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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Fui atingido por um "você".

Tenho 25 anos e acabei de ser tratado por você.

E não foi pela funcionária do banco, ou por um polícia na rua. Foi por um colega de trabalho.

 

Já cheguei a uma fase da vida em que os colegas de trabalho infimamente mais novos (ou então sou eu que pareço muito mais velho) me tratam por você. A mim, que saí do mundo das fraldas há pouco tempo e ainda não dei o devido uso a uma lâmina de barbear!

 

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Apresento-vos ao Esteves, o meu pêlo de estimação.

 

E eu não quero isto – o você – na minha vida, pelo amor de Deus…

Não quero que ninguém me trate por você, aliás! “Tu” tem duas letras, é mais simples. “Você” tem quatro e um acento. É demasiada burocracia no tratamento interpessoal.

Chamem-me tu, chamem-me pá, chamem-me “ó palhaço!”, que eu aceito tudo. Só não me chamem você.

 

Estamos entendidos?

Então vá. Adeus, seus palhaços.

Falando de sequelas...

As sequelas são um assunto divisório quando se fala de filmes ou livros. A maioria é desnecessária e impulsionada apenas pela ambição de facturar mais com algo já estabelecido, abdicando, muitas vezes, da qualidade. 

 

Filme com título genérico, número 63, agora só com anões!

 

No entanto, acho que estamos a ser um pouco injustos com as sequelas, Às vezes são bem mais memoráveis que os originais.

Por exemplo, a segunda guerra mundial! Muito melhor que a primeira. Sim, toda a gente se lembra da primeira, mas, sejamos sinceros, quando falamos em guerra falamos logo da segunda. Nem tem comparação. Um bocadinho mais longa, mas aguenta-se bem, não há muitos momentos mortos, mantém-se entusiasmante; uma premissa muito melhor explorada, grande elenco com personagens icónicas e inesquecíveis, uma grande melhoria relativamente à primeira. Momentos memoráveis na sua duração, conflitos inesperados, surpresas atrás de surpresas, acontecimentos que se fazem sentir até hoje e ainda são discutidos até à exaustão. Muito melhores efeitos, se calhar coisas que já queriam fazer na primeira mas ainda não tinham tecnologia para isso. Um prólogo e epílogo que assentam que nem uma luva, uma excelente resolução com um final digno e adequado para as personagens envolvidas; personagens essas que deixaram marca. Um excelente vilão, que ficará para sempre na história, bem como  um vasto leque de personagens reais, nem boas nem más, mas que tentavam fazer aquilo que acreditavam estar certo. 

E o final... o que dizer daquele final? Um clímax de excelência, inesperado, emocionante, bombástico.

 

Arrisco a dizer que será mesmo a melhor sequela de sempre. É verdade que depois disso, e devido a todo o sucesso que alcançou, tentou explorar-se ao máximo o franchise. Vários spin offs foram feitos, mas nenhum com o sucesso e grandiosidade da segunda guerra mundial. E se ao principio ainda conseguiam ter alguma qualidade, esta foi-se perdendo ao longo dos anos. 

 

Também é verdade que durante anos se falou numa possível sequela, numa terceira parte, mas que nunca chegou a ser realizada. Se bem que, pelos rumores que correm, e aproveitando toda esta onda de revivalismo que vivemos, assim como uma falta de ideias generalizada, podemos estar perto de ver a terceira guerra mundial. Quanto a isso, não sei, tenho muitas dúvidas. Penso que seria demais. Acho que o impacto não seria o mesmo...

Até podem tornar tudo muito mais devastador, uma produção maior, mais efeitos e maior alcance, mas penso que não seria uma boa ideia. Nunca iria chegar aos calcanhares da sua antecessora e para quê mexer nos clássicos?

 

O pior de se ter um filho.

Pessoal dos bebés, e tal: eu percebo o entusiasmo, a sério que sim; mas a vossa criatura só tem meses até ao 12º. A partir do 13º, já passa a ter anos.

É escusado termos de ter uma calculadora à mão sempre que queremos falar convosco.

312 meses não existe. O vosso filho já tem 26 anos, pá.

 

Não tentem forjar fofura.

Obrigado.

Desilusão Planetária

Portanto, parece que a NASA descobriu mais 7 planetas supostamente de dimensões e condições idênticas às da Terra e toda a gente ficou muito entusiasmada com a grande descoberta astronómica do ano até agora.

 

Foto da jogada final da liga dos campeões de berlindes

 

Podem conter água, podem ser habitados, podem albergar a nossa raça num futuro longínquo, grandes esperanças, grandes descobertas...

Para mim é só mais uma enorme desilusão. Sim, isso mesmo. Não passam de mais uns planetas a juntar à lista daqueles com condições semelhantes à Terra e isso não é positivo. A sério? Mais planetas como este? Planetas carregados de gente, de extremistas, de guerra, de fome e doença, de desigualdades sociais e de género, de discriminação, de gente que deita lixo para o chão, de grupos que andam nos passeios  vagarosamente a formar uma linha horizontal que não se desmancha para alguém passar, um planeta carregado de cogumelos... Desculpem-me, mas isto para mim não é motivo para celebração.

 

Porque não podíamos ter encontrado planetas capazes de suportar vida mas fossem completamente diferentes da Terra? Porque têm de ser sempre iguais? 

