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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

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Art Debunkel: O Início

Art Debunkel, jornalista, filósofo e crítico do mundano. Morreu, tragicamente, a 17 de Junho de 2016.

 

Num dos seus últimos projectos em vida, o senhor Debunkel estava a reunir em livro uma colecção das suas críticas ao mundano e experiências. Seriam situações de vida que normalmente não recebem críticas e só quem passa por elas é que pode opinar e partilhar a sua experiência. Foi deste modo, aliás, que o senhor Debunkel começou por abordar este seu projecto; o seu mais antigo e passional.

Debunkel começou as suas críticas ao que todos julgavam ser uma parvoíce enquanto ainda estava na universidade, com o objectivo de vender os seus textos ao jornal e ganhar algum dinheiro extra. Quando o editor lhe disse que o que Debunkel tinha escrito era estúpido mas divertido quanto baste e que podia, ocasionalmente, publicar na edição de fim-de-semana na última página, a acompanhar o pequeno cartoon que lá constava desde o primeiro número [1], Debunkel não só recusou veementemente, como desejou que o editor sofresse uma morte dolorosa [2], sendo trucidado pelas plantas que mantinha em pequenos vasos por todo o seu escritório.

Art Debunkel considerava o seu trabalho demasiado sério e relevante para ser tratado com jocosidade e não admitiria que lhe fizessem passar por parvo. Levou a sua proposta, então, ao jornal da universidade que frequentava. Sempre se dera bem com a equipa do “Friki Triki”, o periódico universitário (o nome é o do primeiro reitor daquela instituição, como homenagem); quando ficou a saber que nenhum deles era pago nem que o iriam pagar a ele, Debunkel, uma vez mais, não reagiu bem. Desejou que todos eles tivessem um futuro brilhante e que o Plinksy (o editor) tivesse um filho padeiro [3].

 

Para esclarecer alguns pontos:

[1] Desde o primeiro número do jornal (na sua edição de fim-de-semana), quinze anos antes de Art Debunkel tentar vender os seus textos, que era sempre o mesmo cartoon, sem nenhuma alteração. Este caso insólito deve-se ao contrato que havia com o artista que o desenhou; estipulava que durante um prazo nunca inferior a cinquenta anos, o jornal só podia contar com um cartoonista e não podia publicar nenhum cartoon feito por mais ninguém. Também incluído no contrato estava a cláusula que garantia que todas as edições tinham, obrigatoriamente, de contar com um cartoon seu publicado.

A razão para ser sempre o mesmo cartoon prende-se com o facto de o artista ter cumprido o seu dever para a primeira edição e, no dia seguinte, ter visto uma abelha a pousar em cima de uma joaninha em pleno voo. Segundo Desnhak (o cartoonista), nunca iria ver nem conseguir reproduzir algo tão belo como aquilo e, portanto, recusava-se a desenhar mais. Como o contrato assinado não lhe exigia nada a ele, e recusou-se a rescindir com o jornal, a única alternativa foi continuar a publicar sempre o mesmo cartoon.

 

[2] Debunkel não dizia nada ao acaso, muito menos fazia ameaças em vão. A sua fúria em relação ao menosprezo que tinha sentido tomou aqui proporções drásticas e maquiavélicas.

Depois do insulto de que considerou ter sido alvo, Debunkel voltou todas as noites, durante um ano, ao escritório daquele editor-chefe, cujo nome era Holass. Foi trazendo novas plantas, cada vez maiores, encenava lutas de plantas, como se estivessem a atacar-se umas às outras, com folhas e terra espalhadas. Comprou dentes prostéticos e colou-os às flores, de forma a parecer que lhes estavam a crescer naturalmente. Holass foi notando estas mudanças, mas estava demasiado ocupado para se preocupar. Achava normal, afinal, eram plantas exóticas. Quando estas já atingiam o tecto do seu escritório e todos os dias havia alguma carnificina vegetal a limpar, o Holass começou a ficar apreensivo e decidiu fazer queixa na polícia e mudar de escritório.

A polícia deteve as plantas para interrogatório, mas não conseguiu que estas abrissem a boca. No final, foi emitida uma ordem de restrição e as plantas ficaram impedidas de se aproximar do seu proprietário. Não obstante a ordem judicial, no dia seguinte lá estavam elas, de novo no escritório, ainda mais ameaçadoras e com a carcaça de um cavalo completamente esquartejada no chão.

Mais uma vez a polícia interveio, sem nada conseguir provar.

Na manhã seguinte, Holass foi encontrado morto no seu escritório. O seu sangue espalhado por todas as plantas, que naquele dia se encontravam com os dentes à mostra. Foram detidas e condenadas à pena de morte ­– sujeitas a serem-lhes provocadas cócegas com recurso a uma pena, de forma a rirem-se até ficar sem ar e morrerem. Quando perceberam que o método habitual não estava a resultar com as plantas, queimaram-nas. Debunkel assistiu a todo este processo, deliciado com a conclusão do seu plano e com a vingança obtida.

Anos mais tarde, Debunkel viria a admitir que fora ele que assassinara Holass e que as plantas não passavam disso mesmo, e que nada tinham feito. Escreveu-o num ensaio em que criticava a inteligência e métodos policiais e utilizou o exemplo do absurdo que foi toda esta situação.

O caso foi levado a julgamento, mas o juiz rapidamente decretou que perante um plano tão brilhante e com conclusões tão acertadas sobre assuntos cívicos, ninguém iria beneficiar da condenação de Art Debunkel; que foi declarado inocente.

 

[3] Uma coisa que diferenciava Art Debunkel eram os seus insultos e pragas rogadas. Quando ele diz que espera que todos tivessem um futuro brilhante, não o faz sarcasticamente. Debunkel desejava para a equipa do “Triki Friki” um futuro ao Sol, brilhante, porque todos sabemos que elevada exposição solar é prejudicial à saúde.

Desejava, também, a Plinksy, que este tivesse um filho padeiro. Ora, isto deve-se ao facto de Plinksy pertencer a uma classe de pessoas que não pode comer pão, e o considera algo do mais terrível que existe neste Mundo – classe de pessoas que se classificam como maníacas das dietas. Portanto, para Plinksy, vir a ter um filho padeiro seria dos seus piores pesadelos.

 

As emoções ainda estão muito à flor da pele e por hoje tenho que parar por aqui, porque custa imenso tirar as emoções da pele; tem de ser com um esfregão especial e é uma chatice. Depois volto, para continuar esta minha homenagem/elogio/biografia/divulgação do grande homem que foi Art Debunkel.