Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

A coisa mais difícil da minha vida

Vivo no limite, no fio da navalha, à beira do abismo.  

 

Sou uma pessoa aventureira, preciso adrenalina, requeiro dopamina, sou viciado em cafeína, mas não me meto na metanfetamina, fico-me pela endorfina a dar com um pau.

Corro riscos e não me deixo abater. Vivo a vida ao máximo, um dia de cada vez, nunca estou de pé atrás, nem que a vaca tussa. Hakuna Matata, Carpe diem.

Ando de BMX, BTT e skate, tudo ao mesmo tempo. Faço escalada, slide e rappel, de olhos fechados e com uma perna às costas. Surf, kitesurf mas também windsurf, com o mesmo vento com que a minha asa é delta. Passeio de parapente, salto de aviões, desafio avalanches. No paintball sou general.

Ando sem guarda-chuva, com roupa por engomar, com a camisa por fora das calças. Questiono crenças comuns e populares, julgo livros pela capa e a capa pelos livros, derramo leite e não choro, aconselho-me na noite.

Faço trinta por uma linha, procuro agulhas num palheiro, passo tudo a pente fino, separo o trigo do joio. Não fico a ver navios, atiro-me de cabeça, ponho lanças em África, vou até ao cu de Judas e penteio macacos.

 

Tenho pêlo na venta, ponho as barbas de molho, as mãos à obra e os pontos nos is.

Sou advogado do diabo, coloco as mãos no fogo, ponho o dedo na ferida, as mãos na massa. Arregaço as mangas, parto a loiça toda. Levanto a cabeça, abro os olhos, acerto agulhas e vai tudo a eito. Sou bom de boca, tenho a pulga atrás da orelha, as costas quentes e quebro o gelo.

Vou com a corda toda, vou a fundo, de pé firme, ando na linha, agarro com unhas e dentes, movo montanhas, dou a volta por cima, ponho a bola para a frente e deixo a bola rolar. Vou à luta, deito lenha na fogueira, arrisco a pele, tenho sangue na guelra.

Agarro a vida pelos cornos, grito a plenos pulmões. Tenho a cabeça nas nuvens e os pés bem assentes no chão. Tenho as costas largas e o peito feito, faço das tripas coração.

Lanço os dados, desafio a morte, tenho a faca e o queijo na mão.

 

 Vivo no limite, no fio da navalha, à beira do abismo.  

 

No entanto, não há nada que seja mais difícil, nada que custe mais e me derrote tão facilmente que levantar-me de manhã, sempre que toca o despertador para ir trabalhar. Há coisas mesmo difíceis de fazer.