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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Respeitem os alarmes

Estás sentado à secretária. É apenas mais um dia de trabalho, mas, de repente, ouves um som alto e repetitivo que te desconcentra e faz levantar os olhos da tarefa em mãos. Trocas olhares com todos os teus colegas e começas a rir. Piadas são feitas à medida que todos pensam no mesmo: "porra de alarme, disparou outra vez. Sempre igual.". O barulho continua, os desejos para que alguém desligue o alarme aumentam. Por fim, o silêncio é alcançado. Agradeces por isso, podes agora voltar ao trabalho. Cinco minutos depois estás a viver os teus últimos momentos, enquanto as labaredas tomam contam de todo o edifício e o fumo te intoxica. Não há sobreviventes.

Conheçam o Al Arme. Parece inofensivo, mas grita que se farta.

 

Estás a preparar o jantar e os teus filhos fazem os trabalhos de casa. São todos interrompidos pelo barulho excruciante emitido pelo alarme de segurança. Atravessas a casa enquanto suspiras irritado com o acontecimento. Vais à porta, desligas o alarme, atendes a chamada da central de segurança e voltas aos preparativos do jantar enquanto praguejas por, de vez em quando, o alarme disparar sem razão. Os filhos, há muito já silenciosos, de volta ao quarto. Acabas o jantar e vais chamá-los para a mesa. Entras no quarto e deparas-te com um mar de sangue. Os miúdos jazem degolados no chão. É essa a imagem que fica gravada na tua retina para a posterioridade, ao mesmo tempo que uma lâmina manejada por uma rápida mão, vinda não sabes de onde, te desenha um sorriso ao longo do pescoço. Não há sobreviventes.

 

Alarme contrafeito. Números ao contrário. Há que poupar...

 

 A noite já vai longa e estás a tentar adormecer faz tempo. Por mais que uma vez estiveste quase, mas foste sempre despertado pelo alarme de algum carro. A dor de cabeça torna o pensamento difícil de formular, a irritação aumenta e os alarmes dos carros continuam a ecoar na tua cabeça, mesmo quando já dormes. Levantas-te de manhã, até estás bem disposto. Sais à rua, pronto para mais um dia de trabalho e levas com a luz do sol no olhos, reflectida no capô de um carro da polícia. Vês vizinhos que conheces de passagem e notas que o lugar do teu carro encontra-se vazio. Vários carros foram furtados nessa madrugada. Soaram alarmes, mas ninguém ligou. 

 

 

Sabia que devia ter parado no 30. Onde é que tenho a bicicleta...

 

Eu posso ter inventado estes cenários, ou posso não o ter feito. São todos credíveis. Demais. E porquê? Porque apesar de nós, como seres que vivem em sociedade, insistirmos em ter alarmes em tudo, para protecção e segurança, escolhemos ignorar o som por eles produzidos em cerca de 96.248% das vezes. 

Pensem em quantas vezes ouviram o soar de um alarme e reagiram de acordo com a norma? Raríssimas vezes. Porque assumimos, automaticamente, que a culpa é do próprio alarme. Que disparou por uma razão qualquer que não aquela que leva à sua existência. Sim, é verdade, isso acontece porque já fomos enganados vezes demais. Já perdemos a conta às vezes que soou um alarme e não era nada digno de registo. Ou passava-se nada ou, aquilo que era, não era merecedor daquele som alarmante emitido pelo dispositivo criado para aumentar a nossa segurança.

 

Mas, mesmo que em cada cem vezes que toque o alarme, apenas uma seja uma ameaça real, não deveríamos reagir a todas de forma concordante? Porque àquela centésima vez pode ser real. Podemos estar em perigo de vida. Acho que vale a pena arriscar. Vamos tratar todos os alarmes como merecem!

 

Pelos vistos as ovelhas estavam a ensaiar a sua participação numa marcha...

 

Parece que estamos constantemente a recriar alguma versão de "O jovem pastor e o Lobo", mas com os alarmes. Aquilo que ninguém entende, e que eu desde muito pequeno sempre entendi e tentava convencer a minha avó, só para levar uma vassourada na espinha, é o verdadeiro significado da história do Pastor e o Lobo. Ao contrário do que pensam, não é sobre a mentira, a importância de dizer a verdade e isso tudo. Não. É o retrato perfeito das nossas fraquezas como espécie, retrato de rancor, de mesquinhez e de ignorar as nossas responsabilidades apenas porque não tivemos uma recompensa instantânea à primeira vez.

 

Passa-se o mesmo com os alarmes. Não foi à primeira, não foi à segunda, então pronto. Acabou-se o cuidado, acabou-se a prevenção, acabou-se a rápida reacção e tentativa de resolução de um problema. 

Um grande homem inventou o alarme para nossa protecção. Um grande homem, que não pediu nada em troca sem ser o respeito e a segurança de toda uma raça (liberdades criativas podem ter sido tomadas ao inventar esta história) – E foi um homem. Só pode ter sido. Não por ser melhor que uma mulher, mas porque só o homem não ia confiar na capacidade de uma mulher dar o alerta ou ser capaz de resolver a situação, preferindo achar-se superior e necessário, querendo que algum dispositivo o avisasse se algum problema estava a decorrer, para poder acorrer e, provavelmente, ser o primeiro de todos a morrer. Sei lá.

 

No entanto, decidimos ignorar os desejos desse grande homem e condenar o alarme a um papel quase irrelevante e decorativo. 

Imaginem que sempre que soava o alarme do despertador, vocês não ligavam. Ou desligavam o alarme sem prestar atenção a mais nada, só porque era um alarme a tocar e não merecem atenção de todas as vezes. Não ia dar muito certo, não é? Iam perder o emprego e desgraçar a vida toda, descambar para uma vida de crime que vos levava à cadeia (porque a meio de um assalto ignoraram o alarme e não fugiram...) e acabavam a ser violados analmente com a prótese de perna do vosso companheiro de cela. Tudo por ignorarem um alarme.

 

Preparem-se que isto vai tudo de uma vez só.
Vamos lá com jeitinho...

 

 

Não ignorem os alarmes. Respeitem os alarmes.

 

FURA! FURA! FURA! FURA!

"Frente Unida pelo Respeito ao Alarme"