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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Serviço completo

Imensas coisas têm de acabar, e quando eu tiver o poder para tal, não duvidem, vão acabar.

Uma delas são os brindes. Essa mania de andar a bater copos uns nos outros, e com consequências inventadas, está a dar cabo da sociedade. Eu já faço a minha parte e recuso-me a compactuar com tal coisa, mas isso é assunto para outro dia.

 

Uma coisa que tem mesmo de mudar tem a ver com o hábito de, nos concertos, o cantor ou vocalista de uma banda virar o microfone para o público para que este cante partes da música.

Sim, tem de acabar e todos nos devíamos opôr piamente a tal prática.

Eu sei, eu sei; todos gostam, é giro, faz parte do momento, da adrenalina, é um momento de comunhão e todos gostam de cantar. Mas está mal.

 

Uma autêntica vergonha!

 

É um acto de desprezo e preguiça que é aceite por todos nós, e isso está errado. Pensem nisso: aquilo é o trabalho dele. O trabalho dele é cantar, entreter-nos. Nós pagamos bilhete para um concerto para o ouvir a cantar, e o que faz ele? Faz-nos trabalhar por ele, enquanto recebe todos os louros! E todos o fazemos sem pensar duas vezes.

Já chega! Eu paguei para usufruir do serviço que ele proporciona, não me inscrevi num karaoke. Não recebo nada, nem um desconto no meu bilhete, por estar ali a desenrascar alguém que se esqueceu das letras, ou que não quer fazer o seu trabalho. Estou ali para ouvir alguém cantar, portanto é bom que cante tudo aquilo a que tenho direito.

 

Se em mais nenhuma profissão isso acontece, porque é que tem de acontecer na música? O carteiro não vos entrega a correspondência e depois passa-vos o saco para as mãos e diz para irem entregar três ou quatro cartas. E, mesmo que dissesse, vocês não iam, porque não é o vosso trabalho.

Eu, quando estou a meio de uma cirurgia, não acordo o paciente para que seja ele a fazer uma incisão.

O chef de um restaurante não me chama a meio da confecção para ser eu a virar o bife. 

 

Portanto, vamos lá a acabar com esta tolice. Não paguei por um concerto self service, quero o serviço completo. 

Senão, era como ir às putas e, a meio, ela dizer-me que o chupasse sozinho durante um bocado.