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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Casa Abençoada

Já todos vimos os filmes e ouvimos as histórias sobre casas assombradas; nada de novo nesse tema. Família muda-se para uma nova casa, coisas estranhas, sobrenaturais, começam a acontecer e ninguém se muda de casa. Eventualmente, mortes acontecem, fantasmas aparecem, espíritos revelam-se. Um padre entra na figura, chamam-se os caça-fantasmas, acende-se uma vela e no final resolve-se o problema. E se fosse isto que se tivesse a passar comigo, tudo bem, nem estávamos aqui a ter esta conversa. 

 

O problema é outro e muito maior. Além disso, muito pouco falado. É que em vez de uma casa assombrada, eu acho que a minha casa está abençoada.

 

Não, não estou a brincar. E desengane-se quem acha que isto é uma coisa boa. É que uma casa abençoada assusta-me muito mais que uma assombrada. Os efeitos são muito mais perturbadores, sem bem que agradáveis ao mesmo tempo. 

Ao contrário de todos aqueles filmes de terror, eu não me mudei recentemente para esta casa. Estou aqui há três anos. E até há cerca de uma semana atrás, nunca se tinha passado nada de estranho.

 

É que não conseguem perceber o meu stress... Não é a nenhuma bênção religiosa que me refiro, também. Comecei a notar pequenas coisas ao inicio, como a roupa arrumada na gaveta em vez de estar espalhada por cima da cadeira e da secretária, ou a loiça arrumada no armário.

Com o passar dos dias, coisas ainda mais estranhas foram acontecendo. A roupa começou a aparecer lavada e engomada, arrumada por cores e estilo. Pó? Nem vê-lo. Cama feita todos os dias, almofadas confortáveis apareceram no sofá. E não se ficou por aqui, quando já entrava em casa a medo, devido a toda esta estranheza, noto que houve mudanças na disposição da mobília, tornando a casa mais acolhedora, espaçosa e prática. Por esta altura já andava com suores frios e sempre com toalhas cheirosas para me enxugar. 

 

Estou aterrorizado, todos os dias vão havendo novas situações e eu estou com um nervosismo constante. Não entendo o que se está a passar. Já ouvi falar num poltergeist, agora num benfeitorgeist nunca. Estou a pensar em vender a casa, viver assim está a matar-me. Sempre à espera que aconteça algo de bom de repente, sem explicação. Já viram o terrível que isto é? O prazer de algo bom aliado ao terror do inesperado e inexplicável. Não aguento muito mais.

 

Nos últimos dias tudo piorou ainda mais. O jantar começou a aparecer feito, delicioso. Toda a casa cheira terrivelmente bem, uma fragrância como nunca aqui pairava antes, que até nos relaxa. Isto tudo numa semana só! Ontem trouxe cá um padre, para ver se podia dar um jeitinho. Mal entrámos fomos invadidos pelo delicioso aroma de uma fornada de deliciosas bolachas acabadas de sair do forno. Um fumegante bule de chá repousava em cima da mesa da sala, iluminada e aquecida pelas labaredas crepitantes da lareira. Isto tudo sem explicação. O sacana do padre sentou-se, descalçou-se e empaturrou-se de bolachas e chá. Ainda me bebeu um conhaque que nem sabia que tinha e me disse que tinha imensa sorte na vida, para a estimar bem, antes de ir embora. E eu fiquei na mesma, com uma situação cada vez mais grave para gerir.

 

O pior de tudo é que a minha namorada mudou-se cá para casa há uma semana, também. Estou com receio que isto possa vir a afectar a nossa relação. Até agora ela ainda não deu por nada, tenho sabido esconder bem esta situação toda, mas não sei durante quanto mais tempo consigo...

Sobre isto de perder um grande amor.

Ela era linda!

Cabelos dourados, sedosos, ondulados.

Uns lábios sinuosos e carnudos, que mereciam levar milhões de beijos por dia.

 

Os seus olhos, cor de terra e, talvez por isso, terra-à-terra, atentos, sempre focados.

A maquilhagem que usava faziam-nos quase saltar da cara, de tanto dar nas vistas.

 

As suas curvas, normais, decentes, nem muitas nem poucas, eram as estradas onde eu gostava de me perder, percorrer até ao infinito, em direcção ao Sol que era o seu sorriso.

 

O seu feitio... Oh, o seu feitio! Serena, sempre serena, mas parecendo conter o Mundo dentro dela.

Nunca se dava a conhecer completamente, porque sabia que ninguém merecia realmente conhecê-la. Não havia homem vivo neste Mundo capaz - ou sequer merecedor - de a compreender.

 

Tínhamos a relação perfeita, ou pelo menos assim eu pensava...

Caí em mim quando ela se foi embora, e percebi que estava destinado a ser assim desde o início. Não tive capacidade de o prever e, por isso, agora sofro.

 

Não sei onde estás neste momento, minha querida, mas quero que saibas que estarás sempre comigo, num cantinho especial do meu íntimo, mesmo que a implacabilidade do tempo me obrigue a ter de encontrar outra cópia de ti.

