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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Escrituríssima Trindade - Ep. 5 - Cap. III

     - Esteves, alguma novidade? – perguntaram-lhe pelo walkie-talkie.

     - Ainda nada, chefe – respondeu o Esteves.

     - Continua à procura, então.

     Manuel Esteves ainda não tinha a certeza do que queriam que encontrasse. Tinham-lhe pedido para rever as cassetes de segurança daquele dia, particularmente a do corredor do quarto 59. E ele bem que procurava, mas não via mais ninguém a entrar naquele quarto para além de uma enfermeira de meia-idade cujo nome agora não se lembrava bem e, a dada altura, vários enfermeiros e médicos que corriam na direcção do quarto, como se uma emergência tivesse ocorrido. Era tudo o que as cassetes daquele corredor lhe mostravam para aquele dia, mas parecia não ser suficiente para os seus superiores.

     Mas foi isso que lhes disse.

     - Senhor, continuo sem ver mais do que aquilo que lhe disse há pouco. Tudo normal até à altura do incidente.

     - Certo, Esteves, vamos analisar a situação por aqui. Continua atento – ordenou-lhe o chefe da segurança do hospital.

     Manuel recostou-se nas costas da cadeira. Estava cansado de tudo. Aquele novo trabalho não era especialmente difícil ou exigente, mas acordar cedo todos os dias para ir para a monotonia do cubículo escuro ver ecrãs a preto e branco o dia inteiro não era propriamente uma fonte de entusiasmo e de adrenalina. Sentia-se como uma pessoa que, quanto mais dorme, mais quer dormir – embora não dormisse mais do que o tempo necessário todos os dias.

     A situação só melhorava quando partilhava o dia de trabalho com o Sousa, que, embora lhe ocupasse algum espaço no cubículo, sempre era uma companhia, e era um tipo divertido. Mas o pai do Sousa tinha morrido, e o rapaz estava de licença.

     «Continua atento», tinham-lhe pedido. Mas Esteves já tinha tido atenção suficiente por um dia, e sabia que pouco mais tinha para fazer, a menos que alguém lhe desse uma enxada para a mão ou lhe fizessem mais algum pedido pelo rádio. E, nessa altura, acordaria.

     Fechou os olhos e tentou dormir, mas, ao abri-los novamente para uma última análise ao ambiente que o rodeava, viu muito perto dele duas bolas amarelas e ameaçadoras. Foi a última coisa que viu, embora conseguisse sentir enquanto esquartejavam os seus quatro membros de uma só vez.

 

***

 

     Tomás Sousa estava de licença, era verdade. Mas sentia-se culpado por ter deixado o Esteves sozinho naquele cubículo nos últimos dias. Como ia regressar ao trabalho logo no dia seguinte, decidiu surpreender o colega e levar-lhe um quiche vegetariano feito pela mulher, com alguns vegetais que o próprio colega havia colhido e lhe havia oferecido como forma de lhe dar os sentimentos. Além disso, conversar com o Esteves fora do contexto do trabalho ia fazer-lhe bem.

     Contudo, quando abriu a porta da garagem onde estava o cubículo das câmaras de vigilância e olhou para dentro, não viu nada para além de manchas de sangue nos vidros e de um rasto da mesma substância no chão, que desaparecia completamente alguns metros mais à frente. Os ecrãs continuavam ligados e a cadeira do colega estava caída de costas, mas não havia sinal do Esteves.

     Tomás carregou num botão da mesa e falou para o microfone, pedindo ajuda.

Escrituríssima Trindade - Ep. 5 - Cap. I

     Luís Fagundes nunca teve filhos. Também nunca teve uma família, nem sequer uma casa. Luís Fagundes, bem vistas as coisas, nunca teve nada. Agora, naquele lar para onde tinha sido transportado após a morte da irmã, também não tinha uma perna. Pelo menos já não a sentia. Aparentemente, iam cortá-la por causa de uma doença qualquer que Luís mal sabia o que era, mas que lhe diziam que tinha. E ele, como sempre fora uma pessoa conformada, anuía. Mas talvez não o tivesse feito se soubesse que, como consequência, lhe iriam retirar um dos seus quatro instrumentos de trabalho – os seus membros.

