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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

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Apontamentos de sabedoria

Eu sou uma pessoa muito sábia, e tanta sabedoria não pode ser contida; tem de ser armazenada para dar espaço a nova sabedoria. É por isso que vou tirando várias notas.

 

Ora, eu sou muito bom a tomar nota de coisas. Sou rápido e eficaz, anotando apenas o essencial, mas com pormenor suficiente para me relembrar de tudo mais tarde. Pelo menos é isso que penso sempre que releio o que acabei de escrever. Por vezes questiono se o irei mesmo entender mais tarde, mas chego sempre à conclusão que sim. Invariavelmente, o que acaba por acontecer é eu não perceber um corno do que escrevi. Por todas as vezes que já me aconteceu tal coisa, eu ainda não aprendi que no momento ache que vou entender aquilo posteriormente porque acabei de o escrever; logo, ainda tenho o conteúdo na cabeça e só por isso é que consigo descortinar aqueles gatafunhos que tento passar por letras e palavras. Podem passar apenas cinco minutos e já não sou capaz de o perceber, porque aí já fui invadido por uma catrefada de outros pensamentos que me fazem não ser capaz de recordar o que pensei antes. E depois já não consigo ler o que lá está. Às vezes também acontece, após muito esforço e dedicação, desvendar o mistério que escondem os meus rabiscos, mas isso acarreta outro problema. É aquilo não me servir de nada. Não me recordar em que contexto é que tive aquele pensamento/ideia, e ficar atónito com aquilo que lá está.

 

Ou é uma lista de compras ou a a descrição da cura para o cancro...

 

O que retirei de todas estas conclusões é que afinal não sou muito bom a tomar notas. Podia incluir algum tipo de contexto, para quando voltasse àquela ideia saber exactamente o que queria? Podia, mas assim não era desafio nenhum.

Com isto tudo, passei a tomar nota de todas as coisas no telemóvel. Resolvi logo um dos problemas: consigo perceber tudo o que escrevo. No entanto, o problema de isso não adiantar nada mantém-se, porque continuo sem explicar muito mais ou incluir algum contexto.

 

Aventurando-me pelas notas armazenadas no meu telemóvel (só uma pequeníssima amostra das mais recentes), podem encontrar-se coisas do género:

 

17:12; 17:28; 17:46; 17:59 – Pronto, esta é simples: é claro que isto são horas. Algum intervalo de tempo para alguma coisa, ou algo parecido. Pelo menos é o que penso, porque não sei. Os meus conhecimentos sobre isto são tantos como os vossos. Sei é que isto está anotado e que nunca recorri a esta informação, talvez porque não faça ideia o que seja. Podem ser as horas que vi alguém a entrar e sair de um prédio que serve de abrigo a um negócio de prostituição animal? Pode, mas eu não me lembro de estar a fazer trabalho de detective privado, nem penso que negócios de prostituição animal existam;

 

Se os homens engravidassem, todos os partos teriam de ser por cesariana – Esta é muito fácil de perceber. É pura capacidade de observação. E foi registada às 4:13, uma excelente hora para quem procura abordar cenários hipotéticos de forma muito prática;

 

Eu odeio gente feliz – Esta também é muito clara na mensagem que transmite. À partida, claro, porque as minhas notas não são assim tão simplistas. São sempre parte de algo mais, ser apenas só uma afirmação é algo redutor. É sempre uma ideia ou um conceito, algo para me lançar para algo. Qual é essa ideia a explorar e extrapolar daqui? Não faço ideia. Não me lembro de nada. Se calhar só odeio gente feliz e precisava de um apontamento para mo relembrar;

 

“Posso pedir-lhe 30 segundos da sua simpatia?”

“Desculpe, mas não. Só disponho de cerca de 1 min de simpatia por dia e já gastei a maior parte a comer uma sandes de frango com a boca fechada” – Sim, isto é toda uma nota que tenho para aqui guardada. Porquê?;

 

Uma espécie de dilema tipo do ovo e da galinha: Inventou-se primeiro os edifícios altos ou o elevador? – É que isto é tão estúpido que eu já nem…;

 

A quem se confessa o papa? – Ok, esta é interessante…;

 

“Foi uma decisão pouco unânime” O que é “pouco unânime?” Ou é ou não é. – Eu não sei de onde surgiu esta minha exaltação nem o porquê de a ter anotado, mas eu disse-vos que era muito sábio;

 

Começar uma briga.

Encontrar uma mulher morta num carro. – Ok, para começar deixem-me dizer que isto não é uma To Do List; espero eu. Ou se calhar era, num dia em que estava mais aborrecido e queria ver se criava algum entretenimento. Ou uma versão alternativa das coisas que gostava de fazer até aos 30 anos;

 

Um problema é um problema e outro problema é outro problema – Pura sabedoria.