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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

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Os malefícios dos benefícios

Há pouco tempo deparei-me com mais um artigo dentro dos milhares que existem sobre os benefícios da cerveja. Ora, eu como grande apreciador desta "águinha de nosso senhor" não preciso de saber os benefícios ou as suas vantagens para a beber. Mas já agora fui ver. E sim senhor, tudo muito bem. Agora, o que ninguém fala é dos malefícios de alguns destes benefícios, ou as falhas de alguns destes benefícios. 

 

 

Vejamos:

  • Minerais fortalecem os ossos

         Sim, sim, os minerais presentes na cerveja fortalecem os ossos. Muito bem. Mas há que ver que se beberem muita cerveja a probabilidade de uma queda é maior. Muito maior. Imaginem que estão num bar a emborcar litros de cerveja; quando vão a descer as escadas para se irem embora trocam os pés e só param quando derem com a cabeça na calçada da rua, um braço a apontar para o lado errado, como se fosses uma suástica humana, e e um joelho a tocar na nuca. Portanto, não se fiem nesta técnica de fortalecer os ossos, porque o mais provável é acabarem com eles desfeitos.

  • Protecção do coração

        Consumo moderado de cerveja é benéfico para o coração. Mas será que é mesmo? É que depois de beber umas cervejinhas, finalmente se arranja a coragem para partilhar todos os sentimentos que nutrimos por aquela pessoa especial. Vamos à chuva até casa dela, com o coração protegido pela cerveja, e confessamos tudo. Todo o amor que sentimos sai-nos pelos poros só para depois repararmos na sua cara incrédula, no suor que lhe abunda o corpo seminu e o parceiro bem dotado que se pavoneia por trás dela. Embaraçada mas um pouco divertida, ela diz-te que não sente nada por ti, mas que estima muito a tua amizade. Vais para casa desolado, de coração partido e sem nenhuma esperança de futuro. 

  • Protecção pós-enfarte

        Esta está relacionada com a anterior. Agora que estão com o coração desfeito, é o mesmo que terem sofrido um enfarte. Portanto, voltam a recorrer à cerveja para ver se recuperam. Como já se viu, em termos de protecção deixa a desejar e aqui não é excepção. A solidão instala-se e cais numa espiral de destruição. Todos os dias é um tal virar cerveja atrás de cerveja, sempre em busca da recuperação. No entanto, o que acontece, é que nunca chegas a recuperar e te transformas num alcoólico. Três meses depois estás a prostituir-te num qualquer bairro problemático em troca de mais uma dose de heroína, tudo para tentar reparar o coração que a cerveja era suposto proteger.

  • Fonte de bom colesterol

       A cerveja em si até pode ser uma fonte de bom colesterol, se bem que tratando-se de fontes, prefiro-as com água. Ou cerveja mesmo. Além disso, vou beber uma cervejinha, vou petiscando um amendoim, um tremoço e de repente estou que nem alarve a lamber os dedos depois de ter sorvido um ou dois hamburgers, meio quilo de batatas fritas e a tentar despachar-me porque um dos meus amigos conhece um gajo que nos vai servir leitão assado a esta hora. No final desta empreitada, bem que bebi cerveja, mas a nível de colesterol a coisa não está nada famosa.

  • Mais nutritiva que outras bebidas alcoólicas

     A querer perder algum peso, mas sem querer cortar nas necessidades nutricionais nem abdicar do prazer de beber cerveja, embarco numa dieta de consumo exclusivo desta bebida. Já que é assim tão nutritiva. Pois claro que a única coisa que me traz é o vício do alcoolismo e o problema acrescido de uma anorexia. 

