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Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Queria? Já não quer?

Estabelecimento gerido por taberneiros armados em engraçados.

Mini-contos (#03)

Não havia nenhuma pista, a polícia estava incrédula.

Já era o décimo quarto homicídio,

a vítima sempre pendurada pelo seu próprio intestino num poste da luz.

 

Até que à décima quinta vítima, quase que como por milagre,

a polícia ainda a encontrou com vida.

Tinha visto quem era o homicida.

 

A polícia recusou ouvir a informação, não queriam spoilers.

 A conta já vai em quarenta e quatro vítimas.

Mini-contos (#02)

Ela pediu-lhe um lápis emprestado para poder desenhar a paisagem.

Ele ofereceu-lho de bom grado e foi-se embora.

 

Agora, ela queria pedir-lhe a ele emprestado para poder desenhar a sua vida.

Mas, como não o encontra, vai ter de se contentar com o lápis.

O altruísmo mata.

Eu tinha um amigo que era a pessoa mais altruísta que vocês alguma vez poderiam conhecer.

Digo "tinha" porque ele, infelizmente, já faleceu. Justamente enquanto dava de comer aos mais necessitados.

 

Esses mais necessitados eram a sua própria família. Rogério era marido de uma esposa só, mas pai de dois filhos. Como não era um homem de grandes talentos, nunca conseguiu segurar um emprego o tempo suficiente para construir uma carreira e, por isso, saltitava de salário mínimo em salário mínimo. Aconteceu que tenha falecido num longo período de desemprego.

Ora, por isso, tornava-se cada vez mais difícil alimentar quatro bocas. Daí que Rogério tenha descurado completamente a sua, não comendo. Mas não, não foi de fome que ele morreu.

 

Um dia, quando ia fazer o pequeno-almoço para a família, Rogério reparou que já não tinham comida nos armários. Nada, zerinho! Por isso, teve de desenrascar qualquer coisa.

Começou por cozinhar os seus pés. Não seria a parte mais saborosa do corpo, mas dava para entrada e também para ele se ir habituando à dor. Prensando-os contra a tostadeira, fez apetitosas tostas que serviu à família sem nunca lhes contar a verdade.

 

Depois, cozinhou as pernas. Agora sim, começava a haver carne de qualidade! Apesar de não ser em grande quantidade, já que Rogério passava fome há vários anos e tinha pernas de periquito.

Mas era saboroso roer o osso.

 

Os pratos continuavam a sair da cozinha, e a família sempre sem perceber o que se passava.

Só quando Rogério começou a aproveitar as suas próprias tripas para fazer salsichas é que eles se aperceberam de que algo não estava certo: não era normal haver tanta comida à disposição naquela casa.

Quando foram à cozinha para ver o que se passava, deram com Rogério, ou o que restava dele, em cima do balcão mais próximo do fogão, já sem forças para continuar.

Ainda foram a tempo de ouvir as suas últimas palavras:

 

- Comam, comam... Que amanhã faço-vos uma omelete.

 

Eles nem perguntaram mais nada, porque não queriam saber de onde raio ele achava que iriam sair aqueles ovos.

E, aí, Rogério morreu.

 

Paz à sua alma.

Essa ninguém comeu.

Darwin Man

Tenham cuidado, ele anda por aí.

 

A salvar o mundo todos os dias, prevenir uma acção de cada vez. Pode estar em qualquer lado, pode aparecer de repente.

Estejam no duche e com pensamentos de ir buscar algum aparelho eléctrico, estejam a segurar a serra de uma motosserra entre as pernas enquanto a tentam ligar, estejam a lavar o carro com a capota aberta… Ele vai lá estar e vai-vos matar.

 

Há que impedir a estupidez de ser perpetuada no universo, há que assegurar a resistência e sobrevivência da raça humana.

 

Sempre que vires um programa estúpido, sempre que contribuíres para qualquer estupidez em forma de cultura seja difundida, sempre que recusares vacinar os filhos, sempre que disseminares falso conhecimento médico, sempre que demonstrares que não sabes nada de geografia mas insistires que estás correcto, sempre que chateares pessoas com detalhes do teu estilo de vida, ele vai estar a ver! E vai actuar!

 

Sempre que fores homofóbico, xenófobo, racista, sexista… Ele vai tomar nota.

Todo e qualquer argumento estúpido, toda a acção que puser em risco a humanidade, ele vai tratar de eliminar.

