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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em finos.

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em finos.

Manter a vida em águas de bacalhau.

Um dos trabalhos escolares de que mais viva memória tenho diz respeito à disciplina de Filosofia. Era um debate encenado, daqueles em que os alunos devem encontrar pontos de vista filosóficos válidos de ambos os lados e defender um determinado ponto de vista. Neste caso, era a própria professora que decidia quem ia defender o quê.

O tema era a eutanásia. Eu rezei para que ela não me pusesse no papel de alguém que fosse contra a eutanásia, porque, do alto dos meus 14 anos, inteligente e maduro como ninguém (ironia básica), já desconfiava que ia ter o meu trabalho dificultado. E, como bom preguiçoso que sou, prefiro fazer sempre o trabalho mais fácil.

Porque, já naquela altura, tinha a noção de que seria bastante difícil para mim defender argumentos contra a eutanásia. Na minha mente, era como ser contra uma pessoa que se vê num beco sem saída e ainda lhe fechar a luz, apesar dos gritos de socorro. Era contra-natura, para mim. Não fazia sentido.

Ontem, o meu país (ou uns quantos "representantes", vá) quis dizer-me uma coisa que muita gente já me disse ao longo da vida: que eu, se calhar, não tenho razão. Mas eu, desta vez, e mais do que de nas outras vezes, continuo a achar que, se calhar, não é bem assim... Desta vez, país, vou ter de discordar. Tu é que não estiveste bem, puto.

Mas é na boa, o pessoal perdoa. Pelo menos até te veres numa situação em que anseias desesperadamente pelo alívio da morte. Aí, país, passarás a estar por tua conta.

 

 

P.S.: E em relação ao debate? Tive sorte. Acabei por poder defender aquilo que, para mim, fazia mais sentido. E, nessa noite, deitei-me de consciência tranquila. E tu, país? Dormiste bem hoje?