  • Activa o funcionamento dos rins

    Portanto, estão a noite toda no bar constantemente a receber cervejas de graça. Já topaste o moço ou a moça que tos anda a mandar, mas ainda ninguém veio falar contigo. Claro que com tanto funcionamento de rins, dás por ti a ir incontáveis vezes para a casa de banho. Numa dessas vezes acabas por ir sozinho, já que só te estão a pagar bebida a ti e ninguém está aflito como tu. A última coisa que te lembras é de veres a pessoa que te estava a mandar cerveja atrás de cerveja a entrar na casa de banho com um sorriso maroto e um olhar voraz. Quando voltas a ti, apercebes-te que estás nu numa banheira cheia de gelo e que estás com 3,2% de défice; ou seja lá que percentagem for que um rim ocupa no teu corpo. Pois claro, aquele estranho misterioso só te estava a cuidar dos rins para depois se aproveitar deles e garantir o seu bom funcionamento.

  • Reforça o sistema imunitário

     Ao lado da banheira que acabaste de acordar com menos um rim, está uma caixa de cerveja. Imediatamente te recordas que a cerveja reforça o sistema imunitário e não hesitas em mamar metade da caixa e despejar sobre a tua ferida a outra metade. Quando contavas com um boost do teu sistema imunitário proporcionado pela mágica da cerveja, acabaste só por te embebedar e infectar aquela merda toda. Além de que perdeste tempo para ligar à emergência médica e acabas por te afogar no gelo derretido enquanto tentas curar a ressaca. 

  • Melhor ressaca

     É a melhor ressaca comparado com quê? Certamente é melhor estar a ressacar da cerveja do que o corpo a ressacar de um rim, suponho. Mas, pessoalmente, prefiro a ressaca de sumo de romã.

  • Aumenta a confiança

      E desde quando é que isto é uma coisa boa? Ficar com a confiança nos píncaros é sinal que só vais estragar tudo. O teres muita confiança é o que te permite apostares com os teus amigos que consegues deitar abaixo a parede do bar só com uma cabeçada. E como já demonstrei no inicio, os teus ossos não estão assim tão protegidos pela cerveja como pensas. O único resultado do teu excesso de confiança é uma cabeça partida e uma conta bancária mais pobre. Pronto, a alegria provocada aos amigos conta como ponto positivo.

Também foi por causa deste aumento de confiança que te partiram o coração e que foste despedido por seres um incompetente alcoólico, que disse que conseguia acabar aquele enorme projecto de milhões sozinho e dentro do prazo e acabaste por estragar tudo. 

Com tanta confiança que sentias, decidiste ir para o meio da pista dançar. O que se seguiu foi tão horrível que o teu próprio grupo de amigos decidiu partir-te as pernas para assegurar que aquilo nunca mais acontecia.

  • Diminui o risco de diabetes tipo 2

     E em relação ao tipo 1? Pois, não faz nada, incompetente. Além de que após ter comido hamburgers e batatas fritas e o tal leitão, ainda mamei uns 2 quilos de gelado, cerca de 140 bolachas e meio bolo de casamento. Até que ponto é que o meu risco de diabetes tipo 2 vais estar diminuído? É porque só fiz isto tudo por estar inebriado devido a tanta cerveja. Penso que demonstrei, claramente, que tem é o efeito oposto.

  • A cerveja é menos calórica do que um sumo de laranja

     E depois? A cerveja também é menos calórica que uma refeição completa e equilibrada, mas isso não quer dizer que ganha esta ronda. Aliás, já vimos o que acontece se se optar por uma dieta só de cerveja. É o mesmo que me dizerem que um T0 é mais pequeno que uma mansão. Sim senhor, tem as suas vantagens, mas eu tenho uma família de nove...

