberdade.

Toda a gente fala nos saltos de avião como se fossem o exemplo mais acabado de liberdade que podemos experienciar, ou o expoente máximo da adrenalina.

 

Com pára-quedas, atenção.

 

Mas ninguém fala do pobre coitado do profissional que nos acompanha nos saltos, e que provavelmente faz aquilo várias vezes ao dia, mais de trezentas vezes por ano. Será que aquilo que um ser humano comum encara como a experiência mais libertadora do mundo é, para esse super-herói sem capa, o normal? Será que já virou rotina?

Poderá ser que o que faz essa pessoa sentir um formigueiro na barriga é sentar-se em casa a ver televisão no fim do dia? Fazer festas ao gato? Beber um bom copo de vinho e masturbar-se antes de adormecer?

Será isso, para essa tal pessoa, o epíteto da liberdade?

Clap'em-se, pá!

"Bravo! Bravo! Sim senhor, muito bem!

Grande técnica, meu Deus! Quem tem umas mãozinhas dessas não precisa de mais nada!

 

Pronto, obrigado e até à próxima, então."

 

E, a seguir, saímos do avião.

 

Porque é que ainda fazemos isto, gente? Bater palmas sempre que aterramos?

Sim, eu sei... Não deixa de ser uma tecnologia fantástica, colocar um monte de metal a voar, mas dificilmente constituirá uma novidade. É uma tecnologia que já existe há algum tempo, vá.

 

Porque é que já ninguém bate palmas ao capitão do barco quando atraca? Ou ao maquinista, quando chega à última paragem do trajecto? Ou mesmo a mim, quando vos dou boleia para qualquer sítio?

 

SadBilly.jpgUma pessoa começa a questionar-se se vale realmente a pena...

 

Eu explico: já não fazem isso porque, não deixando de ser uma tecnologia fantástica (excepto o meu carro, que é do séc. XIII), também já não é novidade. E deixa de fazer sentido bater palmas.

 

Mas vá, percebo que ainda batam palmas nos aviões se forem uma pessoa que tem muito medo de voar.

Estarão, portanto, a bater palmas ao piloto por vos ter salvo a vida e até a bater palmas a vós próprios por não vos ter dado um fanico a meio da viagem. É perceptível.

Mas se voar já não vos causa um friozinho na barriga e se passam bem uma viagem inteira a dormir, então deixem-se disso. Fica-vos mal.

 

Pronto.

Até à próxima e obrigado por ter voado connosco.