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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

A coisa mais difícil da minha vida

Vivo no limite, no fio da navalha, à beira do abismo.  

 

Sou uma pessoa aventureira, preciso adrenalina, requeiro dopamina, sou viciado em cafeína, mas não me meto na metanfetamina, fico-me pela endorfina a dar com um pau.

Corro riscos e não me deixo abater. Vivo a vida ao máximo, um dia de cada vez, nunca estou de pé atrás, nem que a vaca tussa. Hakuna Matata, Carpe diem.

Ando de BMX, BTT e skate, tudo ao mesmo tempo. Faço escalada, slide e rappel, de olhos fechados e com uma perna às costas. Surf, kitesurf mas também windsurf, com o mesmo vento com que a minha asa é delta. Passeio de parapente, salto de aviões, desafio avalanches. No paintball sou general.

Ando sem guarda-chuva, com roupa por engomar, com a camisa por fora das calças. Questiono crenças comuns e populares, julgo livros pela capa e a capa pelos livros, derramo leite e não choro, aconselho-me na noite.

Faço trinta por uma linha, procuro agulhas num palheiro, passo tudo a pente fino, separo o trigo do joio. Não fico a ver navios, atiro-me de cabeça, ponho lanças em África, vou até ao cu de Judas e penteio macacos.

 

Tenho pêlo na venta, ponho as barbas de molho, as mãos à obra e os pontos nos is.

Sou advogado do diabo, coloco as mãos no fogo, ponho o dedo na ferida, as mãos na massa. Arregaço as mangas, parto a loiça toda. Levanto a cabeça, abro os olhos, acerto agulhas e vai tudo a eito. Sou bom de boca, tenho a pulga atrás da orelha, as costas quentes e quebro o gelo.

Vou com a corda toda, vou a fundo, de pé firme, ando na linha, agarro com unhas e dentes, movo montanhas, dou a volta por cima, ponho a bola para a frente e deixo a bola rolar. Vou à luta, deito lenha na fogueira, arrisco a pele, tenho sangue na guelra.

Agarro a vida pelos cornos, grito a plenos pulmões. Tenho a cabeça nas nuvens e os pés bem assentes no chão. Tenho as costas largas e o peito feito, faço das tripas coração.

Lanço os dados, desafio a morte, tenho a faca e o queijo na mão.

 

 Vivo no limite, no fio da navalha, à beira do abismo.  

 

No entanto, não há nada que seja mais difícil, nada que custe mais e me derrote tão facilmente que levantar-me de manhã, sempre que toca o despertador para ir trabalhar. Há coisas mesmo difíceis de fazer.

Serviços Literários

Há um problema muito comum que assola todas as pessoas que gostam de ler: a ganância.

 

Em conversa com amigos ou qualquer pessoa que mantenha hábitos regulares de leitura, bem como uma visita por todos os blogs em que se fala de livros, há sempre uma coisa que salta à vista: queremos sempre mais. Queremos mais livros, novas histórias, novas descobertas, novas personagens. Não é que não estejamos contentes com aquilo que temos, simplesmente ansiamos por mais. É incontrolável; o desejo ardente de descobrir novas obras que nos fascinem e apaixonem. 

São recorrentes as promessas de não comprar mais livros até ler todos os que habitam a estante. Promessas essas que são feitas à mesma velocidade com que se aproveita mais umas promoções e se traz para casa uma saca de livros qual Pai Natal tipográfico. Esta é também uma das razões para aquelas rugas já tão características que vos torneiam a cara, as mesmas que dão origem a uma expressão de incompreensão e desprezo sempre que alguém vem com a ladainha do "mais livros para quê? Já tens tantos... Nunca mais os lês a todos." 

 

Daí a ganância. A ganância literária, do saber, do conhecer. Porque há sempre novos, e antigos, livros que nos interessam, novas histórias e assuntos a explorar. Até aqui não há nenhum problema. O problema é o tempo; a falta de tempo.

