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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

A redundância do S. Martinho.

Penso que já todos nós conhecemos a lenda de São Martinho.

É uma história muito gira e que pretende mostrar o que de melhor há no ser humano, particularmente a compaixão.

Mas a verdade é que torna-se um bocado redundante no final. Senão, vejamos:

 

Num dia de Outono especialmente frio e chuvoso, um cavaleiro gaulês chamado Martinho viu um mendigo na rua desprotegido e a tremer de frio.

Como queria ajudá-lo e não tinha outros meios, sacou do seu espadão e cortou o seu manto a meio, oferecendo uma das partes ao mendigo.

Depois seguiu novamente o seu caminho, enquanto as nuvens desapareciam no céu e o Sol resplandecente começava a brilhar.

 

Ora, a questão é a seguinte:

Agora que já fazia Sol e bom tempo, a capa servia de pouco a qualquer um deles, não é?

Seria o mesmo que eu oferecer uma maçã ao meu primo e ele herdar um pomar logo a seguir...

 

Mas enfim, fica a intenção.

E as castanhas.

 

cruzeiro-douro-especial-sao-martinho.jpgHmm, castanhas...

Os bolsos dos casacos de Inverno.

Ah, o Inverno... Aquela altura do ano em que ficamos todos mariquinhas e achamos logo que os membros nos vão cair só porque a temperatura desceu alguns graus e julgamos saber o que é viver no Alasca ou o raio que o parta...

 

Bom.

 

O Inverno também é, como todos sabem, a altura em que sacudimos o pó e chupamos a humidade dos casacos pesados e intimidatórios que temos no armário e ostentamo-los na rua como se de lindas mantas persas se tratassem.

E aquilo de que muita gente gosta em relação aos casacos de Inverno é de lhes ir ao bolso (esta é a única ocasião decente para se utilizar esta expressão) e sacar de lá muito dinheirame, pilhas de moedas e rolos de notas que ficaram lá esquecidos porque no fim da estação despimos todos os casacos à pressa para mergulhar de cabeça no modo Verão e ir aprovar o bikini.

 

Pois bem, a verdade é que, comigo, nada disso acontece.

Primeiro, todo e qualquer bikini me fica mal - e eu já experimentei vários estilos, acreditem.

Depois, é raro encontrar qualquer coisa que se pareça com dinheiro nos meus casacos de Inverno. A coisa mais valiosa que já lá encontrei foi uma barra de ouro, e toda a gente sabe que até o ouro vale cada vez menos hoje em dia.

 

gold.jpgPor isso eu aproveito para jogar Mikado.

 

Não me interpretem mal, eu encontro muita coisa nos bolsos dos meus casacos de Inverno... Só não encontro, vá, dinheiro.

Hoje, por exemplo, foi a primeira vez neste Inverno que experimentei um desses bichinhos que se podem vestir, um verdadeiro tanque anti-frio que me faz parecer um urso polar, sendo que urso já eu era antes. Mas, em vez de dinheiro, encontrei talões. Um de movimentos de conta - tanto dinheiro que eu tinha há um ano... - e outro de uma transferência qualquer que fiz para alguém, já não sei bem quem.

Não satisfeito, quis ir mais a fundo.

Encontrei dois invólucros de rebuçados - um de morango e outro de laranja, já agora - e, um pouco mais abaixo, um peru. Sim, um peru. O peru de Natal que desapareceu misteriosamente da nossa mesa de jantar na última consoada.

Não sei como tal foi acontecer, mas desconfio do meu tio Alberto. Ele é assim um pouco brincalhão e pode ter-me metido o peru no bolso enquanto eu ajudava a minha avó a... embebedar-se. Enfim, tradições familiares.

 

Decidi não mexer mais nos bolsos, pelo menos por enquanto. É que tem andado a desaparecer uns aviões e uns dinheiros públicos um pouco por todo o Mundo e não me apetece ter de enfrentar a descoberta de que pode estar tudo nos meus bolsos...

É que o meu tio Alberto é mesmo brincalhão!

 

how-clowns-work-orig.jpg Uma foto do meu tio Alberto.