     Toda a vida Luís tinha trabalhado a terra. Tinha sido o seu único sustento e contribuição (embora mínima) para a casa da irmã e do marido dela, onde sempre residira após a morte dos pais. Apesar de tudo, não era um inquilino especialmente incomodativo. De manhã à noite, tendo o cuidado de levar algumas merendas consigo para não ter de ter o trabalho desnecessário de parar de trabalhar, ficava nos campos e plantava um pouco de tudo, mas com especial destaque para as batatas.

     Ninguém sabe bem o porquê de Luís não ter dado um pontapé mais a fundo na sua própria vida – nem sequer o próprio. Mas, ao que tudo levava a crer, tinha sido feliz de enxada na mão e em longas conversas com os outros homens da freguesia num banquinho que havia no adro da igreja. Ali, falava-se principalmente de agricultura – pelo menos quando passava alguém, porque toda a gente sabe que os homens falam de muita coisa quando estão sozinhos.

     No entanto, cavar a terra ao pé-coxinho ainda não é, nos tempos de hoje, factível. Existem demasiadas condicionantes; e Luís, embora tivesse alguns indícios de demência e estivesse ainda meio zonzo por causa da medicação, sabia-o.

     Começou a chorar, mas sem derramar qualquer lágrima. Habituara-se a chorar para si mesmo ao longo de toda a vida. Era capaz de entrar e sair de um longo estado de depressão sem alguém notar, mesmo a família, até porque nada disso alguma vez o impedira de continuar a trabalhar e a seguir com a sua vida.

     A sua auto-comiseração foi interrompida por uma das enfermeiras que costumava visitá-lo. Não era bonita nem feia, mas Luís também nunca tinha tido grande apreço por essas questões de beleza. Só tinha tido uma namorada e não durara muito tempo, até porque fora naquela altura em que pouco tempo de namoro não dava direito a muitas trocas afectivas – não como hoje em dia, achava ele.

     A enfermeira pediu para entrar e, ao olhar para a cama de Luís, deu um grito. Apressou-se a pedir ajuda na direcção geral do corredor e a lançar-se para o armário das toalhas. Luís só teve tempo de a ver despejar uma grande quantidade de toalhas brancas em cima da cama que, ao serem levantadas, tornavam-se avermelhadas. Não sabia o que se estava a passar, mas sentia-se cada vez mais zonzo; e já não tinha a certeza de ser da medicação.

     Adormeceu.

Crónica de um dia azarado

Já tive vários dias maus, mas nunca tinha tido um dia como ontem. 

A manhã começou como qualquer outra, com o nascer do sol. Normalmente é assim. Por alguma razão o despertador não tinha tocado e só acordei com um estrondo e um cheiro a queimado. O despertador não tinha tocado nem iria tocar mais, já que o telemóvel tinha acabado de explodir. Saltei rápido da cama, sem tempo para me preocupar com o que se tinha passado, tinha um dia importante pela frente.

Devido ao que se passou com o telemóvel, ligado à corrente, também fiquei sem electricidade. Bem que as torradas não ficavam prontas e eu ainda demorei a perceber. Arranjei-me às pressas e quando vou sair dou com a porta trancada. Nada de muito estranho, mas tinha deixado as chaves no escritório. A minha mulher já tinha saído para ir levar o pequeno à escola e tinha-me deixado trancado em casa. Era só o que me faltava, logo no dia em que tinha uma reunião importante com um cliente que precisava convencer a avançar com o nosso projecto. Falhar nesta tarefa implicava o desperdício de recursos e trabalho de meses, bem como um grande prejuízo que resultaria em despedimentos.

