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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

De fazer crescer demasiada água na boca.

Peço desculpa por vos estar a escrever novamente num tom um bocado cabisbaixo, mas é que morreu outra amizade minha.

Quer dizer, não foi bem a amizade que morreu, foi mesmo o amigo. Embora suponha que, depois da morte dele, não possa haver muitas mais interacções de amizade entre nós... Seria só estranho.

 

Desta vez, quem morreu foi o Frederico. Ou o "Rico", como nós o chamávamos, só para contrariar aquelas pessoas que costumam abreviar para "Fred".

O Rico adorava comida, mas não gostava de comer. Sim, é verdade; o Rico apenas gostava de pensar na comida, imaginá-la, reflectir sobre ela.

A sua verdadeira tara era salivar. Era um caso estranho, quase patológico, mas era a cena dele e nós não o chateávamos. Porque éramos verdadeiros amigos do Rico!

A sua rede social favorita, como devem imaginar, era o Instagram. Aliás, este seu vício começou por ele andar a apreciar as fotos de almoços e jantares gostosos cheios de filtros coloridos que os amigos iam publicando.

 

Tal como aconteceu como a Alda, também o Rico morreu, ao menos, a fazer aquilo de que realmente gostava: a imaginar comida.

O que aconteceu foi o seguinte: o Rico passou oito meses fora de casa, a viajar pelo Mundo para conhecer vários outros pratos e estilos de cozinha que pudesse, mais tarde, já no conforto do lar, imaginar. À sua chegada foi a casa dos pais, que o receberam de braços abertos e com uma mesa cheia de todos os seus pratos favoritos.

Rico não aguentou.

Cresceu-lhe tanta água na boca que ele afogou-se ali mesmo, sentado à mesa. Os seus pais ainda lhe atiraram uma bóia salva-vidas, o que foi só estúpido porque não lhe ajudou em nada. Só lhe causou um hematoma na cabeça.

Aliás, o patologista que analisou o corpo ainda pensou que a causa da morte tivesse sido mesmo o hematoma, porque era só estúpido alguém morrer de excesso de saliva na boca. Mas, quando lhe abriu o maxilar, reparou que era verdade, tanto que foi obrigado a ir buscar uma esfregona ao bloco operatório (onde estavam a tentar estancar o sangue de um paciente) para ir limpar o chão da morgue.

 

É uma pena ver uma pessoa tão jovem e saudável como o Rico morrer assim, tão cedo.

Sim, porque, apesar do seu amor pela comida, o Rico não pesava mais de 65 quilos (o seu peso ideal), já que não chegava a comer realmente; só se imaginava a fazê-lo.

 

Tenho saudades do Rico. Saudades dos jantares do pessoal em que todos nós comíamos e ele ficava só especado a ver-nos.

Grande abraço, Frederico! Espero que estejas a imaginar a melhor refeição do Mundo aí em cima.

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