 

Inventamos estratégias e inovamos nos nossos hábitos, para tentar compensar essa falta de tempo e mitigar essa ganância que nos invade. Lemos nos transportes, nos telemóveis, tentamos tornar todo um aparelho à prova de água para ouvirmos um audiobook durante a natação... E, invariavelmente, acidentes acontecem, o livro acaba na panela de sopa a ferver, chateamo-nos com o cônjuge porque nem durante o parto largaram o livro, etc. Pelo meio, a vida continua a intrometer-se e não é possível dedicar todo o tempo desejado à leitura, fazendo com que a lista de interesses continue a crescer e nunca seja reduzida, aumentando a mágoa que sentimos porque nunca iremos conseguir ler tudo aquilo que queremos.

 

E se eu vos dissesse que tenho a solução para tal problema? Uma solução em que ganham todos: vocês e eu. Mais uma vez munido do meu espírito empreendedor, posso resolver esse problema de forma rápida e que vos deixará a todos satisfeitos. Por uma pequena quantia, a negociar conforme o livro requerido, bem como uma cópia física do livro em questão, eu leio os livros que querem ler e não têm tempo para o fazer e conto-vos o que se passa! Num tempo que pode ir de dez minutos a uma hora (mediante o pagamento) eu conto-vos o livro todo. Todo o enredo esmiuçado, tal como se fossem vocês mesmos a tê-lo feito. 

 

Um serviço literário personalizado com o qual em poucos minutos despacham livro atrás de livro. É ver essas listas de livros lidos por ano a subir exponencialmente, obras despachadas, conhecimento sem fim; tudo sem esforço nenhum. Podem agora descansar e fazer a vossa vidinha normalmente, dar longos passeios, socializar, não queimar o jantar, pintar o quarto, ver os filhos a crescer, adoptar um papagaio... Tudo isso com o conforto e satisfação de que estão a ler um livro ao mesmo tempo. Deixem para mim os calos nos dedos e cortes de papel, a mantinha por cima das pernas, as copiosas quantidades de chá ou café, os óculos na cara devido à visão desgastada; deixem-me fazer o trabalho pesado e ler todos os livros.

 

A sério, pensem nisso...

 

 

Escape Rooms - Uma experiência

Fui experimentar algo que já me apetecia fazer há algum tempo: uma escape room.

 

Vou ser honesto quanto à minha experiência e dizer que não gostei muito. Não é que não tenham havido bons momentos, mas no geral... Pronto, se calhar o meu juízo está toldado e é só o meu rancor a vir ao de cima, a ferida no meu orgulho. Isto, claro, porque não consegui escapar no tempo estipulado. 

 

Não foi por falta de tentativas, fui lá todos os dias da semana passada, por exemplo. Ontem também já lá fui tentar a minha sorte, outra vez, sempre sem sucesso. É óbvio que vou lá voltar hoje, amanhã e as vezes que for preciso até conseguir resolver todos aqueles enigmas e todas aquelas tarefas. Ainda por cima já ouvi falar da recompensa que se tem quando se consegue completar o jogo com sucesso e só aguçou a minha vontade de o conseguir.

 

Clamam que neste tipo de jogo a tua capacidade física não interessa, que tens de depender da tua sagacidade, destreza mental e até imaginação para te safares, mas não se fiem nisso. Pela experiência que tenho, a capacidade física conta e muito; não é nada fora do comum chegar lá e o elevador estar avariado ou repleto de gente e ter de subir vários lances de escadas até alcançar a sala onde se vai desenrolar o jogo. E quando lá chego, a maior parte das vezes ainda tenho que fazer muita ginástica, muita correria de um lado ao outro, mais escadas para subir e descer ao longo do tempo estipulado. 

O realismo é de salutar. Eu e as dezenas de pessoas que todos os dias tentam vergar este desafio chegamos a uma sala que foi decorada com aspecto de um qualquer escritório. Lá encontramos diversas secretárias, computadores, ficheiros, armários... E começa o jogo! Não há tempo para descansar, temos de começar logo a tentar resolver o puzzle e ver se conseguimos sair dali antes do tempo acabar. 

