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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Conheci um vampiro na noite.

Ontem, depois do estranho episódio do oculista, decidi ir sair à noite para espairecer e conhecer gente nova e menos esquisita.

Não tive sorte, porque conheci um vampiro.

 

Sim, um vampiro.

Daqueles que bebem sangue e têm afiados caninos.

 

ag.png  Não, não são estes "afiados caninos".

 

A coisa aconteceu assim...

Saí à noite e conheci uma miúda. Ela estava pálida, coitada, parecia que ia desfalecer a qualquer momento.

Ofereci-lhe uma bebida, mas ela recusou porque estava com o namorado e ele não apreciava que ela tivesse álcool no sangue. Eu respondi-lhe que ela mal tinha sangue, e rimo-nos os dois imenso.

 

Quando o namorado finalmente chegou ao pé de nós, parecendo acabado de acordar, nem se importou muito que estivéssemos ali à conversa. Aliás, pareceu até entusiasmado por me conhecer, elogiando imenso a minha cara rosada.

Acontece-me ficar corado sempre que saio à noite, não sei se será do álcool...

 

Depois de umas cinco ou seis larachas, conversa puxa conversa e acabamos por combinar uma cena a três.

Mas tinha de ser em minha casa, porque a casa deles estava em remodelações ou não sei quê. Falaram-me em tábuas de madeira, foi o que eu deduzi.

 

images.jpgOu então viviam numa carpintaria.

 

Lá fomos para minha casa mas, a caminho, a rapariga sentiu-se mal: aquilo que eu temia realmente aconteceu, ela estava com uma espécie de anemia esquisita.

Levamo-la para o hospital – embora só eu tenha entrado, o namorado ficou à porta – e depois arrancamos para a minha casa na mesma, combinando que o tipo dormiria no meu sofá da sala.

 

A caminho, lá o gajo me confessou que era vampiro e que era por sua causa que a namorada estava naquele estado.

Eu não disse nada, porque não sou de me meter na vida dos outros, mas tomei uma nota mental de não lhe apresentar nenhum prato com alho no dia seguinte.

 

Chegados a casa, já quase de madrugada, instalamo-nos os dois nos respectivos aposentos e ele adormeceu quase instantaneamente, depois de fechar a janela e de se deitar com as mãos por cima do peito.

 

Acordei por volta do meio-dia e o tipo nada...

Almocei e fui ver televisão para o quarto.

 

À hora do lanche, ainda nada...

Não havia maneira de ele acordar.

 

Só quando se aproximou a hora do jantar é que ele despertou, sem adiantar qualquer justificação.

Eu, como bom anfitrião que sou, também não quis tecer comentários, por isso limitei-me a fazer o jantar para os dois. Tomei cuidado para não incluir alho na receita.

 

Na hora de comer, eu rezei e ele murmurou qualquer coisa visivelmente desagradável entredentes. Ao dar a primeira dentada, cuspiu-se todo e reparei que tinha o interior da boca como que a arder.

Eu estranhei, porque a comida não estava assim tão quente como isso, mas depois é que ele me explicou: era um tipo de vampiro diferente, que reagia mal a cominhos e não a alho.

 

Senti-me péssimo, como seria de esperar, mas não podia adivinhar aquilo. Nunca tinha ouvido falar em tal coisa!

 

Ele despediu-se de forma abrupta, murmurando qualquer coisa sobre ir buscar a namorada ao hospital e ter de entrar pela janela, mas eu nem liguei.

Depois daquele tratamento, fiquei deveras chateado.

 

E pronto, o vampiro foi-se embora e eu fiquei com uma panela de feijoada à portuguesa com uma generosa dose de cominhos.

 

Alguém é servido?