 

Não é o herói que queremos, mas é o herói que precisamos. Com urgência. É o herói que merecemos, depois de gerações a contribuir para aumentar o nível de estupidez sem fazer nada para o impedir. Ele é o nosso herói, um guardião silencioso, um vigilante protector… Ele é o Darwin Man!

 

A resolver e evitar os problemas com as suas próprias mãos, a assegurar-se que a selecção natural irá funcionar, ele vai livrar este mundo de todos os perigos da estupidez, ele não olha a meios para atingir os seus fins. Ele vai proteger a humanidade de si própria, vai garantir o nosso futuro.

 

Pensem antes de falar, pensem antes de agir, porque ele está a ver. Está sempre presente e irá matar-te se for necessário. Ele está no meio de nós. Darwin Man!  

Entrem e façam-se de casa!

Tenho a maior parte dos meus amigos chateados comigo e não faço ideia porquê. Sei que não fiz nada de errado, portanto a única explicação é que eles não estavam a ser honestos comigo. Porque eu assumo que quando alguém diz alguma coisa, quer mesmo dizê-lo e não são palavras vazias de significado. Eu sou simpático e aceito a simpatia dos outros. Ao que parece, os meus amigos não foram sinceros quanto à sua simpatia. Ou se calhar o problema sou mesmo eu, admito, mas custa-me a crer.

 

Por exemplo: fui jantar a casa do F. Como combinado entre os dois, fui mais cedo para ajudar na preparação. Quando cheguei, ele diz-me que tem de sair para ir comprar uma coisa qualquer que faltava, mas para eu entrar e começar a preparar a minha parte à vontade. "Faz-te de casa" disse-me ele. Muito bem, aí está uma coisa simpática que se diz e que deixa uma pessoa à vontade. Para me fazer de casa. Supus que estava a ser honesto, portanto fiz-me mesmo de casa. Estava eu a meio da preparação do jantar quando tocam à campainha. Fui lá ver quem era e não conhecia a pessoa. Tendo em conta que tinha sido deixado à vontade e para agir como se estivesse em minha casa, não abri a porta. Se não conheço uma pessoa, não vou deixá-la entrar em minha casa. Ela bem que barafustou que era a A., a nova namorada do F., mas qualquer pessoa pode dizer uma coisa dessas. E em minha casa não caio nessa esparrela. Avisei-a mais que uma vez; a certa altura tive de tomar medidas para defender o espaço que estava a tratar como meu. Chamei a polícia e disse que me estavam a tentar entrar em casa à força e enquanto esperei que chegassem fervi uma panela de água e atirei-lhe para cima. 

Para resumir a coisa, a polícia chegou para a deter mas teve de vir a ambulância também, porque as queimaduras eram muito severas. Entretanto chegou o F. e ficou incrédulo com o que viu. Começou a discutir comigo, o que acho uma falta de consideração dado que só fiz o que ele me pediu, mas depois teve de seguir para o hospital. O jantar ficou cancelado, como é óbvio. Por alguma razão o F. deixou de falar comigo desde esse dia, não sei se ficou ofendido com o email que lhe mandei a dizer que era de muito mau gosto cancelar o jantar minutos antes da hora combinada e que era uma vergonha desperdiçar toda aquela comida. 

 

Incrivelmente, este não foi o único caso. Em casa da L., a mesma conversa. Vou lá fazer-lhe uma visita, ela diz para me sentar, "faz como se estivesses em casa". Sim senhora. Estamos ali a meter a conversa em dia e noto que ela me está a olhar de esguelha pelo facto de ter tirado os sapatos e apoiar os pés na mesa. Notei que estava desagradada, mas fora ela que me tinha dito para fazer como se estivesse em casa. E se eu quando estou em casa gosto de tirar os sapatos e apoiar os pés na mesa da cozinha, mesmo que esteja a meio do lanche, quem é ela para me dizer que não? Mas a coisa não ficou por aqui, minutos mais tarde aparece-me um gato a roçar nos pés. Ora, para quem não saiba, eu sou alérgico a gatos. Portanto, na minha casa não. E para eu estar à vontade, o bichano não podia lá estar. Mais uma vez, não percebo a indignação da minha amiga, só se foi pela carta que lhe deixei a dizer que era de muito mau gosto ter um gato quando eu sou alérgico, e se me vou fazer de casa... Só pode ser pela carta, de resto não se passou assim nada. Já agora, resolvi o problema ao pegar no gato e atirá-lo pela janela do oitavo andar onde ela mora.

