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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

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Art Debunkel: O Início - Parte 2

O Início - Parte 1

 

Art Debunkel, jornalista, filósofo e crítico do mundano. Morreu, tragicamente, a 17 de Junho de 2016.

 

Antes de prosseguir, apenas esclarecer a situação de Art Debunkel neste ponto da história, porque penso que possa não ter sido totalmente perceptível.

Art Debunkel nasceu com o sexo masculino e permaneceu com ele até ao fim da sua vida. Quando tentou vender os seus primeiros textos/críticas a ambos os jornais, tinha quarenta e um anos de idade. Iria permanecer na universidade durante mais três anos, até, finalmente, o seu trabalho ser reconhecido.

 

Um esclarecimento em relação à universidade: Debunkel trabalhava lá como empregado de limpeza. Se calhar dei a impressão que era estudante e que isto se passava enquanto era um homem mais novo, mas nada disso. Debunkel nunca frequentou aquela universidade na condição de estudante; nem aquela nem nenhuma. No dia que era suposto fazer o exame de admissão, Art Debunkel engasgou-se com uma sandes de peru e, quando lhe fizeram a artimanha de Strepcox, demorou a recuperar da dor no baixo-ventre. Dadas as circunstâncias, não pode montar a sua bicicleta e teve de caminhar até ao centro de admissões. Quando lá chegou, já tinha perdido a oportunidade de fazer o exame. Perguntou a um dos responsáveis se era possível repetir a prova e foi-lhe dito que o poderia fazer se saísse naquele momento e apanhasse cinco rãs roxas no tanque que se encontrava no jardim. Debunkel saiu imediatamente à procura das rãs e não percebeu que era uma piada do examinador, que iria haver novos exames no mês seguinte. Desistiu de caçar as rãs passado uma hora e foi para casa resignado com o seu destino, sem nunca retornar para fazer a sua prova e falhando assim o acesso à universidade.

 

Sempre acreditando no seu potencial, Debunkel ingressou na pintura e tentou vender as suas obras a vários colecionadores ou expô-las em galerias. Nunca teve sucesso nesse seu projecto porque, como lhe explicaram, era pintor de casas e não de quadros; não era passível de expor o seu trabalho em galerias, além de que era contratado para pintar paredes e as casas não eram suas para vender, por mais que alegasse que aquilo era a sua arte e muito mais válida que peças de arte moderna que via em museus; até porque era muito bom pintor e nunca pintava fora das linhas, como se podia ver nos vários livros de colorir que possuía, e que também tentou comercializar na beira da estrada ou em feiras.

 

Não existem muitas informações sobre este período intermédio da vida de Art Debunkel, mas podemos deduzir que se tratou de um período de grande aprendizagem e observação, que mais tarde lhe viria a trazer felicidade.

Foi nesta época que começou a produzir a sua obra escrita, que só viria a ver a luz do dia anos mais tarde (Debunkel escrevia durante a noite e, quando acabava, arrumava os cadernos num cofre, daí que estes nunca viam a luz do dia).

Quando alcançou os trinta e oito anos de idade, arranjou emprego na universidade como empregado de limpeza. Encarou este acontecimento como justiça poética, pelo facto de finalmente estar na universidade e logo no dia em que, por acaso, deu com cinco rãs roxas a nadar no meio dos seus cereais de pequeno-almoço. Veio-se a verificar que as rãs eram, na realidade, verdes, mas estavam em estado de hipotermia e a nadar para se aquecerem. Debunkel cuidou daquelas rãs até ao fim da vida – da vida delas, que foi curta, acabaram mesmo por morrer de hipotermia e nunca se chegou a perceber como tinham ido ali parar.  

 

Enquanto trabalhou na universidade, desenvolvia e tentava vender as suas obras e ideias. Durante todo esse tempo, continuou a viver com a mãe, ainda que esta não soubesse.

 

Três anos após ter começado a trabalhar na universidade, Debunkel tornou-se uma referência e um nome a reter. Depois de todas as rejeições por parte de jornais e editoras, Debunkel alcançou fama imediata por ter exposto o presidente da junta de freguesia, ao revelar que este cortava as unhas nas horas de expediente e com um corta-unhas adquirido com dinheiro público. O caso, que chocou a população, transformou o senhor Debunkel numa celebridade e repórter respeitado. Abandonou o seu emprego para ter o seu programa de rádio e liberdade para publicar as suas obras.

 

Começava, assim, a ascensão de Art Debunkel.