Sei lá... planetas em que teríamos 3 torneias: água quente, água fria, e uma torneira da qual saía bolo. E qualquer bolo, à escolha. Ou um planeta em que não era possível engordar. Nunca, independentemente do que comêssemos ou do pouco que fizéssemos. Ou, ainda, um planeta em que não existissem cogumelos (são as verrugas do diabo!)!

Um planeta em que toda a gente andava de trapézio. Seria excelente chegar ao trabalho de trapézio.

Um planeta em que pudéssemos ter um tigre como animal de estimação e ele não nos fosse comer a cara à primeira oportunidade. Um planeta em que a fruta nunca apodrecia. Nunca! Imaginem comprar uma mão-cheia de abacates (que não é muito, a menos que tenham mãos gigantes... o que podia ser o caso noutro planeta!) e eles nunca apodrecerem.

 

Não sei, são só umas ideias rápidas, mas ao menos já seria alguma coisa. Mas não, são mais planetas como este em que já estamos e está toda a gente muito contente, como se isto fosse muito perfeito por aqui.

 

A arte de bem limpar o rabo.

Limpar o rabo é uma arte. Penso que disso não há qualquer dúvida.

Todos o fazemos, é certo, mas nem todos o fazemos bem. E não, não andei a averiguar nos rabos das outras pessoas, é apenas algo que se sabe, tal como o facto de alguns macacos terem piolhos. Já viram algum macaco com piolhos com os vossos próprios olhos? Não, claro, mas é óbvio que, com tanto cabelo, têm de ter.

Pois, funciona da mesma forma com o limpar o rabo.

 

Ora, eu - não me querendo gabar em demasia, porque isto não pode ser só auto-bajulação -, ao longo dos anos, desenvolvi uma capacidade que considero ser até um super-poder (lá está, nada de auto-bajulação).

É o seguinte: sempre que necessário, sei levar comigo a quantidade exacta de papel higiénico para limpar o rabo.

 

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Sou o Super-Cag... Enfim, sou super, vá.

 

"E porque levas tu rolo de papel higiénico para a casa-de-banho, Diogo?", perguntam vocês parvamente.

Porque partilho casa com outras pessoas que me são menos próximas, e porque sou fuinha. Ah, e porque não quero que saibam que uso papel perfumado para ficar com o rabinho a cheirar a rosas.

 

Sim, é verdade! Nunca me aconteceu ficar literalmente de calças na mão à procura de papel higiénico.

Quando a necessidade bate, a maior parte das pessoas tira o primeiro rolo que estiver à mão e nem repara se tem papel suficiente para satisfazer as próprias necessidades. Eu não. Eu gosto de tirar tempo para analisar os quadradinhos de que determinado rolo dispõe e ver se são precisos mais alguns, até em função do que comi algum tempo antes.

Chega até a ser divertido, se a vontade não for em demasia.

 

O resultado, além de um rabo completamente limpo, é pura satisfação. Satisfação e orgulho em mim próprio.

Que é o que é preciso na vida, além de um bom trânsito intestinal e de papel de folha dupla.

Cegueira, surdez e mudez.

Porque é que, na expressão "cego, surdo e mudo", o cego é sempre o primeiro, seguido do surdo e só depois do mudo? Porque é que não variam entre eles?

 

Sim, senhoras e senhores, hoje vamos falar de questões fracturantes. Contrariar o cânone, desmontar o mito, negar o conformismo que vem com o ditado popular.

E, no fundo, ser uma espécie de putos irritantes que acham que têm sempre razão.

O costume, portanto.

 

Ora, digam-me lá: faz algum sentido ser sempre o cego a liderar um grupo, seja ele qual for?

Já viram o que seria ter um cego a liderar um grupo de escuteiros, uma excursão de turistas ou mesmo uma procissão? Os santos e as tíbias que não se estilhaçavam pela ravina abaixo?

 

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 "Aqui jaz o Santo Amaro, vítima de procissão em terra de cegos."

 

A questão fulcral é: será, de todo, seguro o cego ir à frente de um grupo?

A resposta só é sim caso esse grupo seja constituído exclusivamente por cegos, não sendo, portanto, muito relevante escolher quem vai à frente.

 

Em qualquer outra situação, é preferível darem uma oportunidade ao surdo e ao mudo.

Ya, tipo, ser jovem podia ser mais fixe.

A parte mais difícil de se ser jovem é o que (ainda) pensam da juventude.

Os jovens são condenados por serem jovens. Se são jovens, não merecem ser mais nada do que jovens.

Não são levados a sério como profissionais, como potenciais parceiros, como agentes sociais. Porquê? Porque são jovens. E, por conseguinte, não poderão ser nada mais do que isso.

 

Eu próprio ainda sou jovem e, sinceramente, sinto-me mal por ser jovem. Parece que estou a incorrer numa qualquer infracção, tal é a condenação imediata e implícita a que estou permanentemente sujeito.

Vou passar a dizer às pessoas que sou um indivíduo de meia-idade, a ver se me levam mais a sério. Embora digam que a meia-idade seja a altura da crise de identidade… E a velhice também não abona muito a favor de ninguém em termos de consideração social.

 

Raios! Mas há alguma idade que eu possa ter sem que ninguém me chateie?!