Ora, neste ponto estou eu todo aprumadinho mas atrasado meia hora e fechado num quinto andar sem possibilidade de sair, sem telemóvel nem electricidade. Nem podia comunicar com ninguém. Tinha de sair de casa de alguma maneira, tinha de chegar a tempo à reunião, todo o projecto dependia de mim. Sei bem como funcionava o Macgyver, sabia o que tinha a fazer: fui buscar um ananás, um sapato velho e um isqueiro. Num pedaço de papel escrevi uma rápida mensagem a explicar o que se passava e requisitar ajuda e meti-a dentro do sapato velho. Atirei-o pela janela, sentei-me a comer o ananás, já que não tinha chegado a comer as torradas, e acendi uma vela a nossa Senhora de Fátima, porque uma reza podia ajudar a resolver a situação. Já agora, nunca vi um episódio do Macgyver, se calhar não era bem assim que ele tinha resolvido o problema. Para mim não resultou. Alguém pegou no sapato e atirou-o para o lixo, ignorando os meus apelos da janela, como toda a gente o estava a fazer.

 

Com isto tudo, já estávamos na hora da reunião e eu ainda trancado em minha casa. Posso nunca ter visto o Macgyver, mas o James Bond conheço e sei que não eram 5 andares que o iam derrotar. O plano passava por pendurar-me na janela e deixar-me cair para a varanda do andar de baixo, e assim sucessivamente até chegar ao chão. 

Pequenos pormenores que só me ocorreram quando já estava pendurado na minha janela e sem força para me içar de novo para dentro: as varandas são na parte de trás do apartamento e tenho outra porta, ao lado dessa varanda, que dá acesso a um pátio que tem outra saída para o exterior. Porta essa que tem a chave na fechadura.

Resumindo, eu continuava pendurado, nem para cima nem para baixo. A polícia e os bombeiros apareceram e acabei a amanhã no hospital para avaliação psiquiátrica. Depois de conseguir convencê-los que tudo não passara de um mal entendido, que não tinha tendências suicidas, era só estúpido, deixaram-me sair. Com sorte, nunca tinham conseguido contactar a minha mulher, porque eu não sabia o número de cor, e assim evitava esse embaraço e não lhe causava preocupação.

 

Fui até ao escritório, sem saber ainda como ia explicar tudo aquilo. Já tinha lixado todo o projecto, portanto nem sabia o que esperar. Só quando lá cheguei é que me apercebi de algo que todos vocês já sabem e se aperceberam: ontem era Domingo. Por isso é que o despertador não tinha tocado. Era dia da mãe, e a minha mulher tinha ido tomar o pequeno almoço com a sua. O meu filho devia estar no quarto a dormir. 

A caminho de casa, e maltrapilho como estava, de fato rasgado e com uma postura deformada derivada da hora que passei agarrado ao parapeito, fui confundido por um pedinte e um senhor deu-me uma moedinha. Agradeci, pois sempre me ensinaram a aceitar prendas. Quem não gostou foi mesmo um pedinte que andava ali por perto e ao qual não calhou nada. Veio gritar-me que aquilo era o seu território, para eu arranjar um para mim. Dito isto, deu-me um enxerto de porrada e roubou-me a carteira. 

 

Quando finalmente cheguei a casa, a minha mulher abriu-me a porta. Nem me deixou explicar bem o que se tinha passado, e disse que era bem feita eu ter levado um enxerto de porrada, para aprender a não ser um xoninhas pacifista. Que era por coisas dessas que estava farta de mim e que ia avançar para o divórcio. Além disso, tinha deixado o rapaz sozinho em casa. Eu nem estava a processar bem o que se estava a passar e ela diz-me que vai sair, para espairecer, para eu não deixar o nosso filho sozinho outra vez.