 

A minha amiga S. também está chateada comigo e, mais uma vez, não entendo bem porquê. Quando estava a fazer umas pequenas obras em minha casa e aquilo estava tudo de pantanas, ela disse que podia ir passar o fim de semana em casa dela, já que ela ia visitar os pais e não ia estar lá. Tudo combinado, apareço lá em casa e ela entrega-me as chaves, explica-me o essencial e diz para eu estar à vontade, "aqui estás em tua casa" disse-me ela. Ok, o fim de semana passou-se sem incidentes, mas no domingo ela chegou mais cedo do que disse que ia chegar. Logo aqui podem ver que eu não tive culpa nenhuma. Além disso, tinha-me dito que ali estava em casa. Assumi que ela estivesse a falar a verdade, acreditei na bondade do seu coração. Parece que era tudo falso. Aparentemente ficou muito chateada com a enorme orgia que se desenrolava na sua casa e muito chocada com o homem que se tinha coberto com as cinzas da sua falecida mãe e usava a urna para estimular outra pessoa. Qual é o mal? Se é aquele o fetiche daquelas pessoas... Foi tudo consensual e nas orgias em minha casa não há limites. E ali estava como que em casa...

Eu mantenho que ela ficou foi ofendida por não ter participado ou ter sido convidada. E nesse aspecto, talvez o meu reparo que se ela cuidasse um bocadinho mais de si poderia vir a ser convidada, não tenha caído muito bem. Só pode ser isso.

 

O último caso, e o que me levou a escrever isto tudo, aconteceu recentemente. Fui para o estrangeiro numa viagem de negócios e o meu amigo O. disse que podia ficar numa casa que ele tem. Assim poupava o dinheiro da estadia, já que trabalho por minha conta.

Deu-me as chaves de casa, as indicações e disse-me "Enquanto lá estás, é a tua casa. Fica à vontade". Foi muito simpático da parte dele, não foi? Pois, eu também pensei que sim, pelos vistos estava errado. É que a minha viagem de negócios não deu em nada e acabou por ser uma perda de tempo. Já que não ia regressar mais vezes, não me servia de nada ter uma casa naquela cidade. E como a casa era minha enquanto lá estava, palavras do O., vendi-a. Uma decisão normal e racional. Não sei porquê, não sei o que fiz, só sei que agora tenho que ir a tribunal porque o O. me está a processar. E éramos tanto amigos.

 

Alguém percebe o que se passou? Mais nenhum amigo meu me atende o telefone sequer, devem estar todos em conluio contra mim. 

Os vivos-mortos.

Os mortos-vivos são muito populares, hoje em dia.

Dos vampiros aos zombies, passando pelas incontornáveis múmias, quase toda a gente tem como apogeu da monstruosidade e do grotesco os mortos-vivos. E eu até nem acho isso mal, já que essas figuras míticas são, realmente, bastante assustadoras.

 

Só que há piores...

 

Quem lambe as botas em demasia aos mortos-vivos apenas o faz porque não conhece os vivos-mortos.

Um vivo-morto é muito pior do que um morto-vivo em vários sentidos. Desde logo, porque no caso do último foi apenas o corpo que faleceu, enquanto que no primeiro foi o próprio espírito, a única razão pela qual vale a pena estar vivo.

 

exercise-in-futility-620x340.jpg"Gorete, liberte a minha agenda se faz favor."

 

Um vivo-morto é aquela pessoa que abre os olhos de manhã para ir para o trabalho mas só acorda realmente para a vida à hora de almoço, quando pode dar uma escapadinha do escritório. É aquela pessoa que viaja de Metro não por necessidade, mas apenas para ter uma desculpa para fechar os olhos pelo caminho sem correr o risco de matar alguém.

O vivo-morto passa a vida a fazer coisas de que não gosta durante dois terços da sua vida para que depois, já no último terço, possa fazer tudo aquilo que sempre quis fazer, embora com bastante menos tempo e, até, disponibilidade física e mental. Quer ganhar muito dinheiro para, um dia, talvez, poder gastar muito dinheiro.

Um vivo-morto tem horários definidos e calendários cheios. Tem agendas repletas de coisas para fazer e muito pouca vontade de as concretizar. Encara a família como um trabalho e o trabalho como a única família que lhe resta.

Os cérebros que um vivo-morto procura, tal como fazem os mortos-vivos, são os de pessoas que conseguiram fazer o que eles acham que nunca conseguiriam. Procuram, portanto, os cérebros de cineastas, de escritores, de pintores e de escultores; os cérebros de pessoas que decidiram, por opção própria, não ser vivos-mortos.

