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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em finos.

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em finos.

Fui atingido por um "você".

Tenho 25 anos e acabei de ser tratado por você.

E não foi pela funcionária do banco, ou por um polícia na rua. Foi por um colega de trabalho.

 

Já cheguei a uma fase da vida em que os colegas de trabalho infimamente mais novos (ou então sou eu que pareço muito mais velho) me tratam por você. A mim, que saí do mundo das fraldas há pouco tempo e ainda não dei o devido uso a uma lâmina de barbear!

 

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Apresento-vos ao Esteves, o meu pêlo de estimação.

 

E eu não quero isto – o você – na minha vida, pelo amor de Deus…

Não quero que ninguém me trate por você, aliás! “Tu” tem duas letras, é mais simples. “Você” tem quatro e um acento. É demasiada burocracia no tratamento interpessoal.

Chamem-me tu, chamem-me pá, chamem-me “ó palhaço!”, que eu aceito tudo. Só não me chamem você.

 

Estamos entendidos?

Então vá. Adeus, seus palhaços.

Mini-contos (#08)

João Aurélio nunca tinha pensado em si mesmo como um assassino.

Mas agora, com a faca ensanguentada nas mãos e as vísceras da mulher junto dos pés, ia ter de reconsiderar.

Afinal, quem mais podia ter feito aquilo?

O pior de se ter um filho.

Pessoal dos bebés, e tal: eu percebo o entusiasmo, a sério que sim; mas a vossa criatura só tem meses até ao 12º. A partir do 13º, já passa a ter anos.

É escusado termos de ter uma calculadora à mão sempre que queremos falar convosco.

312 meses não existe. O vosso filho já tem 26 anos, pá.

 

Não tentem forjar fofura.

Obrigado.

A arte de bem limpar o rabo.

Limpar o rabo é uma arte. Penso que disso não há qualquer dúvida.

Todos o fazemos, é certo, mas nem todos o fazemos bem. E não, não andei a averiguar nos rabos das outras pessoas, é apenas algo que se sabe, tal como o facto de alguns macacos terem piolhos. Já viram algum macaco com piolhos com os vossos próprios olhos? Não, claro, mas é óbvio que, com tanto cabelo, têm de ter.

Pois, funciona da mesma forma com o limpar o rabo.

 

Ora, eu - não me querendo gabar em demasia, porque isto não pode ser só auto-bajulação -, ao longo dos anos, desenvolvi uma capacidade que considero ser até um super-poder (lá está, nada de auto-bajulação).

É o seguinte: sempre que necessário, sei levar comigo a quantidade exacta de papel higiénico para limpar o rabo.

 

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Sou o Super-Cag... Enfim, sou super, vá.

 

"E porque levas tu rolo de papel higiénico para a casa-de-banho, Diogo?", perguntam vocês parvamente.

Porque partilho casa com outras pessoas que me são menos próximas, e porque sou fuinha. Ah, e porque não quero que saibam que uso papel perfumado para ficar com o rabinho a cheirar a rosas.

 

Sim, é verdade! Nunca me aconteceu ficar literalmente de calças na mão à procura de papel higiénico.

Quando a necessidade bate, a maior parte das pessoas tira o primeiro rolo que estiver à mão e nem repara se tem papel suficiente para satisfazer as próprias necessidades. Eu não. Eu gosto de tirar tempo para analisar os quadradinhos de que determinado rolo dispõe e ver se são precisos mais alguns, até em função do que comi algum tempo antes.

Chega até a ser divertido, se a vontade não for em demasia.

 

O resultado, além de um rabo completamente limpo, é pura satisfação. Satisfação e orgulho em mim próprio.

Que é o que é preciso na vida, além de um bom trânsito intestinal e de papel de folha dupla.

Cegueira, surdez e mudez.

Porque é que, na expressão "cego, surdo e mudo", o cego é sempre o primeiro, seguido do surdo e só depois do mudo? Porque é que não variam entre eles?

 

Sim, senhoras e senhores, hoje vamos falar de questões fracturantes. Contrariar o cânone, desmontar o mito, negar o conformismo que vem com o ditado popular.

E, no fundo, ser uma espécie de putos irritantes que acham que têm sempre razão.

O costume, portanto.

 

Ora, digam-me lá: faz algum sentido ser sempre o cego a liderar um grupo, seja ele qual for?

Já viram o que seria ter um cego a liderar um grupo de escuteiros, uma excursão de turistas ou mesmo uma procissão? Os santos e as tíbias que não se estilhaçavam pela ravina abaixo?

 

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 "Aqui jaz o Santo Amaro, vítima de procissão em terra de cegos."

 

A questão fulcral é: será, de todo, seguro o cego ir à frente de um grupo?

A resposta só é sim caso esse grupo seja constituído exclusivamente por cegos, não sendo, portanto, muito relevante escolher quem vai à frente.

 

Em qualquer outra situação, é preferível darem uma oportunidade ao surdo e ao mudo.

Ya, tipo, ser jovem podia ser mais fixe.

A parte mais difícil de se ser jovem é o que (ainda) pensam da juventude.

Os jovens são condenados por serem jovens. Se são jovens, não merecem ser mais nada do que jovens.

Não são levados a sério como profissionais, como potenciais parceiros, como agentes sociais. Porquê? Porque são jovens. E, por conseguinte, não poderão ser nada mais do que isso.

 

Eu próprio ainda sou jovem e, sinceramente, sinto-me mal por ser jovem. Parece que estou a incorrer numa qualquer infracção, tal é a condenação imediata e implícita a que estou permanentemente sujeito.

Vou passar a dizer às pessoas que sou um indivíduo de meia-idade, a ver se me levam mais a sério. Embora digam que a meia-idade seja a altura da crise de identidade… E a velhice também não abona muito a favor de ninguém em termos de consideração social.

 

Raios! Mas há alguma idade que eu possa ter sem que ninguém me chateie?!