Até agora só presenciei uma mão cheia de gente que conseguiu fazê-lo, e outros tantos que acabaram por desistir. É verdade que escolhi uma escape room de elevada dificuldade, uma em que o progresso se torna cada vez mais difícil pela adição de várias side quests, outros objectivos portanto, mini-jogos. Confere todo um maior nível de imersão à coisa, parece que temos um mundo inteiro a explorar. 

 

Começamos logo a trabalhar em equipa, temos uma pequena reunião e depois de definidas as prioridades e a estratégia de como vamos abordar o jogo, avançamos. É neste ponto que normalmente entra o game master e aumenta consideravelmente a dificuldade do desafio, lançando novas pistas, enigmas e tarefas que temos de realizar para conseguirmos escapar da sala. 

Lá vamos nós, navegando pela panóplia de documentos, artigos, emails, sempre procurando uma pista, algo que nos ajude a descodificar o mistério e a sairmos mais cedo. Falhamos redondamente, de todas as vezes. Aliás, nem sei bem o que estamos à procura, nem como escapar. Quando parece que estamos a conseguir alcançar algum objectivo, o game master volta a comunicar e a elevar o jogo. Mais pistas aparecem, mais documentos, mais tarefas que temos de realizar; tudo actividades que nos atrasam o verdadeiro objectivo: fugir daquela sala.

Desço escadas, pensando que estou a avançar no jogo, a descobrir alguma pista secreta. Dou com o arquivo, falo com o sr. Manuel, um infiltrado do game master, só pode, que me atrasa e dificulta as descobertas. Recebo comunicações da minha equipa, estamos a progredir. Tudo para nos puxarem o tapete quando já quase conseguimos destrancar a porta, fazendo-nos ver que afinal a resposta não é aquela, tudo o que pensamos estava errado. Ainda nem sabemos que enigma é suposto resolver para encontrar a resposta que nos levará à fuga. Chega o meio-dia e eu estou derrotado. O game master concede-nos uma pequena pausa para almoço e diz que nos deixa voltar durante a tarde, para irmos tentando novamente, já que somos clientes fiéis. 

 

Aqui entram vários dos mini-jogos que nos esperam e distraem do objectivo principal. A começar por o grande mistério de quem aqueceu uma sandes de ovo no microondas e cagou aquela merda toda? Seguido por o, ainda maior, mistério das pêras a apodrecer no frigorífico. Romances nascem e acabam, mexericos perpetuam-se, discussões resolvem-se ou agravam-se; a divisão na equipa começa a ser evidente. Formam-se grupos, cada um a tentar escapar primeiro que o outro.

 

O ciclo repete-se à tarde: mais emails, mais reuniões, mais documentos, mais coisas para resolver, tudo sem fim à vista, sem avançar no jogo, em nenhum momento mais próximo de encontrar a saída. Chega-se às cinco da tarde. Toca o alarme, quase que nos leva de novo aos tempos da primária. Acabou o tempo. Fizemos muito, tentámos de tudo, mas não conseguimos encontrar a resposta, não conseguimos vencer este desafio. Fica o esforço, novamente. Juramos voltar no dia seguinte, mesmo que este jogo já comece a perder a piada, mas agora a teimosia já comanda e vamos conseguir cantar vitória, nem que para isso tenhamos que voltar às mesmas tarefas inócuas, dia após dia, até encontrarmos a solução; até sairmos em ombros, vitoriosos, congratulados por amigos e pelo game master pela nossa mestria neste jogo e com um prémio por o termos derrotado. Pontualmente o game master deve sentir pena de nós, mas também sempre nos avisou que esta sala não era para principiantes, não era pêra doce. E realmente o sabor que nos fica é o de maçã reineta, mesmo quando ele nos propõe ficarmos depois da hora, a tentar resolver todo este puzzle, a tentar encontrar a solução: nem temos de pagar mais por isso! É pelo prazer do jogo. E é claro que ficamos, o sonho comanda a vida. Neste caso o sonho é escapar daqui o mais depressa possível. Pela maneira como as coisas têm corrido, diria que só devo encontrar a solução para este jogo quando tiver uns sessenta e seis anos, mais mês menos mês. Oh, mas vou encontrá-la, isso garanto, e vou usufruir da recompensa que vou receber.