 

Tenho medo de mortos-vivos, sim... Mas tenho mais medo de um dia me tornar num vivo-morto.

Por favor, enfiem-me uma estaca no coração se me virem transformar num vivo-morto.

 

Obrigado.

Os malefícios dos benefícios

Há pouco tempo deparei-me com mais um artigo dentro dos milhares que existem sobre os benefícios da cerveja. Ora, eu como grande apreciador desta "águinha de nosso senhor" não preciso de saber os benefícios ou as suas vantagens para a beber. Mas já agora fui ver. E sim senhor, tudo muito bem. Agora, o que ninguém fala é dos malefícios de alguns destes benefícios, ou as falhas de alguns destes benefícios. 

 

 

Vejamos:

  • Minerais fortalecem os ossos

         Sim, sim, os minerais presentes na cerveja fortalecem os ossos. Muito bem. Mas há que ver que se beberem muita cerveja a probabilidade de uma queda é maior. Muito maior. Imaginem que estão num bar a emborcar litros de cerveja; quando vão a descer as escadas para se irem embora trocam os pés e só param quando derem com a cabeça na calçada da rua, um braço a apontar para o lado errado, como se fosses uma suástica humana, e e um joelho a tocar na nuca. Portanto, não se fiem nesta técnica de fortalecer os ossos, porque o mais provável é acabarem com eles desfeitos.

  • Protecção do coração

        Consumo moderado de cerveja é benéfico para o coração. Mas será que é mesmo? É que depois de beber umas cervejinhas, finalmente se arranja a coragem para partilhar todos os sentimentos que nutrimos por aquela pessoa especial. Vamos à chuva até casa dela, com o coração protegido pela cerveja, e confessamos tudo. Todo o amor que sentimos sai-nos pelos poros só para depois repararmos na sua cara incrédula, no suor que lhe abunda o corpo seminu e o parceiro bem dotado que se pavoneia por trás dela. Embaraçada mas um pouco divertida, ela diz-te que não sente nada por ti, mas que estima muito a tua amizade. Vais para casa desolado, de coração partido e sem nenhuma esperança de futuro. 

  • Protecção pós-enfarte

        Esta está relacionada com a anterior. Agora que estão com o coração desfeito, é o mesmo que terem sofrido um enfarte. Portanto, voltam a recorrer à cerveja para ver se recuperam. Como já se viu, em termos de protecção deixa a desejar e aqui não é excepção. A solidão instala-se e cais numa espiral de destruição. Todos os dias é um tal virar cerveja atrás de cerveja, sempre em busca da recuperação. No entanto, o que acontece, é que nunca chegas a recuperar e te transformas num alcoólico. Três meses depois estás a prostituir-te num qualquer bairro problemático em troca de mais uma dose de heroína, tudo para tentar reparar o coração que a cerveja era suposto proteger.

  • Fonte de bom colesterol

       A cerveja em si até pode ser uma fonte de bom colesterol, se bem que tratando-se de fontes, prefiro-as com água. Ou cerveja mesmo. Além disso, vou beber uma cervejinha, vou petiscando um amendoim, um tremoço e de repente estou que nem alarve a lamber os dedos depois de ter sorvido um ou dois hamburgers, meio quilo de batatas fritas e a tentar despachar-me porque um dos meus amigos conhece um gajo que nos vai servir leitão assado a esta hora. No final desta empreitada, bem que bebi cerveja, mas a nível de colesterol a coisa não está nada famosa.

  • Mais nutritiva que outras bebidas alcoólicas

     A querer perder algum peso, mas sem querer cortar nas necessidades nutricionais nem abdicar do prazer de beber cerveja, embarco numa dieta de consumo exclusivo desta bebida. Já que é assim tão nutritiva. Pois claro que a única coisa que me traz é o vício do alcoolismo e o problema acrescido de uma anorexia. 

  • Activa o funcionamento dos rins

    Portanto, estão a noite toda no bar constantemente a receber cervejas de graça. Já topaste o moço ou a moça que tos anda a mandar, mas ainda ninguém veio falar contigo. Claro que com tanto funcionamento de rins, dás por ti a ir incontáveis vezes para a casa de banho. Numa dessas vezes acabas por ir sozinho, já que só te estão a pagar bebida a ti e ninguém está aflito como tu. A última coisa que te lembras é de veres a pessoa que te estava a mandar cerveja atrás de cerveja a entrar na casa de banho com um sorriso maroto e um olhar voraz. Quando voltas a ti, apercebes-te que estás nu numa banheira cheia de gelo e que estás com 3,2% de défice; ou seja lá que percentagem for que um rim ocupa no teu corpo. Pois claro, aquele estranho misterioso só te estava a cuidar dos rins para depois se aproveitar deles e garantir o seu bom funcionamento.