Mas nunca será uma cópia fiel, porque já não se fazem como tu.

 

Pelo menos foi o que o senhor da loja disse, quando lhe pedi uma boneca insuflável.

És modelo único, e eu amo-te também por isso.

 

Adeus, Passion Doll S2000!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

blow-up-doll.jpgAdeus...

O Fim de Uma Relação

Todos passamos pelo mesmo, de uma forma ou outra, mas nunca é fácil. Nem todas as relações são feitas para durar e, inevitavelmente, hoje chego ao fim de uma.

 

Hoje começo uma nova fase.

 

Há quem diga que é preciso mudar, que a mudança é uma coisa positiva. Não sou contra esta opinião, no entanto, a ideia de mudar não é uma coisa que me agrade. Nunca convivi bem com a mudança, mesmo que depois de efectuada tudo melhore e fique mais satisfeito. 

Nem a deitar coisas fora, por mais inúteis que sejam, é tarefa fácil para mim. Penso sempre que pode haver algum momento em que aquela pequena memória com forma física me vai fazer falta. Mantenho livros que possuo desde criança, colecções inteiras, que já na altura não gostava assim tanto, mas sou incapaz de me desfazer deles. São parte do que sou. 

 

Obviamente que relações são coisas diferentes de livros, por exemplo, mas é só uma pequena amostra para ilustrar o sentimento que me apega às coisas e o quanto de mim é parte delas.
Sou uma pessoa emocional, sentimental e que se apega (talvez demais) às coisas. O sentimento, contudo, é sempre verdadeiro e nunca com base no conforto e hábito.
Isto tudo para me levar ao que quero realmente dizer, ao fim de uma relação que mantinha já há uns anos. Relação esta que não termina de forma trágica e de mal com a vida, mas sim como resultado de algo que se vinha a arrastar há muito tempo e se torna inevitável. Uma relação não acaba de um momento para o outro, é um acumular de sentimentos e acontecimentos, uma progressão natural até a um fim que já estava anunciado. Chega a uma altura que não há volta a dar, o desgaste acumulado tornou-se fatal e já não há remendos possíveis.

 

Não quero estar a partilhar demais, nem a aborrecer ninguém, mas não queria deixar passar em claro este acontecimento. Foram muitos anos da minha vida com ela presente e o que sinto mantém-se. Contudo, nem tudo pode durar para sempre.
Quanto a mim, é claro que me custa; que não será fácil de ultrapassar. Por isso decidi dar o exemplo que dei no principio, porque este pode ser um acontecimento significativo. E não gosto de mudança, em teoria. Tenho medo dela, medo de arriscar. Mas as coisas acontecem.

 

Resta lembrar os bons momentos e também os maus, porque fazem parte, pelos quais passamos juntos. E foram muitos. Muita coisa boa fizemos juntos. Não sei como será daqui para a frente e se vou encontrar algo, outra vez, que me dê o que ela deu. E isso assusta, um futuro desconhecido, sem o conforto e a certeza que já tinha com ela. Mas há que tentar.

 

Rimos e chorámos, comemos e bebemos, saltámos e caímos... Sempre juntos. Ela esteve sempre lá para mim, sem nunca se queixar, sem nunca me julgar. Sempre disponível para o que quer que fosse e viesse. Sempre fomos diferentes, mas nunca inimigos. Aqueceu-me e confortou-me sempre que foi preciso e fizemos de tudo o que podíamos juntos; mais houvesse para fazer. Estando a ter um dia bom ou mau, sabia que podia contar com tudo aquilo que me dava, incondicionalmente. Sem falar no seu quente interior, sempre receptivo a que eu a penetrasse, quando quisesse, as vezes que fosse preciso.

 

Mas é assim a vida e agora há que continuar. Hei-de arranjar mais e esperar que o sentimento seja o mesmo, que me sirvam tão bem como esta sempre me serviu.

 

Tudo acaba.
Está na altura de a retirar da rotação e de, por fim, deitar fora este par de meias. 

Imagens sensíveis... Ainda me custa a vê-las.

 

 

Declarações de Sábado à noite.

São duas e picos da manhã, e estou apenas a escrever-vos, caros leitores, para saberem que nunca páro de pensar em vocês, mesmo num Sábado à noite.

Estou nu da cintura para baixo - se excluirmos os boxers e as calças de pijama que tenho vestidos - e a pensar em todos os momentos que já passamos juntos.

Porque aquilo que começou como um blogue é, agora, para mim, uma verdadeira relação, e um verdadeiro compromisso. Sinto-me cada vez mais próximo de vocês, e fico com borboletas na barriga só de vos imaginar a ler aquilo que eu escrevo...

Tenho saudades vossas. Quando voltam aqui ao estaminé?

 

 

P.S.: Podem pensar que eu estou bêbado, e que isto é o equivalente às mensagens atrapalhadas deixadas no voice mail à saída da discoteca, que vemos nos filmes, mas não... Sou mesmo só estúpido, e quis escrever-vos algo a altas horas.

Pronto, durmam bem, suas vacas oferecidas!