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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

O adeus às selfies da Alda.

Estou bastante triste.

Perdoem-me se vos escrever hoje com um significativo pesar ou até um ligeiro mau humor, mas é que acabei de chegar de um funeral de uma amiga minha. Ou DO funeral de uma amiga minha, vá, porque, em princípio, ela não terá mais nenhum depois deste.

 

A minha amiga chamava-se Alda, e morreu de selfie. "De quê?", perguntam vocês? De selfie, sim. Não me façam ter de me repetir, já sabem que eu hoje não estou bem.

O que se passou foi o seguinte: a Alda, perfeitamente consciente de que não fazia parte da lista das miúdas mais bonitas lá da escola, começou a descurar os estudos e a empenhar-se na arte de tirar selfies. Começou com câmaras fotográficas digitais e depois, quando a tecnologia o permitiu, passou para o telemóvel. Tentou todas as técnicas: pôr os dedos em "V", fazer duckface, até mostrar um pouco da parte inferior dos seios, com a barriga à mostra; de pouco lhe serviu.

Como nunca estava satisfeita, apesar de já contar com um número considerável de likes a cada selfie que tirava, continuou a tirá-las, às dezenas e centenas por dia. Começou a desenvolver uma forte rigidez no músculo do braço direito (era destra) e uma paralisia no ombro esquerdo (perdão, afinal era ambidestra).

Quando lhe foram diagnosticados ambos os problemas, ainda tentou usar o recente selfie stick para tentar reverter, ou, pelo menos, remediar a situação, mas já não foi a tempo. Alda estava condenada.

 

Numa fase final da sua vida, consta que ainda tentou pedir aos seus pares que lhe tirassem fotografias para ela colocar nas redes sociais, mas dizem que achou sempre que, sem aquele bocadinho de braço esticado num dos cantos inferiores da imagem, as fotos não eram grande espingarda.

 

Ainda não sei bem do que morreu a Alda. A autópsia fala em agravamento das suas condições nos braços, que se alastraram para o resto do corpo, mas, para mim, foi de desgosto.

Alda foi cremada, a seu próprio pedido, e as suas cinzas espalhadas numa loja da Apple que, ao lado, tinha uma fábrica de espelhos, as duas coisas que ela mais gostava na vida.

 

Sinto falta da Alda.

Sinto falta das suas selfies.

 

Partilhem esta publicação, em nome de todas as Aldas que conhecem neste Mundo!

Porque a minha, infelizmente, já não faz parte dele.