 

Eu só queria dormir, descansar um bocado e perceber o que raio estava a acontecer. Deitei-me no sofá e olhei o aquário que temos na sala. Estava uma nojência, quase que nem se via o peixe. Sempre a mesma coisa, ele nunca limpa o aquário. Chamei o Ramiro e disse-lhe para limpar aquilo, que não era maneira de se ter um peixe assim, para ele lhe tratar da saúde. 

Mal tinha adormecido para a minha sesta quando desperto novamente com repetidos estrondos. Vou rapidamente à cozinha ver o que se passa e dou com o Ramiro a estraçalhar o peixe com o martelo dos bifes. Chorava sem parar enquanto o fazia, mas não parava. Parece que o que aconteceu foi um pequeno erro de comunicação, fui mal interpretado quando lhe ordenei que tratasse da saúde ao peixe. Olhando para trás, talvez tenha sido má ideia fazer uma maratona dos filmes d' O Padrinho com um puto de 6 anos. Eu só queria que ele limpasse o aquário, pela saúde e bem estar do animal.

 

O resto do dia passou-se em silêncio e sem muito a relatar. À noite, antes de me ir deitar, pensei em tomar um duche para relaxar. Quando estava na banheira decidi fazer flexões. Se tivesse em melhor forma física não tinha ficado pendurado na janela, nem tinha apanhado tanta porrada. Além disso, sempre a inovar, um 2 em 1: flexões no duche. Exercício e banho ao mesmo tempo, só aqui estou a aproveitar muito melhor as horas do dia. O que acabou por acontecer foi que o braço escorregou-me bati com a cabeça. Quando voltei a mim, a casa de banho estava inundada, sangue jorrava-me da cabeça, o braço esquerdo não deixava de me apontar para a nuca e o meu filho vinha a caminho com o martelo dos bifes para me tratar da saúde.

 

Vendo bem as coisas, nem se passou muita coisa, o dia não foi mau de todo. Isto podia ter acontecido a qualquer um. Já agora, tendo em conta que estou no hospital desde ontem à noite e conto com um grande número de novas despesas, se alguém estiver a contratar...

O que eu não dava por um pudim.

Eu nem sou grande fã de pudins.

Se me derem a escolher entre um pudim ou todas as outras sobremesas do Mundo, sou capaz de escolher o pudim apenas antes dos testículos de boi da Tasmânia.

Não, nunca gostei muito da Tasmânia.

 

Mas a verdade é que, lá de vez em quando, compro pudins, porque o ser humano é contraditório e porque eles até costumam estar baratos.

Foi isso que fiz no outro dia. Comprei pudins e, lá de vez em quando, lá ia um. Só porque sim. Porque achava que o meu corpo precisava de mais uma dose cavalar de açúcar.

 

Ora, há bocado, depois de jantar, tive um dilema: como tinha comprado também uma embalagem de frutos vermelhos, fiquei momentaneamente na dúvida em relação a que sobremesa haveria de comer.

Decidi-me pela fruta. Primeiro porque prefiro, e depois porque o jantar tinha sido algo pesado, e não fazia sentido estar a sobrecarregar ainda mais o estômago, coitado.

E estava tão certo disso que, mesmo na viagem até à cozinha, o meu cérebro dizia-me e voltava a assegurar-me de que era para a fruta que pendia.

 

Chegado ao frigorífico, e por mera curiosidade, olhei na direcção da prateleira onde estariam os pudins, para ver quantos restavam.

Não restava nenhum.

E agora é que vem a parte interessante: é que, não sei por que carga de água, assim que vi que não tinha qualquer pudim, ficou a apetecer-me comer pudins como nunca antes na vida me tinha acontecido.

 

Portanto, que se lixe a fruta, pá, isso é para meninos!

A questão é: onde é que se compra pudins a partir da meia-noite?

Conto do Alfredo e do duche pela manhã.

