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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

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Tema do Dia - Super Poderes (#01)

Numa altura em que está, novamente, toda a gente obcecada com o super homem, o batman e outros que tais, está na altura de este blogue se juntar a este género de discussão com um tema clássico e já discutido por todos: Super poderes.

 

Ora, então que super poder gostava eu de ter? 

Para começar, há que notar que eu não teria interesse nenhum em usar os meus poderes para o bem ou algo que não me beneficiasse. Não tenho nenhuma vontade de ser super herói ou algo que o valha, toda aquela conversa de responsabilidades e deveres... nah. Só me iria trazer chatices, já vi os filmes. Além disso, gosto muito da minha família e estão todos vivos, portanto não possuo aquela aura trágica que acompanha todos os que se dedicam a essa actividade de benfeitores. No fundo, sou um bocado egoísta com isto, não vou enganar ninguém, e preguiçoso. Bastante. E aí é que está a minha principal motivação. 

 

Portanto, a ter um super poder, eu escolhia controlar a sujidade. Eliminar e/ou controlar. Sim, a sujidade. Todo o esterco existente, todo o pó... tudo o que considerasse "sujidade" e me quisesse livrar, podia controlar só com a mente. Pode não parecer, mas faz sentido. Para mim. E isso é que me interessa, e não o que vocês pensam. 

Eu nunca mais teria que limpar a casa! Nunca. Bastava fazer desaparecer toda a sujidade. Todo o pó a voar pelas minhas janelas fora, toda a sujidade a ser sugada da minha loiça e roupa, nunca esfregaria uma sanita. Só aqui eliminava cerca de 73% das tarefas que tenho que fazer - eu e toda a gente, para deixar um espaço minimamente habitável -, poupava imenso tempo, que podia aproveitar para não fazer nada. Sim, não ia usar esse tempo para algo produtivo, já tinha estabelecido que a preguiça era uma das minhas maiores qualidades; há que ser positivo e gosto de a encarar como tal. 

 

Era só isto, então, que retirava dos meus super poderes? Não. Mas, se fosse, já ficava bem satisfeito. Ter poderes que me facilitassem o trabalho e me permitissem desfrutar de todo o esplendor da minha preguiça, para além da satisfação de trabalho cumprido, era mais que suficiente. Mas pensem comigo: como podia utilizar mais este meu poder para beneficio próprio, sem ter de colocar outros em risco? Posso não ter interesse nenhum em ser um herói e receber atenção, mas não tenho a força de vontade e comprometimento necessário para ser um vilão também - mais uma vez: preguiça. A principal motivação.

Bem, criava um negócio. Vejam, ia ser a melhor empresa de limpezas de todo o mundo. Não ia ter muitos custos associados, porque apenas eu seria o essencial. Não me exigia esforço nenhum, porque com os meus poderes, cada trabalho levava segundos a ser concluído e a estar melhor que nunca. Emprego garantido, ia conseguir os melhores contratos com as maiores corporações, limpeza instantânea e perfeita. Riqueza sem igual e sem trabalho nenhum. E tudo derivado de um poder "estúpido". E sem esforço. Não podia ser melhor que isto.

 

Sim, se eu quisesse experimentar a vida de herói, também podia, caso me fartasse de ter muito dinheiro e tempo livre e tudo o que queria. Controlando toda a sujidade do meio e atirando-a à cara dos malfeitores ou usá-la para minha protecção e como arma de ataque. Ninguém consegue levar a cabo um assalto quando não pára de espirrar devido a todo o pó que lhe vai dando na cara, ou, então, ninguém consegue concluir um homicídio quando 80 quilos de um tsunami de esterco lhe varre da cena do crime. 

 

Não quero é enganar ninguém, portanto, este último parágrafo sobre usar os poderes para ser um herói não passa de uma piada. Nunca iria por aí. Nenhuma vontade disso. Agora, o resto é tudo verdade. Porque... preguiça. Muita. Muita preguiça.