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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

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Os perigos do "Dia das Mentiras"

Nunca percebi bem esta coisa do dia das mentiras. Não faz muito sentido para mim e, além disso, é um dia stressante e que nos distrai a todos. Um dia em que toda a gente desconfia de tudo e todos, sem motivo, só porque sim. Ainda se isso resolvesse o problema de nunca se mentir em mais dia nenhum do ano, mas não é isso que acontece. Nem eu queria que fosse, mentir é essencial.

 

Mas neste dia... não tem graça nenhuma. Principalmente no presente, em que o domínio dos new media torna tudo pior. Todo o dia são divulgadas mentiras atrás de mentiras com o único propósito de... ser engraçado? Aliás, parece que toda a gente se esforça mais no dia 1 de Abril para criar alguma mentira, que no resto do ano em reportar a verdade. Assustar, preocupar, enganar, criar expectativa, lançar o caos na sociedade, torna-se o objectivo deste dia, sem nenhum fim. A parte de revelar as mentiras já não é tão importante e deixa-se a descoberta ao critério de cada um. O que faz muito sentido também.

E depois há aqueles engraçadinhos que se aproveitam desta data para dizer e fazer o que quiserem, porque não há consequências, salvaguardados pela brincadeira e tradição. Não gosto.

 

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Para ilustrar isto, vou contar aqui duas coisas trágicas que aconteceram nesta data, em anos anteriores, e que demonstram os perigos desta brincadeira.
Tenho um amigo que no primeiro de Abril de 2013 decidiu ir às compras. Entrou numa ourivesaria e escolheu uma peça em ouro. Perguntou ao dono da loja se a podia levar de graça ao que lhe foi respondido que não. Ora, sendo dia das mentiras, este meu amigo pensou que lhe estava a ser contada uma e interpretou isso como tendo autorização para levar a peça sem ter de pagar. Obvio. Quem não o iria fazer, dadas as circunstâncias?
A isto seguiu-se uma perseguição policial a alta velocidade que, infelizmente, acabou na morte de um polícia. Há data de hoje, este meu amigo ainda se encontra preso. E tudo por causa do dia das mentiras.

 

 

 

Tinha outro amigo que, no ano passado, e perante o cenário de ver o amor da sua vida a emigrar, decidiu declarar-se. Foi um sucesso, ela sempre tinha sentido o mesmo por ele. Mas agora havia um problema: ela emigrava no dia seguinte.

Esse meu amigo, como não a queria perder, comprometeu-se a ir com ela. Passou essa semana toda a tratar dos assuntos que tinha a tratar, vendeu a casa, o carro e a maior parte das suas posses, despediu-se do emprego com palavras nada agradáveis para o chefe e mandou a mãe ir levar na anilha porque esta não aprovava a relação. Abandonou tudo e foi ter com ela. Ora bem, para ela tudo não tinha passado de uma mentira de primeiro de Abril que, obviamente, não se preocupou em esclarecer. Na verdade, ela sempre o tinha odiado e até tinha namorado. O meu amigo atirou-se de uma ponte nesse dia. E pronto, mais uma vítima deste dia tão engraçado.

 

O dia das mentiras é perigoso. Diz não à mentira!