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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Queria? Já não quer?

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Os vivos-mortos.

Os mortos-vivos são muito populares, hoje em dia.

Dos vampiros aos zombies, passando pelas incontornáveis múmias, quase toda a gente tem como apogeu da monstruosidade e do grotesco os mortos-vivos. E eu até nem acho isso mal, já que essas figuras míticas são, realmente, bastante assustadoras.

 

Só que há piores...

 

Quem lambe as botas em demasia aos mortos-vivos apenas o faz porque não conhece os vivos-mortos.

Um vivo-morto é muito pior do que um morto-vivo em vários sentidos. Desde logo, porque no caso do último foi apenas o corpo que faleceu, enquanto que no primeiro foi o próprio espírito, a única razão pela qual vale a pena estar vivo.

 

exercise-in-futility-620x340.jpg"Gorete, liberte a minha agenda se faz favor."

 

Um vivo-morto é aquela pessoa que abre os olhos de manhã para ir para o trabalho mas só acorda realmente para a vida à hora de almoço, quando pode dar uma escapadinha do escritório. É aquela pessoa que viaja de Metro não por necessidade, mas apenas para ter uma desculpa para fechar os olhos pelo caminho sem correr o risco de matar alguém.

O vivo-morto passa a vida a fazer coisas de que não gosta durante dois terços da sua vida para que depois, já no último terço, possa fazer tudo aquilo que sempre quis fazer, embora com bastante menos tempo e, até, disponibilidade física e mental. Quer ganhar muito dinheiro para, um dia, talvez, poder gastar muito dinheiro.

Um vivo-morto tem horários definidos e calendários cheios. Tem agendas repletas de coisas para fazer e muito pouca vontade de as concretizar. Encara a família como um trabalho e o trabalho como a única família que lhe resta.

Os cérebros que um vivo-morto procura, tal como fazem os mortos-vivos, são os de pessoas que conseguiram fazer o que eles acham que nunca conseguiriam. Procuram, portanto, os cérebros de cineastas, de escritores, de pintores e de escultores; os cérebros de pessoas que decidiram, por opção própria, não ser vivos-mortos.

 

Tenho medo de mortos-vivos, sim... Mas tenho mais medo de um dia me tornar num vivo-morto.

Por favor, enfiem-me uma estaca no coração se me virem transformar num vivo-morto.

 

Obrigado.