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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Pratos e pratinhos

Não sei se é da idade ou se é mesmo alguma predisposição genética, mas parece que toda a gente chega a um ponto na vida que converge para o mesmo tipo de decoração. 

Eu não percebo o apelo, mas não é nada raro ver móveis e móveis cheios de porcelana, de vários pratinhos e jarras e chávenas. E porquê? Pela beleza? Sim, muito giro, aquele prato de porcelana foi concebido com um padrão. Parabéns. Encher uma sala com este tipo de coisas é assim tão giro? É assim tão reconfortante? Parecer que estamos nalguma loja para comprar um serviço de jantar em que nada é igual. Eu não percebo e espero que essa mania não me apanhe nunca.

 

Sem falar em todos os cuidados associados a este hábito, porque para além de passarem por um monge isolado nalguma remota localização, a vossa decoração não tem sentido prático nenhum. Não se pode tocar, cuidado para não partir, é o local preferido para acumular pó e todo o trabalho que daí advém. Além disso, por mais limpo que esteja, confere sempre um ar pré histórico a toda a divisão e parece que automaticamente gera um cheiro a mofo. Também me dá logo uma impressão de que são pessoas chatas. Porque não conheço ninguém interessante que mantenha quilos de porcelana inútil pelas paredes de casa. Até o podem ser, mas a partir do momento que vejo toda aquela loiça, a minha opinião está formada e não há volta a dar.

 

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Ainda consigo perceber ter quadros. Sim, a nível prático também não têm muito sentido, mas conferem um outro ar a toda uma divisão. É uma forma de arte interessante e bonita de se ver. Ninguém quer saber da porcelana. Só serve para acumular pó. Um quadro ainda desbloqueia conversa, mostra o teu gosto, confere personalidade a uma divisão. Porcelana é só... manifestação física de aborrecimento.

 

Além disso, não é como se os pudessem usar. Não. Parece que toda a gente que é dono deste tipo de decoração confere-lhe mais protecção que qualquer quadro no Louvre. Eu ainda me lembro que se me levantasse da mesa sem levantar o prato ia levar com a porra, mas, pelos vistos, se deixasse o prato em cima de uma prateleira no meio da sala já não ia ter problema nenhum. E ainda temos o caso das toalhas e toalhinhas na casa de banho que não se pode usar para secar as mãos, sob pena de cadeia caso não se cumpra com esse requesito, mas isso fica para outro dia.

 

Ok, eu sei que posso não ser a pessoa mais indicada para falar disto, ou de outra coisa qualquer, até porque o meu sentido de decoração manifesta-se em paletes de roupa espalhada por qualquer superfície e livros a ocupar qualquer espaço livre que encontro pelo caminho.

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 Mas pensem nisso, enquanto a porcelana não interessa a ninguém nem serve para nada, toda a minha roupa espalhada pode sempre ser vestida a qualquer momento. Quanto aos livros, espalhados por todas as divisões e superfícies, têm imenso uso. Posso usá-los como quiser: para lê-los a qualquer altura e nunca estar aborrecido, se precisar urgentemente de papel, arma de arremesso ou, em último caso, como combustível para queimar toda a casa quando o primeiro pratinho de porcelana assentar numa prateleira minha.

 

  

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