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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

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Entrevista exclusiva a um criador de dragões

Algo diferente do habitual aqui neste espaço, hoje trago-vos uma entrevista exclusiva a um homem que faz criação de dragões. 

Deixo-vos, então, com a entrevista, que realizei muito recentemente na minha sala de estar, já traduzida para português e que pode interessar aos fãs de uma certa série...

 

Vasco: Olá! Desde já agradeço a disponibilidade e por ter aceitado esta entrevista. Comecemos pelo básico: diga-nos quem é e o que faz.

 

Drake Huvud: Olá. Não tem nada que agradecer, é com muito prazer que estou aqui a falar consigo. É a primeira entrevista que me fazem, portanto já está a ser especial [risos]. O público tende a não ter muito interesse por pessoas como eu, ou chega mesmo a pensar que o que faço não existe.
Ora bem, o meu nome é Drake Huvud, tenho trinta e sete anos, sou sueco e sou criador de dragões. Sou também o dono dos dragões que actuam na popular série "Guerra dos Tronos".

 

game of thrones

 

 

V: Isso mesmo. Drake Huvud, o homem por trás dos dragões de um fenómeno televisivo. É esse o principal motivo e a razão que me trouxe a esta entrevista. Mas vamos abordar algumas bases primeiro. Disse algo que é interessante e que me intriga. É mesmo verdade que a maioria das pessoas nem sabe que alguém como o senhor existe? Quando estava a fazer pesquisa para esta entrevista é que reparei que não é uma profissão muito reconhecida...

 

D.H.: Sim, é verdade. É um bocadinho desmoralizador, mas é a realidade. As pessoas ainda pensam que os dragões não existem, que são um produto da imaginação e que aqueles que vemos nos nossos ecrãs em todo o tipo de filmes e séries não passam de bonecos, fantoches, ou são gerados por computador [risos]. Não sei porquê, alguém deve ter começado esse rumor e foi aceite como verdade. O que acontece é que existem dragões sim, claro que sim. E estão à vista de todos na natureza.

 

Dragão bebé

Um dos dragões, este ainda bebé, que fazem parte da criação de Drake Huvud.

 

 

V: O seu interesse por dragões veio de onde? E como começou o seu negócio de os criar? 

 

D.H.: Ora, o interesse por dragões já vem desde criança, mesmo. Sempre gostei muito de animais, mas os dragões sempre me fascinaram desde que era catraio. Tem tudo a ver com o meu pai, foi ele que criou este negócio que agora me pertence.

 

V: Então o seu pai era criador de dragões e você seguiu-lhe as pisadas.

 

D.H.: Mais ou menos. O meu pai começou o negócio, mas já com o intuito de eu o liderar num futuro próximo. O meu pai foi, durante anos, segurança de uma cabine de telefone pública. Funcionário exemplar, cordial e honesto. Cumpria o seu dever de não deixar ninguém roubar o telefone, roubar troco que não lhe pertencia, praticar sexo por telefone, enfim, o normal. O problema foi que quando começaram a surgir os telemóveis, as cabines telefónicas deixaram de ser muito utilizadas e o negócio foi perdendo a sua força. Foi avisado que iria ser dispensado e, num dos últimos dias de trabalho, contra tudo o que sempre fez, ficou com as moedas de troco esquecidas em vez de as entregar nos perdidos e achados. A caminho de casa usou-as para jogar na lotaria e ganhou o primeiro prémio.
Como sempre gostou de dragões e partilhava comigo esse gosto, decidiu investir os seus ganhos na criação de dragões. Falou com uma prima minha, que faz criação de unicórnios, e com um antigo vizinho que se dedica à criação de hipogrifos, para saber como começar, comprou dois dragões e montou o negócio. Na altura fui estudar biologia para a universidade e ele foi dando os passos iniciais na área, com o intuito de fazer crescer e estabilizar o negócio para eu lhe tomar as rédeas quando saísse da universidade. Assim foi, e é esta a história.

 

V: Então começou tudo com uma aposta ganha na lotaria e agora é dono do maior e mais bem sucedido negócio de criação e treino de dragões. Como foi o desenvolvimento do negócio até chegar ao ponto que está?

