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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

O quase-rapto do Manuel.

No final de um solarengo dia de aulas:

- Manuel, conheces aquelas pessoas que estão ali ao portão, dentro daquele carro?

- Acho que sim, s'tora, mas não tenho a certeza... - respondeu Manuel, sem nunca tirar os olhos do ecrã do telemóvel. - Vai-me chumbar por causa disso?

- Não, rapaz, tem calma. Aqueles, segundo o que consegui deduzir das últimas reuniões, são os teus pais.

- Os meus pais, s'tora? - repetiu, erguendo agora a cabeça.

- Os teus pais, Manuel.

Manuel parecia confuso, não sabia bem como processar aquela nova informação. Mal conhecia aquela gente, e agora estavam a dizer-lhe que eram pessoas que até devia ter em conta. A professora deu-lhe uma ajuda:

- É assim: eles ensinam-te bons comportamentos e valores morais, mas eu ensino aritmética, que é aquilo de que realmente vais precisar ao longo da tua vida, todos os dias. Por isso é que passas mais tempo - muito mais tempo - aqui, comigo, do que em casa com eles.

- Pois, s'tora, eu percebo... Nunca ninguém enriqueceu à conta de valores morais...

- É bem verdade, meu rapaz, é bem verdade! - rematou a professora, meio a sorrir. - Mas vá, agora corre para o carro para ires ter com a tua fam...

Enquanto a docente dizia estas palavras, ouviu-se o sino da escola. Era hora de entrar para as aulas.

- Bem, se calhar não... Vá, meu menino, para a sala de aula, que hoje vamos dar funções logarítmicas!

- Yeeeei! - exclamou Manuel, dizendo adeus com uma mão e mandando piretes com a outra ao carro parado em frente à escola.

Percebe-se.

Porque, afinal, o raio do rapaz até tinha conhecimento, mas não tinha educação nenhuma.