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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Queria? Já não quer?

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Cruzadas Modernas

Ora bem, esta será a minha primeira e última publicação neste espaço, pois, como vão perceber, fui incumbido de uma missão sagrada e não posso desperdiçar muito tempo com brincadeiras (só por esta perda de tempo já terei que encontrar alguma forma de auto flagelo que me agrade – parecem todas tão bárbaras, não acham?).

 

Há quem veja a cara do Senhor numa torrada, nas nuvens, nas páginas de um livro, numa mancha de bolor que se acumula há três meses na banheira que já deviam ter limpo ou num pedaço de papel higiénico após este ter cumprido o seu propósito. Tudo opções válidas, é certo, mas um pouco fora de moda e que deixam muito espaço à interpretação. Também há aqueles que vêem, sobre uma azinheira, senhoras mais brancas que o sol. Decerto, estas senhoras estando desagradas com a vida se viram para o álcool e ao abrigo de uma árvore contam segredos a crianças impressionáveis, marcando-as para a vida. Mas isto não é para aqui chamado.  

 

Eu fui contactado por Ele. Sim, esse mesmo, o Altíssimo. Deus, como lhe chamam (eu prefiro Almerindo. Acho que torna a nossa relação mais pessoal). Através do seu melhor subordinado foi-me passada uma mensagem, uma ordem para agir, ao bom estilo das saudosas cruzadas. O papa mandou-me uma SMS. Vêem como é fácil? Uma mensagem e não há espaço a interpretação, não há dúvida que abale a vontade Dele, finalmente um propósito de vida.

 

 

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Ok, podem dizer que recebi uma mensagem que só dizia que o papa tinha adorado o livroRevolutionary Road e que mal podia esperar para ver o filme. E que isso não significa nada. Que o livro nem é sobre nenhuma revolução nem nada que se pareça. Mas se o dissessem iriam estar enganados. Está lá tudo. Todas as instruções para o que fazer nestes tempos conturbados. É a palavra do senhor a dar-me uma ordem directa para agir e espalhar a sua vontade.  

 

É óbvio que a mensagem está codificada, de outra forma não podia ser. Primeiro porque a recebi num sonho, logo teria que estar com as devidas protecções caso alguém andasse a vaguear pelo meu subconsciente à la Inception e fosse dar com mensagens confidenciais. Segundo, porque Ele tinha de saber se eu estava à altura e, como se diz, “god works in mysterious ways”. Posto isto, é muito fácil compreender: Dizer que adorou aquele livro é o mesmo que dizer que já tem os planos e objectivo de começar uma revolução ideológica. Dizer que mal pode esperar para ver o filme é, claramente, a ordem para eu levar a cabo essa missão.

 

Continuam sem perceber e achar que sou só mais um com delírios a achar que fala com Deus e que Este lhe incumbiu de algo maior que ele próprio?

 

 

Pois, bem me parecia.