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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Mini-contos (#08)

João Aurélio nunca tinha pensado em si mesmo como um assassino.

Mas agora, com a faca ensanguentada nas mãos e as vísceras da mulher junto dos pés, ia ter de reconsiderar.

Afinal, quem mais podia ter feito aquilo?

O pior de se ter um filho.

Pessoal dos bebés, e tal: eu percebo o entusiasmo, a sério que sim; mas a vossa criatura só tem meses até ao 12º. A partir do 13º, já passa a ter anos.

É escusado termos de ter uma calculadora à mão sempre que queremos falar convosco.

312 meses não existe. O vosso filho já tem 26 anos, pá.

 

Não tentem forjar fofura.

Obrigado.

A arte de bem limpar o rabo.

Limpar o rabo é uma arte. Penso que disso não há qualquer dúvida.

Todos o fazemos, é certo, mas nem todos o fazemos bem. E não, não andei a averiguar nos rabos das outras pessoas, é apenas algo que se sabe, tal como o facto de alguns macacos terem piolhos. Já viram algum macaco com piolhos com os vossos próprios olhos? Não, claro, mas é óbvio que, com tanto cabelo, têm de ter.

Pois, funciona da mesma forma com o limpar o rabo.

 

Ora, eu - não me querendo gabar em demasia, porque isto não pode ser só auto-bajulação -, ao longo dos anos, desenvolvi uma capacidade que considero ser até um super-poder (lá está, nada de auto-bajulação).

É o seguinte: sempre que necessário, sei levar comigo a quantidade exacta de papel higiénico para limpar o rabo.

 

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Sou o Super-Cag... Enfim, sou super, vá.

 

"E porque levas tu rolo de papel higiénico para a casa-de-banho, Diogo?", perguntam vocês parvamente.

Porque partilho casa com outras pessoas que me são menos próximas, e porque sou fuinha. Ah, e porque não quero que saibam que uso papel perfumado para ficar com o rabinho a cheirar a rosas.

 

Sim, é verdade! Nunca me aconteceu ficar literalmente de calças na mão à procura de papel higiénico.

Quando a necessidade bate, a maior parte das pessoas tira o primeiro rolo que estiver à mão e nem repara se tem papel suficiente para satisfazer as próprias necessidades. Eu não. Eu gosto de tirar tempo para analisar os quadradinhos de que determinado rolo dispõe e ver se são precisos mais alguns, até em função do que comi algum tempo antes.

Chega até a ser divertido, se a vontade não for em demasia.

 

O resultado, além de um rabo completamente limpo, é pura satisfação. Satisfação e orgulho em mim próprio.

Que é o que é preciso na vida, além de um bom trânsito intestinal e de papel de folha dupla.

Cegueira, surdez e mudez.

Porque é que, na expressão "cego, surdo e mudo", o cego é sempre o primeiro, seguido do surdo e só depois do mudo? Porque é que não variam entre eles?

 

Sim, senhoras e senhores, hoje vamos falar de questões fracturantes. Contrariar o cânone, desmontar o mito, negar o conformismo que vem com o ditado popular.

E, no fundo, ser uma espécie de putos irritantes que acham que têm sempre razão.

O costume, portanto.

 

Ora, digam-me lá: faz algum sentido ser sempre o cego a liderar um grupo, seja ele qual for?

Já viram o que seria ter um cego a liderar um grupo de escuteiros, uma excursão de turistas ou mesmo uma procissão? Os santos e as tíbias que não se estilhaçavam pela ravina abaixo?

 

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 "Aqui jaz o Santo Amaro, vítima de procissão em terra de cegos."

 

A questão fulcral é: será, de todo, seguro o cego ir à frente de um grupo?

A resposta só é sim caso esse grupo seja constituído exclusivamente por cegos, não sendo, portanto, muito relevante escolher quem vai à frente.

 

Em qualquer outra situação, é preferível darem uma oportunidade ao surdo e ao mudo.

Ya, tipo, ser jovem podia ser mais fixe.

A parte mais difícil de se ser jovem é o que (ainda) pensam da juventude.

Os jovens são condenados por serem jovens. Se são jovens, não merecem ser mais nada do que jovens.