 

D.H.: O desenvolvimento foi natural. Foi saber evoluir e aproveitar as oportunidades que iam aparecendo e saber inovar. Fomos os primeiros a criar e treinar dragões com o intuito de fazer deles actores e colocá-los no grande ecrã. Deparámo-nos com muita resistência ao principio, muita falta de confiança no nosso trabalho. A indústria não acreditava ser possível utilizar o talento dos dragões para filmes live-action, mas com trabalho e perseverança conseguimos estabelecer-nos na vanguarda da criação e treino de dragões. 
Começámos como todos, fazendo criação de dragões e vendíamos a quem os quisesse. Foi assim que fomos obtendo lucro e fazendo crescer o negócio. Passado uns anos de dedicação apenas à criação, decidimos começar a investir na criação e treino, para os podermos utilizar nas mais variadas actividades. Assim, deixámos de vez o negócio de os comercializar. Como com a maioria dos criadores/tratadores/treinadores de dragões, fomos conseguindo alguns negócios para presenças, festas de anos, espectáculos. Com o desenvolvimento da tecnologia, avançamos para outras áreas. Todos os dragões do "Dragon Ball" foram criados com base em motion-capture feita pelos nossos dragões, por exemplo. Apostámos bastante nessa área e fizemos esse tipo de trabalho para diversos desenhos animados. 

shelong

Um dos dragões de Drake Huvud, Arvika, foi usado para representar Shenlong.

 

Apostámos muito, também, na área dos videojogos. Isto tudo ainda é muito requisitado hoje em dia e continua a ser uma parcela importante do nosso trabalho. Mas a revolução deu-se com o filme "DragonHeart", o primeiro a contar com um dos nossos dragões. O sucesso foi tão grande que a partir daí nunca mais olhamos para trás. Hoje em dia, este é o nosso principal foco. A criação e treino de dragões para o cinema e televisão. Contamos com dragões em todos os filmes e séries que precisem, desde os franchises de o "Harry Potter" e "O Hobbit" , à série "Guerra dos Tronos".

 

 

V: Fascinante. E era precisamente a isso que queria chegar, ao motivo que nos juntou: "A Guerra dos Tronos". Como é que surgiu o convite e como é fazer parte, com os seus dragões, deste fenómeno? 

 

D.H.: Surgiu de forma natural, através da nossa agência. Procuravam três dragões ainda bebés que se pudessem comprometer a filmar a série na sua totalidade e sabiam que nós somos os melhores no nosso ramo. Tínhamos aquilo que procuravam e fomos contratados.
Quanto à experiência... tem sido fantástica. É, sem dúvida, extremamente gratificante ver o nosso trabalho reconhecido através dos nossos meninos. Poder fazer parte de algo com esta envergadura. Muito contente com tudo o que se tem passado, e, claro, muito mérito dos dragões: Leonardo, Donatello, Michelangelo e Raphael.

drogonRhaegalviserion

 

 

V: Interessante, usam quatro dragões para representar os três que existem na série. Além disso, deu-lhes os nomes de quatro mestres renascen...

 

D.H.: Das tartarugas ninja, sim!

 

V: Sim, também, mas são os nomes de grandes pintores renascentistas...

 

D.H.: Não, não. Estás a confundir. Devem ser outros. Estes são os nomes das tartarugas ninja. Em jeito de homenagem. Sou grande fã.

 

 V: Ok, não interessa. Mas então, usam quatro dragões para representar os três que vemos na série?

 

D.H.: Hmm... Não propriamente. No total já usámos quatro, sim, mas apenas por razões de força maior. Tivemos de substituir um deles a meio da terceira temporada. 

 

V: A sério? Ninguém notou nada. Mas então o que se passou?

 

D.H.: Sabes... Não, não sabes, mas vou-te dizer: trabalhar com dragões não é fácil. Nós temos muita experiência, fazêmo-lo há anos... mas é difícil. São muito voláteis e qualquer coisa pode acontecer. É normal perder-se muitas vidas durante filmagens como estas. No entanto, costuma restringir-se à equipa de produção, operadores de câmara, o pessoal do catering... enfim, ninguém se importa. É esperado e ninguém quer saber. não fazem falta. O que aconteceu foi que um dos dragões, o Donatello, ficou muito frustrado com a Emilia Clarke [actriz que interpreta a personagem "Daenerys Targaryen"]. Ela estava constantemente a esquecer-se do seu diálogo, a esquecer o que devia fazer na cena, e Donatello foi ficando cada vez mais cansado e impaciente... A culpa não foi dele, coitado, aliás, ela é que estava bêbeda que eu bem vi, mas isso não é para aqui chamado agora, fica para outro dia.

 

V: Mas, então, o que aconteceu?

 

D.H.: Ah, sim. Bem, ele matou-a. Sim. Cuspiu uma enorme labareda na direcção dela e, de seguida, engoliu-a inteira. Passou-se, perdeu a paciência e o mau feitio levou a melhor. Sempre foi um dragão difícil...

 

V: O quê? O que é que está a dizer? Que um dos seus dragões matou a actriz Emilia Clarke? Mas ela ainda está na série e todos sabemos que está viva.