 

E ainda dizem que isto das escape rooms é giro e está na moda? Chiça, que isto está a dar cabo de mim.

Os jovens não comem elogios.

Os jovens portugueses não se alimentam de elogios.

O que é pena, porque parece que é a única coisa que lhes estão dispostos a dar.

 

Todos os dias, a toda a hora, há quem elogie os jovens portugueses: ou porque são muito trabalhadores, ou porque são grandes empreendedores, ou porque não têm medo de ir para fora e seguir com a sua vida, etc.

Também há quem diga que chulam os pais e que estão sempre agarrados ao telemóvel sem saber ainda o que é a vida, mas isso são contas de outro rosário.

 

GroupOfGirlsOnCellPhones-850x400.jpgTêm alguma razão, vá...

 

O problema é que esses elogios que os jovens recebem não se transformam em dinheiro - numa compensação real e palpável pelos seus esforços - e eles acabam por desmotivar. E depois, lá está, são considerados calões!

Se os elogios fossem comestíveis, então meu Deus... Era ver os jovens portugueses todos balofos, a vangloriar-se de terem comido até ao fim o grande elogio que haviam recebido do seu chefe meia-hora antes.

 

Infelizmente, não é bem assim.

 

Os jovens não conseguem gerir a sua vida só com um "Muito bem!", com um "Bom trabalho!" ou com a afamada "acumulação de experiência". A experiência é uma coisa muito bonita de se oferecer, mas não paga as contas que as pessoas têm no correio ou o carro que as leva para o trabalho (a menos que o seu trabalho seja mesmo roubar carros; nesse caso, até beneficia acumular experiência).

 

Tive uma ideia: em vez de elogiarem os jovens portugueses, dêem-lhes uma pastilha de morango de cada vez que eles fizerem um bom trabalho.

Não lhes vai matar a fome, mas dá-lhes algo para trincar enquanto fazem contas à vida.

Tema do Dia - Super Poderes (#01)

Numa altura em que está, novamente, toda a gente obcecada com o super homem, o batman e outros que tais, está na altura de este blogue se juntar a este género de discussão com um tema clássico e já discutido por todos: Super poderes.

 

Ora, então que super poder gostava eu de ter? 

Para começar, há que notar que eu não teria interesse nenhum em usar os meus poderes para o bem ou algo que não me beneficiasse. Não tenho nenhuma vontade de ser super herói ou algo que o valha, toda aquela conversa de responsabilidades e deveres... nah. Só me iria trazer chatices, já vi os filmes. Além disso, gosto muito da minha família e estão todos vivos, portanto não possuo aquela aura trágica que acompanha todos os que se dedicam a essa actividade de benfeitores. No fundo, sou um bocado egoísta com isto, não vou enganar ninguém, e preguiçoso. Bastante. E aí é que está a minha principal motivação. 

 

Portanto, a ter um super poder, eu escolhia controlar a sujidade. Eliminar e/ou controlar. Sim, a sujidade. Todo o esterco existente, todo o pó... tudo o que considerasse "sujidade" e me quisesse livrar, podia controlar só com a mente. Pode não parecer, mas faz sentido. Para mim. E isso é que me interessa, e não o que vocês pensam. 

Eu nunca mais teria que limpar a casa! Nunca. Bastava fazer desaparecer toda a sujidade. Todo o pó a voar pelas minhas janelas fora, toda a sujidade a ser sugada da minha loiça e roupa, nunca esfregaria uma sanita. Só aqui eliminava cerca de 73% das tarefas que tenho que fazer - eu e toda a gente, para deixar um espaço minimamente habitável -, poupava imenso tempo, que podia aproveitar para não fazer nada. Sim, não ia usar esse tempo para algo produtivo, já tinha estabelecido que a preguiça era uma das minhas maiores qualidades; há que ser positivo e gosto de a encarar como tal. 