  • Reforça o sistema imunitário

     Ao lado da banheira que acabaste de acordar com menos um rim, está uma caixa de cerveja. Imediatamente te recordas que a cerveja reforça o sistema imunitário e não hesitas em mamar metade da caixa e despejar sobre a tua ferida a outra metade. Quando contavas com um boost do teu sistema imunitário proporcionado pela mágica da cerveja, acabaste só por te embebedar e infectar aquela merda toda. Além de que perdeste tempo para ligar à emergência médica e acabas por te afogar no gelo derretido enquanto tentas curar a ressaca. 

  • Melhor ressaca

     É a melhor ressaca comparado com quê? Certamente é melhor estar a ressacar da cerveja do que o corpo a ressacar de um rim, suponho. Mas, pessoalmente, prefiro a ressaca de sumo de romã.

  • Aumenta a confiança

      E desde quando é que isto é uma coisa boa? Ficar com a confiança nos píncaros é sinal que só vais estragar tudo. O teres muita confiança é o que te permite apostares com os teus amigos que consegues deitar abaixo a parede do bar só com uma cabeçada. E como já demonstrei no inicio, os teus ossos não estão assim tão protegidos pela cerveja como pensas. O único resultado do teu excesso de confiança é uma cabeça partida e uma conta bancária mais pobre. Pronto, a alegria provocada aos amigos conta como ponto positivo.

Também foi por causa deste aumento de confiança que te partiram o coração e que foste despedido por seres um incompetente alcoólico, que disse que conseguia acabar aquele enorme projecto de milhões sozinho e dentro do prazo e acabaste por estragar tudo. 

Com tanta confiança que sentias, decidiste ir para o meio da pista dançar. O que se seguiu foi tão horrível que o teu próprio grupo de amigos decidiu partir-te as pernas para assegurar que aquilo nunca mais acontecia.

  • Diminui o risco de diabetes tipo 2

     E em relação ao tipo 1? Pois, não faz nada, incompetente. Além de que após ter comido hamburgers e batatas fritas e o tal leitão, ainda mamei uns 2 quilos de gelado, cerca de 140 bolachas e meio bolo de casamento. Até que ponto é que o meu risco de diabetes tipo 2 vais estar diminuído? É porque só fiz isto tudo por estar inebriado devido a tanta cerveja. Penso que demonstrei, claramente, que tem é o efeito oposto.

  • A cerveja é menos calórica do que um sumo de laranja

     E depois? A cerveja também é menos calórica que uma refeição completa e equilibrada, mas isso não quer dizer que ganha esta ronda. Aliás, já vimos o que acontece se se optar por uma dieta só de cerveja. É o mesmo que me dizerem que um T0 é mais pequeno que uma mansão. Sim senhor, tem as suas vantagens, mas eu tenho uma família de nove...

  • Aumenta a criatividade

      E, claro, a cerveja aumenta a criatividade. Até aqui não há problema nenhum, o que sucede é que não há nenhuma consequência prática deste aumento. Acabei de beber uma enorme de quantidade de cerveja, estou mais criativo que o Salvador Dalí sob o efeito de ácido, mas também estou todo bêbedo. E não encontro o meu caderno, não me lembro da password do computador, não sei onde pus as minhas tintas. A criatividade transborda de mim, mas o que crio não corresponde, nem de longe, àquilo que imagino. A dor só aumenta quando me passa a excelente ressaca e sei que tive ideias fantásticas, que a minha criatividade atingiu níveis históricos, mas que não me lembro de nada. E ia ser a melhor criação que este mundo já viu. Mas não me lembro. Além disso, tenho mais com que me preocupar. Estou com metade dos ossos partidos, falta-me um rim, estou a sofrer por amor e a precisar comer, mesmo que ainda me sinta enfartado...

 

 

E pronto, era isto. Só para terem as coisas em atenção e alguma perspectiva. Há sempre que considerar os malefícios que nos trazem os benefícios, não nos podemos fiar neles à maluca. E agora vou, que esta cerveja não se bebe sozinha.

 

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