Alfredo acordou de manhã e deixou-se ficar mais um pouco na cama. Afinal, conseguia ouvir os colegas de casa a tomar duche.

Era sempre assim, de manhã. A competição era feroz, e o duche era só um.

 

Quando despertou completamente, o duche continuava ocupado. Decidiu ir tomar o pequeno-almoço.

Já de barriga cheia, voltou a colocar o ouvido à escuta, mas continuava a ouvir o estalar da água no chão do poliban. Decidiu ir trabalhar, adiantar alguma coisa enquanto esperava.

 

Trabalhou, almoçou, voltou a trabalhar e regressou a casa. E era vê-los, ora uns a sair do duche enquanto ainda esfregavam a farta gedelha, ora outros a entrar de toalha e champô em punho.

Parecia uma linha de montagem, na qual entravam ainda badalhocos e saíam impecáveis a nível da higiene pessoal.

E Afredo sempre sem conseguir tomar duche.

 

Acabou por decidir ir dar uma volta ao parque, para espairecer. Bebeu uma limonada, viu o pôr-do-Sol e regressou a casa. E jantou, porque a casa-de-banho continuava ocupada mas a cozinha, essa, estava livrinha da silva.

E, no dia seguinte, fez tudo de novo, porque ainda por cima a água às vezes esfriava sem ninguém saber porquê e atrasava ainda mais o processo.

 

Consta que, hoje em dia, Alfredo já terá falecido, tendo deixado como herança dois filhos e um neto.

Mas uma coisa é certa: nunca chegou a conseguir tomar duche.

 

Paz à sua alma.

Fui atingido por um "você".

Tenho 25 anos e acabei de ser tratado por você.

E não foi pela funcionária do banco, ou por um polícia na rua. Foi por um colega de trabalho.

 

Já cheguei a uma fase da vida em que os colegas de trabalho infimamente mais novos (ou então sou eu que pareço muito mais velho) me tratam por você. A mim, que saí do mundo das fraldas há pouco tempo e ainda não dei o devido uso a uma lâmina de barbear!

 

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Apresento-vos ao Esteves, o meu pêlo de estimação.

 

E eu não quero isto – o você – na minha vida, pelo amor de Deus…

Não quero que ninguém me trate por você, aliás! “Tu” tem duas letras, é mais simples. “Você” tem quatro e um acento. É demasiada burocracia no tratamento interpessoal.

Chamem-me tu, chamem-me pá, chamem-me “ó palhaço!”, que eu aceito tudo. Só não me chamem você.

 

Estamos entendidos?

Então vá. Adeus, seus palhaços.

Falando de sequelas...

As sequelas são um assunto divisório quando se fala de filmes ou livros. A maioria é desnecessária e impulsionada apenas pela ambição de facturar mais com algo já estabelecido, abdicando, muitas vezes, da qualidade. 

 

Filme com título genérico, número 63, agora só com anões!

 

No entanto, acho que estamos a ser um pouco injustos com as sequelas, Às vezes são bem mais memoráveis que os originais.

Por exemplo, a segunda guerra mundial! Muito melhor que a primeira. Sim, toda a gente se lembra da primeira, mas, sejamos sinceros, quando falamos em guerra falamos logo da segunda. Nem tem comparação. Um bocadinho mais longa, mas aguenta-se bem, não há muitos momentos mortos, mantém-se entusiasmante; uma premissa muito melhor explorada, grande elenco com personagens icónicas e inesquecíveis, uma grande melhoria relativamente à primeira. Momentos memoráveis na sua duração, conflitos inesperados, surpresas atrás de surpresas, acontecimentos que se fazem sentir até hoje e ainda são discutidos até à exaustão. Muito melhores efeitos, se calhar coisas que já queriam fazer na primeira mas ainda não tinham tecnologia para isso. Um prólogo e epílogo que assentam que nem uma luva, uma excelente resolução com um final digno e adequado para as personagens envolvidas; personagens essas que deixaram marca. Um excelente vilão, que ficará para sempre na história, bem como  um vasto leque de personagens reais, nem boas nem más, mas que tentavam fazer aquilo que acreditavam estar certo. 