 

Era só isto, então, que retirava dos meus super poderes? Não. Mas, se fosse, já ficava bem satisfeito. Ter poderes que me facilitassem o trabalho e me permitissem desfrutar de todo o esplendor da minha preguiça, para além da satisfação de trabalho cumprido, era mais que suficiente. Mas pensem comigo: como podia utilizar mais este meu poder para beneficio próprio, sem ter de colocar outros em risco? Posso não ter interesse nenhum em ser um herói e receber atenção, mas não tenho a força de vontade e comprometimento necessário para ser um vilão também - mais uma vez: preguiça. A principal motivação.

Bem, criava um negócio. Vejam, ia ser a melhor empresa de limpezas de todo o mundo. Não ia ter muitos custos associados, porque apenas eu seria o essencial. Não me exigia esforço nenhum, porque com os meus poderes, cada trabalho levava segundos a ser concluído e a estar melhor que nunca. Emprego garantido, ia conseguir os melhores contratos com as maiores corporações, limpeza instantânea e perfeita. Riqueza sem igual e sem trabalho nenhum. E tudo derivado de um poder "estúpido". E sem esforço. Não podia ser melhor que isto.

 

Sim, se eu quisesse experimentar a vida de herói, também podia, caso me fartasse de ter muito dinheiro e tempo livre e tudo o que queria. Controlando toda a sujidade do meio e atirando-a à cara dos malfeitores ou usá-la para minha protecção e como arma de ataque. Ninguém consegue levar a cabo um assalto quando não pára de espirrar devido a todo o pó que lhe vai dando na cara, ou, então, ninguém consegue concluir um homicídio quando 80 quilos de um tsunami de esterco lhe varre da cena do crime. 

 

Não quero é enganar ninguém, portanto, este último parágrafo sobre usar os poderes para ser um herói não passa de uma piada. Nunca iria por aí. Nenhuma vontade disso. Agora, o resto é tudo verdade. Porque... preguiça. Muita. Muita preguiça. 

 

 

 

 

 

Tema do Dia - Pornografia (#02)

Quase que já não ia a tempo de me debruçar sobre este tema, estava perdido na pesquisa. Mas isso fica para outra altura.

Eu identifico um problema na pornografia que é ser tudo ao contrário. Isto comparado com a normalidade do mundo real. 

 

Em qualquer outra situação se alguém se virar para o colega de trabalho e lhe disser que mal espera para lhe ver sem roupa, ou para tirar a camisa porque se quer perder naquele mundo fantástico ali escondido, é garantido que vai enfrentar um processo disciplinar por assédio sexual e, provavelmente, o despedimento. No entanto, nos bastidores do mundo pornográfico isto é a norma e não passa de conversa de circunstância. Andar pelo "escritório" a passar as mãos por tudo o que é corpo, massajar as pernas da "contabilista" com óleo, oferecer favores sexuais para recompensar um bom trabalho, é tudo comportamento aceitável e encorajado na pornografia. Mas, lá está, no mundo real, não passava de assédio sexual, processo, cadeia até. Deve ser o único local de trabalho em que o chefe propor sexo à sua subordinada como forma de esta subir na carreira e receber mais dinheiro pelos seus serviços não é um escândalo, mas algo desejado. Tudo ao contrário! Isto pode confundir as pessoas...

O que seria assédio sexual na pornografia, então? Já que aquilo que passa por isso no resto do mundo, e locais de trabalho, na pornografia é resolvido com o consumar desse assédio. Não faz sentido. E, se há coisa que eu goste, é que a minha pornografia faça sentido e seja coerente. Por esta lógica, sendo tudo ao contrário, será que é grave e "assédio" se na pornografia alguém não for apalpado? Se durante o dia de trabalho um dos actores não elogiar ou não se expuser aos colegas? Se não propuser actos sexuais durante o almoço? 

 

 

 

Isto faz confusão às pessoas. Nada funciona como no mundo real. É assim que vamos educar as nossas crianças? A dizer-lhes uma coisa e a mostrar o exemplo contrário? Eu não tenho filhos, mas suponho que se use a pornografia como forma de ensino. Mesmo que não se queira é aí que vão parar, portanto, que raio de exemplo estamos a dar ao mostrar um funcionamento incorrecto e disfuncional de um local de trabalho? Depois admirem-se...