  • Aumenta a criatividade

      E, claro, a cerveja aumenta a criatividade. Até aqui não há problema nenhum, o que sucede é que não há nenhuma consequência prática deste aumento. Acabei de beber uma enorme de quantidade de cerveja, estou mais criativo que o Salvador Dalí sob o efeito de ácido, mas também estou todo bêbedo. E não encontro o meu caderno, não me lembro da password do computador, não sei onde pus as minhas tintas. A criatividade transborda de mim, mas o que crio não corresponde, nem de longe, àquilo que imagino. A dor só aumenta quando me passa a excelente ressaca e sei que tive ideias fantásticas, que a minha criatividade atingiu níveis históricos, mas que não me lembro de nada. E ia ser a melhor criação que este mundo já viu. Mas não me lembro. Além disso, tenho mais com que me preocupar. Estou com metade dos ossos partidos, falta-me um rim, estou a sofrer por amor e a precisar comer, mesmo que ainda me sinta enfartado...

 

 

E pronto, era isto. Só para terem as coisas em atenção e alguma perspectiva. Há sempre que considerar os malefícios que nos trazem os benefícios, não nos podemos fiar neles à maluca. E agora vou, que esta cerveja não se bebe sozinha.

 

Artimanha de Strepcox

Enquanto estava a fazer pesquisa numa biblioteca muito antiga, como parte de um game show em que estou a participar, deparei-me com vários documentos a relatar as verdadeiras origens de certas coisas que assumimos saber, apenas para estarmos totalmente errados. Pequenas curiosidades e momentos associados a alguma descoberta ou conhecimentos perdidos. Reproduzo aqui um deles, sobre a verdadeira origem de algo muito conhecido e de um procedimento perdido na história.

 

Artimanha de Strepcox

 

Não tão famosa como a manobra de Heimlich, mas praticada por alguns puristas que defendem que Strepcox foi o primeiro a inventar um método para desimpedir as vias respiratórias quando obstruídas por um objecto estranho – para objectos conhecidos Strepcox recorria a outro método, fazendo uso da familiaridade e pedindo que se desalojassem sozinhos em troca de algum favor futuro.

 

No dia em que Strepcox foi registar a sua ideia, engasgou-se com o caroço de uma maçã e teve de se afastar da fila. Enquanto tossia, um miúdo com apenas nove anos de experiencia e dez de idade correu na sua direcção e deu-lhe um grande abraço pelas costas. A pressão causada pelos sucessivos apertos que o miúdo dava fez com que Strepcox cuspisse o caroço e ficasse fora de perigo. O rapaz pensava que Strepcox era o pai que nunca tinha conhecido e quando o viu desatou a correr para o abraçar.

Ao mesmo tempo que a mãe desculpava a atitude do filho, explicando a situação (que acontecia, em média, sete vezes por dia), o funcionário no balcão de registos, Henry Heimlich (na altura frequentava o curso de medicina, mas, tendo apanhado uma grande bebedeira na noite anterior e que ainda não tinha passado completamente, havia entrado no gabinete de registos e começado a atender pessoas que se encontravam à espera. Quando deu pelo erro tentou ir embora, mas o gerente disse que agora só o podia dispensar depois do almoço.), aproveitando a distracção, escrevinhou as regras para um procedimento ao qual chamou de "Manobra de Heimlich" e registou-o na hora, roubando assim todo o protagonismo que Strepcox esperaria para si mesmo.

 

A quem possa interessar: A artimanha de Strepcox consiste em sempre que vir alguém com as vias respiratórias impedidas por algum objecto, deve correr na sua direcção com o braço esquerdo levantado e o punho fechado, com excepção do dedo mindinho que deve permanecer esticado, ao mesmo tempo que roda o pulso e faz algum barulho que se assemelhe a uma sirene. Ao chegar junto ao individuo necessitado de ajuda deve começar com movimentos de dança tradicional irlandesa à medida que dá três voltas em redor da pessoa, finalizando com uma biqueirada no meio das pernas e três valentes murros na “boca do estômago”.

Com uma taxa de sucesso de cerca de 37,89%, tem a vantagem de fornecer uma dor alternativa para a pessoa se concentrar quando já não estiver a sufocar, bem como entretenimento e distracção para acalmar os nervos de quem está a assitir.