E o final... o que dizer daquele final? Um clímax de excelência, inesperado, emocionante, bombástico.

 

Arrisco a dizer que será mesmo a melhor sequela de sempre. É verdade que depois disso, e devido a todo o sucesso que alcançou, tentou explorar-se ao máximo o franchise. Vários spin offs foram feitos, mas nenhum com o sucesso e grandiosidade da segunda guerra mundial. E se ao principio ainda conseguiam ter alguma qualidade, esta foi-se perdendo ao longo dos anos. 

 

Também é verdade que durante anos se falou numa possível sequela, numa terceira parte, mas que nunca chegou a ser realizada. Se bem que, pelos rumores que correm, e aproveitando toda esta onda de revivalismo que vivemos, assim como uma falta de ideias generalizada, podemos estar perto de ver a terceira guerra mundial. Quanto a isso, não sei, tenho muitas dúvidas. Penso que seria demais. Acho que o impacto não seria o mesmo...

Até podem tornar tudo muito mais devastador, uma produção maior, mais efeitos e maior alcance, mas penso que não seria uma boa ideia. Nunca iria chegar aos calcanhares da sua antecessora e para quê mexer nos clássicos?

 

Mini-contos (#08)

João Aurélio nunca tinha pensado em si mesmo como um assassino.

Mas agora, com a faca ensanguentada nas mãos e as vísceras da mulher junto dos pés, ia ter de reconsiderar.

Afinal, quem mais podia ter feito aquilo?

Desilusão Planetária

Portanto, parece que a NASA descobriu mais 7 planetas supostamente de dimensões e condições idênticas às da Terra e toda a gente ficou muito entusiasmada com a grande descoberta astronómica do ano até agora.

 

Foto da jogada final da liga dos campeões de berlindes

 

Podem conter água, podem ser habitados, podem albergar a nossa raça num futuro longínquo, grandes esperanças, grandes descobertas...

Para mim é só mais uma enorme desilusão. Sim, isso mesmo. Não passam de mais uns planetas a juntar à lista daqueles com condições semelhantes à Terra e isso não é positivo. A sério? Mais planetas como este? Planetas carregados de gente, de extremistas, de guerra, de fome e doença, de desigualdades sociais e de género, de discriminação, de gente que deita lixo para o chão, de grupos que andam nos passeios  vagarosamente a formar uma linha horizontal que não se desmancha para alguém passar, um planeta carregado de cogumelos... Desculpem-me, mas isto para mim não é motivo para celebração.

 

Porque não podíamos ter encontrado planetas capazes de suportar vida mas fossem completamente diferentes da Terra? Porque têm de ser sempre iguais? 

Sei lá... planetas em que teríamos 3 torneias: água quente, água fria, e uma torneira da qual saía bolo. E qualquer bolo, à escolha. Ou um planeta em que não era possível engordar. Nunca, independentemente do que comêssemos ou do pouco que fizéssemos. Ou, ainda, um planeta em que não existissem cogumelos (são as verrugas do diabo!)!

Um planeta em que toda a gente andava de trapézio. Seria excelente chegar ao trabalho de trapézio.

Um planeta em que pudéssemos ter um tigre como animal de estimação e ele não nos fosse comer a cara à primeira oportunidade. Um planeta em que a fruta nunca apodrecia. Nunca! Imaginem comprar uma mão-cheia de abacates (que não é muito, a menos que tenham mãos gigantes... o que podia ser o caso noutro planeta!) e eles nunca apodrecerem.

 

Não sei, são só umas ideias rápidas, mas ao menos já seria alguma coisa. Mas não, são mais planetas como este em que já estamos e está toda a gente muito contente, como se isto fosse muito perfeito por aqui.