 

D.H.: Matou sim senhor. A Emilia Clarke viva não está; isso posso garantir-lhe. Quem tem visto é a Amélia Clara. Um clone da Emilia Clarke. Foi um grande problema. Não é que tenha sido escondido, mas a HBO evitou falar disso ao máximo para não desviar a atenção dos fãs e, sinceramente, da nossa parte, também nos convinha que não se falasse muito na altura. Com todas as outras mortes ninguém se importa, mas quando é uma das estrelas... O que vale é que temos seguro contra todos os riscos, seguro de vida e seguro de dragão, que cobre as mortes causadas no set de filmagens.
Para evitar problemas maiores, e para conseguir seguir-se com a série sem esta ser afectada, sugeri que a produção contactasse uma amiga minha que tem um negócio de criação de clones. Por acaso é portuguesa, mas está sediada na Croácia. E assim foi, a produção e o nosso seguro trataram de tudo e a minha amiga cumpriu a sua parte e pronto, substituiu-se a Emilia pela Amélia e penso que ninguém deu por nada. No final, acabou tudo bem, nessa frente. Quanto ao Donatello, ninguém se sentia seguro a filmar com ele e tivemos de o abater. Daí que trouxemos o Michelangelo para o substituir e é por isso que já usámos quatro dragões durante a série.

 

AméliaAmélia Clara, clone da actriz Emilia Clarke, que a substituiu na série, após a sua trágica morte.

 

 

V: Não foi o único problema que os dragões causaram, contudo. Ouvi dizer que a série teve de alterar algumas coisas que estavam planeadas por causa de problemas com os dragões...

 

D.H.: É verdade. Nem tudo tem sido um conto de fadas. Digo é, desde já, que tudo isto já está ultrapassado e não há motivo nenhum para apreensão por parte dos fãs. Mas houve alguns momentos difíceis. O que temos de perceber é que a vida destes dragões mudou completamente. De um momento para o outro eram estrelas mundiais. Toda a gente os reconhecia. E eles foram crescendo à nossa frente, no pequeno ecrã. Entraram muito novos neste mundo e, admito, não os consegui controlar da melhor maneira. Serve de aprendizagem. 

Cresceram com a fama e glória e quanto mais tempo passou, alguns problemas foram surgindo. Confirmo os rumores que diziam que o Leonardo sofreu uma overdose. É verdade. O Leonardo, como todos sabem, desempenha o papel de "Drogon". A fama foi demais para ele, e tal como a tantos outros, sucumbiu à pressão. Enveredou por caminhos que não são os melhores e levou com ele os irmãos. Daí que grande parte das suas histórias tenham sido cortadas de algumas temporadas e tenham-se restringido a aparições esporádicas. Os problemas com as drogas ficaram mesmo sérios e tiveram de dar entrada numa clínica de reabilitação. Daí que certas coisas tenham acontecido - quem vê a série saberá - que impedem os dragões de aparecer muita vez. Além disso, ainda há o caso de abuso sexual a uma lagartixa e dois camaleões, mas disso não posso falar porque ainda decorre o caso na justiça.
Aviso já que todos estes problemas foram resolvidos e essa situação irá mudar brevemente. Agradecer também a toda a produção e à HBO por todo o apoio prestado durante os momentos menos bons que os meus meninos passaram. Mas, são coisas que acontecem e nos tornam mais fortes. 

 

V: Ainda bem que tudo está resolvido e a voltar à normalidade. Quanto ao futuro, sabe o que nos reserva em relação à série? Sabe, por exemplo, quem estará sentado no trono no final?

 

D.H.: O futuro é brilhante. Temos uma grande temporada para mostrar às pessoas e já estou a começar a treinar os dragões para o próximo ano, que será ainda mais intenso e cada vez com mais preponderância dos meus meninos. Estou muito entusiasmado. 

Quanto à sua pergunta, sim, claro que sei. Desde que não diga a ninguém, posso partilhar essa informação consigo em off...

Ora, então, no final será o Drogon no trono de ferro. Os outros dragões morrem em batalha, bem como a maior parte das personagens. A última cena da série é o Drogon sentado de perna cruzada a beber um chá de camomila, com mel e limão (tem de amaciar a garganta, todo aquele fogo inflama), enquanto tudo o resto à sua volta queima e se reduz a cinzas. 

Agora, não contes é isto a ninguém. Podes voltar a gravar a conversa.

 

V: Drake Huvud, foi um prazer. Muito obrigado por esta entrevista e felicidades.

 

D.H.: O prazer foi partilhado. Muito obrigado e "Keep Burning It!"

 

haha... :(