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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

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Papel do Panamá

Eu estou lixado com esta merda dos papéis do Panamá. Parece que toda a gente está metida nisto, mesmo. Então com as notícias só a promoverem o assunto, cada vez mais gente se interessa por papel do Panamá. 

 

Depois há as pessoas como eu, que toda a vida usaram papel do Panamá para os seus projectos e as suas coisas e, agora, fica complicadíssimo de arranjar. Parece mesmo que não há maneira de obter papel do Panamá nos tempos que correm.

papel panamá.png

 Parece que toda a gente descobriu o papel do Panamá, como se fosse um grande segredo antes disso. E agora andam todos lá metidos. Eu, que dependo de alguns materiais para exercer a minha profissão e cumprir com aquilo que ofereço, fico a arder.

 

Sem falar nos indignados que apareceram, saídos de alguma árvore como um pica-pau no cio, a acusarem toda a gente que usa papel do Panamá. Odeio estas modas. Arranjem outro hobby e deixem de copiar os interesses de toda a gente. Oxalá isto passe depressa. 

 

É que não passa de uma moda. "Jucenilde, ouvi agora nas notícias que o que está a dar é papel do Panamá, já encomendei duas resmas, antes que se acabe". Nem precisam desse papel. E vão fazer o quê com ele? É que para o que querem qualquer um serve. Usem papel português, que temos que contribuir para a industria local também. Ou, se querem papel da América Central, comprem papel da Costa Rica. Não tem metade da qualidade, mas, de certeza, serve perfeitamente para o que querem. Papel do Panamá é um artigo de luxo por uma razão, é preciso muito investimento para o produzir. E o seu uso é exclusivo também, portanto larguem as modas e deixem-no para os artesãos como eu.

 

Agora está esgotado, pois claro. Com todo este barulho à volta. E eu, que precisava urgentemente de reabastecer o meu stock, não tenho hipótese. Tenho um novo cliente que me encomendou setenta convites de luxo, impressos no melhor papel do Panamá. Claro que aceitei, é uma especialidade e um gosto. Depois vem esta nova moda e fico à rasca. Bem, cá vou ter de me arranjar. Não queria perder um cliente, muito menos um novo cliente, que se pode vir a tornar regular. A julgar pelo que me pediu, estes convites para uma festa de inauguração da sua nova mansão...

 

Por acaso não o conheço. Não faço ideia quem seja, ou como tem tanto dinheiro. Ou o que fez para o merecer e pôr a render, ou onde o guarda. Mas bem, isso não me diz respeito. Papel do Panamá é que interessa.