Não são levados a sério como profissionais, como potenciais parceiros, como agentes sociais. Porquê? Porque são jovens. E, por conseguinte, não poderão ser nada mais do que isso.

 

Eu próprio ainda sou jovem e, sinceramente, sinto-me mal por ser jovem. Parece que estou a incorrer numa qualquer infracção, tal é a condenação imediata e implícita a que estou permanentemente sujeito.

Vou passar a dizer às pessoas que sou um indivíduo de meia-idade, a ver se me levam mais a sério. Embora digam que a meia-idade seja a altura da crise de identidade… E a velhice também não abona muito a favor de ninguém em termos de consideração social.

 

Raios! Mas há alguma idade que eu possa ter sem que ninguém me chateie?!

Esqueci-me de que tinha um blogue.

Raios! Esqueci-me de que tinha um blogue.

Eh pá, desculpem lá, não foi mesmo por crer… Mas é que uma pessoa entusiasma-se e depois já não sabe a quantas anda. Nunca mais faço sexo intenso com brasileiras rabudas na altura do Carnaval, prometo.

 

Então, como vão? Têm lavado os dentes, ou isso já está a criar pedra aí para dentro de tanto desleixo?

E essa pedra, bem picadinha, dava para ser transformada em alucinogénios? Sim? Então quando posso passar aí para ir recolher uns três gramas? No Sábado? Certo, lá estarei.

Entretanto, hei-de ir escrevendo algumas coisas aqui para o blogue.

 

Vá, abraço fraterno!

Queres ser bajulada a toda a hora, Marta?

Olá, Marta. Sou eu, o teu João.

Espero que esteja tudo bem contigo, comigo já esteve melhor... Sinto a tua falta. E, por isso, quero desenvolver uma estratégia que tenho visto ultimamente em muitos meios de escrita e que, ao que parece, tem tido bastante sucesso: escrever frases feitas.

 

Cá vai:

- Sabes, Marta, tu és a mulher da minha vida. Mais do que isso, tu és a minha vida! E, bem pensado, também és a minha mulher. No fundo, tu és minha! Eu sei que isto pode parecer um bocado doentio, mas também (visto de um certo ângulo) é romântico.

- Marta, queres casar comigo dia sim, dia sim senhor? Eu sei que, sem nos divorciarmos antes, tecnicamente só o podemos fazer uma vez. Mas falo de casamentos espirituais, em que as nossas duas almas se unem para sempre, cativam-se uma à outra cada vez que acordamos e - a melhor parte -, por ser um casamento apenas espiritual, não gastamos dinheiro nenhum no copo d'água!

- "Ser ou não ser", para mim, não é a questão, Marta: porque eu só sou se for teu, e, não o sendo, lá está, não sou. Confusa? Não faz mal, parece que é assim mesmo que funciona.

- Amor da minha vida, quero envelhecer contigo até não nos lembrarmos um do outro; até um de nós se esquecer do fogão ligado antes de sair de casa e esturricar o outro que estava na cama ainda a tentar lembrar-se se já tinha dormido ou se ainda ia dormir.

- És uma chata do caraças, Marta! Chegas a ser insuportável, mesmo. Porque eu estou sempre a pensar em ti, claro - e este factor surpresa inicial torna a frase muito mais querida porque combate aquela raiva inicial com a fofura que vem a seguir.

- Marta, minha Marta... O teu nome evoca o mar, mas também evoca o -ta, que constitui dois terços da palavra "batata". E tu sabes que eu adoro batatas, Marta, principalmente fritas.

- Não sei o que mais te dizer, tu que mereces tudo e ao mesmo tempo não mereces nada, porque nada do que eu tenho é suficiente para aquilo que tu mereces, que é, lá está, tudo... 'Tás a ver, Marta? Ya.

 

E é isto, Marta. Espero que tenha sido tão bom para ti como foi para mim.

Sinto que tirei um peso de cima dos ombros. Como daquelas vezes em que íamos a concertos e tu querias saltar para os meus ombros, com esse cu gordo a empurrar-me cada vez mais na direcção do Inferno. Lembras-te, Marta?

 

Amo-te, volta para mim. Se faz favor.

Como vês, continuo educado.

 

Do teu,

João.