Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Um ou dois livros por mês, só fazia bem a vocês (#05)

Estive de férias e decidi viajar. Não o costumo fazer muitas vezes, por não me ser possível, mas desta vez aventurei-me.

Fui, então, passar uns dias a Jerusalém.

 

Como nem pesquisei nada sobre a cidade de antemão, não sabia o que haveria de fazer ou ver, tirando o óbvio. Como sempre preferi guias turísticos em papel, arranjei um no aeroporto. Comprei o "Jerusalém" de Gonçalo M. Tavares. 

 

 

Para começar, só tenho a dizer que foi uma péssima decisão. Vagueei pela cidade à procura do Hospício Georg Rosenberg, de uma igreja que correspondesse à que aparecia no livro, fui à biblioteca tentar ler a obra de  Theodor Busbeck... Nada! Nada do que estava neste guia podia ser encontrado; até parece que nem existiam. Como guia turístico, é dos piores que já vi.

 

Como não tinha ideia do que fazer durante a minha estadia, já que não se aproveitava nada do guia, sentei-me à sombra a ler o livro. Como guia pode não prestar, mas como o romance que é, aí o caso é outro. 

Foi o primeiro livro que li do autor e gostei da escrita de Gonçalo M. Tavares. Cativante e envolvente, lê-se de uma assentada. Depois é que vem a reflexão, e, aí, ainda não cheguei a nenhuma conclusão. Talvez não seja para mim. Talvez seja. Não sei. Já passou um mês desde que terminei esta leitura e ainda não sei o que achei do livro. 

Uma mulher, um assassino, um médico, um menino, uma prostituta e um louco. E uma noite.

 

Não sei bem o que dizer; ao mesmo tempo que não me tirou a vontade de ler outros livros do autor, também não me fez sentir a necessidade de os procurar.

Em teoria, tem tudo para que me agrade. Personagens interessantes, bem vincadas, se bem que demasiado literárias, por vezes. As personagens são aquilo que são à partida e parecem esculpidas para aquele propósito e mais nenhum. Há uma história a seguir, uma noite, em que todas as personagens acabam por se cruzar e influenciar umas às outras. Ao mesmo tempo, não se passa nada. Aquela noite é simples e fácil de seguir, não contém muitas surpresas. É verdade que não é esse o objectivo, e por isso digo que em teoria tinha tudo para que gostasse.

As estranhas personagens, os estranhos acontecimentos, o mundo próprio que habitam, o sem sentido de tudo, as divagações pelo passado e vida dos que habitam as páginas de "Jerusalém", as implicações filosóficas, a procura de Deus como base para a sanidade, a ciência em contraste com irracional, a loucura e a razão, o horror e suas consequências, uma enciclopédia do Mal, a desgraça constante e o inevitável de toda a violência e maldade.

 

Sim, tudo para gostar. Para adorar mesmo. E se calhar gostei bastante, mas ainda não sei. Racionalizando todo o livro, tudo o que apresenta, aprecio-o e gostei. Mas, o sentimento que deixou quando o acabei, a emoção que fica ao pensar nele sem o analisar, o prazer que tive ao lê-lo... foi-me indiferente. 

 

Se eu me esquecer de ti, Jerusalém, que seque a minha mão direita.

6 comentários

Comentar post